Bem vindo !
Entrou
no site da Paróquia de Santa Maria de Belém, que tem a sua sede na Igreja do
Mosteiro de Santa Maria de Belém, ou Mosteiro dos Jerónimos, como hoje é
simplesmente chamada.
Convido-o
hoje a «revisitar« a Igreja dos Jerónimos e a saborear o seu «segredo».
Quando esta Igreja foi construída,
ficava muito próxima do Tejo, quase à beira-mar, nas portas do Atlântico. Foi
deste local que partiram Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral para as suas
históricas viagens, que os levariam à Índia e ao Brasil, respectivamente.
Mas
nesse tempo ainda existia a pequena igreja ou “ermida” que o Infante D.
Henrique fundou em 1459, obtendo do Papa que lhe fosse dado estatuto de
paróquia, para nela ser prestada assistência espiritual aos mareantes que ali
passavam.
A
esta igreja, integrada na Ordem Militar de Cristo, deu o Infante D. Henrique o
título de Santa Maria de Belém, em homenagem ao local onde nasceu Jesus Cristo,
e aonde se dirigiram os Magos do Oriente, conduzidos por uma estrela, para
adorarem o Menino.
Foi
aqui que Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral ouviram missa e comungaram, com
os seus homens, antes de se fazerem ao mar: o primeiro em 8 de Julho de 1497; o
segundo em 8 de Março de 1500. A 29 de Agosto de 1499, Vasco da Gama entra no
Tejo, regressado da grandiosa expedição à Índia, celebrando aqui umas
“novenas”, em acção de graças pelo êxito da sua viagem
Foi aqui que o Rei D. Manuel, logo
depois de ter subido ao trono, em 1495, decidiu erguer um grandioso templo,
confiado aos Monges da Ordem de S. Jerónimo, que tomaram posse canónica do novo
Mosteiro em 21 de Abril de 1500.
Um
Mosteiro no início de um novo século
A
primeira pedra do edifício foi lançada em 6 de Janeiro de 1501: ao começar um
novo século, este Mosteiro simboliza o início de uma nova era, marcada por uma
nova proximidade entre os homens e os povos.
Um Mosteiro é um local de oração e
de vida comunitária. Neste Mosteiro seria celebrado, com a devida solenidade, o
culto divino. Segundo a Bula de Fundação, promulgada pelo Papa Alexandre VI, em
23 de Junho de 1496, os Monges assumiam a obrigação de celebrar “uma missa
quotidiana pela alma do Infante D. Henrique, primeiro fundador deste lugar, e
pela do Rei D. Manuel e seus sucessores”. Todos os dias, além da Missa, celebravam
as sete horas canónicas do “Ofício Divino”, dedicando-se também à oração
privada e ao estudo. Vários monges dedicavam-se ao estudo da música sacra,
outros estudavam órgão ou mesmo outros instrumentos, tendo em vista o esplendor
da liturgia. Mas não descuravam a atenção pastoral aos navegantes e peregrinos,
a quem administravam os sacramentos da Penitência e da Eucaristia.
Dedicado a Santa Maria de Belém, o
Mosteiro dos Jerónimos reflecte um particular fascínio pela Encarnação,
Nascimento e Epifania do Filho de Deus feito homem, Jesus Cristo. Quando se
entra pela porta poente ou axial, que é a porta principal da Igreja,
destacam-se, por cima da porta, três grupos de esculturas: o Nascimento de
Jesus (ao centro); a Anunciação à Virgem Maria (à esquerda); a Adoração dos
Santos Reis (à direita). Já na porta
sul, voltada para o rio, no centro da sua magnífica composição escultórica,
destaca-se a imagem de Nossa Senhora dos Reis, com o menino no braço direito, e
na mão esquerda um vaso que simboliza as ofertas dos Magos do Oriente.
A Adoração dos Magos está
representada no retábulo da capela-mor da Igreja, em dois belos quadros,
recentemente restaurados, da autoria de um pintor de origem espanhola, Lourenço
de Salzedo (1572-1574). No centro, onde hoje se encontra o maravilhoso sacrário
de prata, havia um outro quadro, que mostrava o Menino Jesus, no Presépio,
adorado de joelhos por um dos Magos, Gaspar. Este quadro já não existe. Mas na
porta do Sacrário está representada esta mesma cena. No quadro à direita do
Sacrário, está Baltazar, e à esquerda
Melchior, cada um com o seu séquito. Baltazar enverga um manto e turbante, como
um grande senhor do Oriente, e oferece
ao Menino um precioso vaso de ouro. Melchior, que usa uma coroa, é precedido
por um pagem que segura um pequeno cofre, e está vestido à semelhança de um Rei
do Antigo Testamento.
Hoje,
a Igreja dos Jerónimos continua a ser, como no início, um espaço sagrado, onde se
celebra o Nascimento, a Epifania, a Morte e a Ressurreição de Cristo. Não é um
museu de pedra: é um local de encontro com Jesus Cristo, nascido em Belém há
mais de dois mil anos, e que continua presente na Eucaristia celebrada
diariamente e conservada no Sacrário.
Aqui
se reúne ao Domingo e também nos outros dias da semana a Paróquia de Santa
Maria de Belém, a que se juntam com frequência cristãos de outras comunidades.
Aqui,
na grandeza de um espaço incomparável, se reconhece a presença de Deus e celebra
o mistério de Cristo.
Por isso me atrevo a convidá-lo a
descobrir aqui esta presença. Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e sempre. E,
se quiser, leve-O no coração, para continuar a percorrer com Ele os caminhos da
vida.
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira