CASAMENTO MESMO
Com a aprovação pela Assembleia de República do casamento entre pessoas do mesmo sexo é de esperar que tenha agora lugar um grande movimento social.
É de esperar que todos os casais constituídos pela união matrimonial de um homem e de uma mulher se levantem em massa e exijam dos governantes o reconhecimento do seu direito à diferença.
É agora a altura de o dizer com toda a clareza: existe o direito à diferença.
A instituição civil que reconhece a união conjugal do homem e da mulher não pode ser a mesma que agora passará a reconhecer a união entre pessoas do mesmo sexo, porque a diferença entre estas duas realidades é imensa e profunda.
Por isso, é de esperar que os casais onde existe a dualidade e a complementaridade dos dois sexos reivindiquem o reconhecimento dessa diferença, que é inegável e indesmentível de todos os pontos de vista: antropológico, biológico, psicológico, sociológico, etc.
Chegou o momento de estes casais, que sabem bem que são diferentes, exigirem o reconhecimento jurídico e civil dessa diferença.
E não precisarão de exigir muito. Num primeiro momento, bastará uma pequena alteração, bastará uma palavra para marcar a diferença, esta diferença que é um direito a que os casais não põem renunciar.
À instituição que reconhece a união conjugal do homem e da mulher poderá a partir de agora chamar-se, simplesmente: casamento mesmo.
Seria estranho que os deputados da Assembleia da República que afirmam ter legislado em nome da igualdade, se recusassem agora a legislar também em nome da diferença.
Assim será reposta a justiça, será reposta a verdade.
Casamento mesmo: assim será justo chamar o casamento onde existe e se reflecte a dualidade que caracteriza a natureza humana. O contrário seria intolerável e profundamente injusto.
Provavelmente isso só acontecerá se houver um grande movimento social e cívico na nossa sociedade.
Mas, como os casais mesmo são cidadãos de pleno direito, saberão com certeza o que fazer, pelo voto e por inúmeras outras formas, para não serem tratados como iguais, já que tão manifesta e evidentemente são diferentes.