13 de Abril de 2008 - Domingo IV da Páscoa da Ressurreição do Senhor

A Porta da Vida

Um dia, como nos conta S. João, no Evangelho de hoje, Jesus disse de Si mesmo: "Eu sou a porta". Trata-se de uma metáfora, mas que significa?

Às vezes deparamo-nos com portas fechadas. e não sabemos o que está do lado de lá. Mas também há portas que se abrem, e dão acesso a um mundo inesperado. surpreendente. Nas Basílicas romanas e em algumas Catedrais há a Porta Santa. que só se abre nos grandes Jubileus....

Que quer então transmitir-nos Jesus, ao dizer: "Eu sou a porta"? Um primeiro significado parece evidente: é preciso passar por Jesus para entrarmos na vida. para sermos salvos.

Quando Jesus diz: "Eu sou a porta", ensina­nos que só Ele é o Salvador, enviado pelo Pai. Na vida humana há muitos caminhos, mas há um único acesso seguro para a vida de comunhão com Deus. e não é secreto. só acessível a alguns, não está oculto, nem está fechado, mas aberto de par em par: este acesso é Jesus, caminho único de salvação.

Ao longo dos tempos houve muitos profetas, e houve muitos fundadores de religiões que ainda hoje têm inúmeros seguidores, mas só a Jesus se podem aplicar estas palavras de um Salmo do Antigo Testamento: "Esta é a porta do Senhor: os justos entrarão por ela" (Salmo 117 [118], 20).


«Eu sou a Porta»,   - Vitral de St. Mary's Church , Chatham

É este o ensinamento do próprio Jesus Cristo no Evangelho de S. João: "Quem entrar por Mim, será salvo". É preciso passar por Jesus, para termos a vida. E Jesus di-lo ainda mais claramente um pouco depois: "«Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância»". Jesus é a fonte de uma vida abundante. de uma vida plena. Jesus quer dar-nos esta vida, mas será que a desejamos, será que a aceitamos?

Na 1ª leitura, uma grande multidão de pessoas. ao ouvirem o anúncio de que Jesus tinha sido glorificado pelo Pai como Senhor e Messias, isto é, tinha ressuscitado, e depois de terem sentido a profunda dor de terem colaborado na morte de Jesus, perguntaram a S. Pedro e aos outros apóstolos: "«Que havemos de fazer, irmãos?»" E S. Pedro respondeu serenamente: "«Convertei-vos, e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo»".

É necessário que também nós hoje perguntemos: "«Que havemos de fazer?» É necessário que cada um de nós pergunte, diante de Jesus ressuscitado: «Que hei-de fazer?»

Para muitos, Jesus ressuscitado pode reservar surpresas, pedidos inesperados, ou chamamentos que talvez já lá estivessem no fundo do coração, mas que só um dia, quando Deus o quer, se tornam nítidos, claros, evidentes.

Alguns cristãos podem sentir num determinado momento. com grande força, que Deus os chama a dedicar toda a sua vida à evangelização. ao anúncio de Jesus.

Hoje é o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, e a Igreja, no mundo inteiro, pede a Deus que haja muitos cristãos dispostos a entregar a sua vida para que todos os seus irmãos e todos os homens, "«tenham a vida, e a tenham em abundância»", como dizia Jesus no Evangelho.

Na sua Mensagem para este dia. o Santo Padre Bento XVI fala em particular dos sacerdotes, "chamados para anunciar a Palavra de Deus, administrar os sacramentos, especialmente a Eucaristia ea Reconciliação, dedicados ao serviço dos mais débeis, dos doentes, dos que sofrem, dos pobres e dos que passam por momentos difíceis".

E recorda de uma forma especial aqueles que exercem a sua missão "em regiões da terra onde ainda hoje existem multidões que não tiveram um verdadeiro encontro com Cristo". O seu trabalho é duro e sacrificado, mas é fecundo. Segundo observa o Santo Padre. "as estatísticas testemunham que o número dos Baptizados aumenta todos os anos, graças à acção pastoral destes sacerdotes, inteiramente consagrados à salvação dos irmãos".

Bento XVI recorda que há sacerdotes que saem dos seus países e vão a vida inteira para outras regiões. São os sacerdotes «fidei donum» («dom da fé»), e merecem o reconhecimento de todos.

"Trata-se de comoventes testemunhos que poderão inspirar muitos jovens a seguirem por sua vez a Cristo e gastarem a sua vida pelos outros, encontrando precisamente assim a vida verdadeira." (Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, 26).

"Desta forma," conclui o Papa, "Jesus, através dos seus sacerdotes, faz-Se presente entre os homens de hoje, até às mais distantes extremidades da terra."

Bento XVI lembra .também que "não são poucos os homens e as mulheres que. desde sempre na Igreja, movidos pela acção do Espírito Santo, escolheram viver radicalmente o Evangelho, professando os votos de castidade, pobreza e obediência. Esta multidão de religiosos e de religiosas, pertencentes a numerosos Institutos de vida contemplativa e activa, tem tido «até agora uma parte importantíssima na evangelização do mundo» (Decreto Ad Gentes, 40)".

O Santo Padre deixa-nos ainda um desafio: que as comunidades cristãs não se fechem em si mesmas! Mas, se forem evangelizadoras, isso não acontecerá: "As comunidades cristãs, que vivem intensamente a dimensão missionária do mistério da Igreja, jamais serão levadas a fechar-se em si mesmas".

Hoje é um dia para pedir a Deus que em todas as comunidades cristãs, e também na nossa, brotem as vocações para o sacerdócio ministerial e para a vida consagrada, tendo em conta, entre outras razões, a sua particular dedicação ao anúncio do Evangelho em toda a terra.

As vocações são um dom de Deus. "A graça das vocações - escreve ainda Bento XVI- é um dom que a Igreja invoca diariamente ao Espírito Santo".

"Desde o seu início a comunidade eclesial, recolhida em torno da Virgem Maria, Rainha dos Apóstolos, aprende com Maria a implorar do Senhor o florescimento de novos apóstolos, que saibam viver no seu íntimo aquela fé e aquele amor necessários para a missão".

Que a Virgem Maria nos ensine a rezar, a pedir e a agradecer, e também a trabalhar, a fazer tudo, por todos os meios, para que o conhecimento e ao amor de Jesus possa chegar cada vez mais longe, à Terra inteira.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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