11 de Janeiro de 2009 - Baptismo do Senhor

Como o Sol que se levanta

Hoje termina o tempo do Natal. "E talvez não seja descabido fazer esta pergunta: O Natal fez­nos bem? Tornámo-nos pessoas melhores? Estamos a trabalhar ou a estudar melhor, a rezar mais, a pensar mais nos outros? Confessámo­nos bem, conseguimos emendar-nos de alguns pecados, de alguns defeitos, ou estamos exactamente na mesma que antes, ou pior?

Mesmo nas coisas mais normais - por exemplo, na vida de família, no convívio com os amigos, nos tempos livres - temos presente a vida de Jesus e os seus ensinamentos? Sentimos como é bom estarmos unidos a Jesus em todas as circunstãncias da nossa vida?

O Evangelho de hoje diz-nos que, depois de muitos anos de vida «normal», sem que nada O distinguisse das outras pessoas, "Jesus veio de Nazaré, da Galileia, e foi baptizado por João, no rio Jordão".

Podemos ficar admirados por Jesus ter querido receber o baptismo de João Baptista, que era um baptismo de penitência, quando Jesus não tinha nenhum pecado, e não precisava de se converter nem de manifestar arrependimento.


Tintoretto, O Baptismo de Jesus (porm.) (1589-91)

Mas este acontecimento representou uma mudança de actuação por parte de Jesus. Quando Se aproxima do baptismo, Jesus parece apenas mais um entre tantos. Mas, depois de ser baptizado, começa a distinguir-Se entre todos.

Até então, nada O tinha distinguido dos outros homens. Mas, em breve, vai começar a ensinar e a pregar a Boa Nova do Reino de Deus, atraindo e fascinando todos os que não tinham o coração endurecido.

Jesus, ao ser baptizado, foi como o Sol que se levanta, ao romper da aurora, quando ainda se vêem algumas estrelas no céu. Mas, instantes depois, essas últimas estrelas vão declinar e deixar de se ver, para que apenas o Sol brilhe em todo o seu esplendor.

Em breve, João vai silenciar a sua voz, para que o Verbo de Deus, Jesus Cristo, se faça ouvir no coração de todos, e depois ofereça a sua vida por todos.

Quando foi baptizado, Jesus - diz S. Marcos - "viu os céus rasgarem-se", isto é, viu, não fisicamente, mas com os olhos do seu espírito, que já não há portas fechadas para que os homens entrem na amizade de Deus. Estas portas vão abrir-se totalmente quando Jesus morrer na cruz, mas desde já há um caminho aberto para todos chegarem, através de Jesus, ao coração do Pai.

Ao mesmo tempo, Jesus "viu o Espírito, como uma pomba, descer sobre Ele", o que significa que é Jesus que dará aos homens o Espírito Santo, nos sacramentos da Nova Aliança, como João Baptista tinha anunciado.

E Jesus ouve também estas palavras, que manifestam o imenso amor que o Pai tem por Ele: " «Tu és o meu Filho muito amado, em Ti pus toda a minha complacência» ".

Jesus, o Filho muito amado, vai cumprir na terra a sua missão com absoluta fidelidade ao Pai, e vai fazer tudo, sem se poupar a nada, para que também nós nos tornemos filhos, e possamos experimentar em toda a nossa vida o amor do Pai.

O Baptismo de Jesus anuncia o nosso próprio baptismo, e a graça da filiação divina que recebemos em Jesus. Bento XVI disse recentemente que "todo o cristão está chamado pelo Baptismo e pela Confirmação a anunciar Cristo, luz do mundo, com a palavra e o testemunho de vida".

Na nossa vida não pode haver desprezo pelos outros, crítica injusta, indiferença. Tem de haver compreensão, amizade verdadeira,justiça e solidariedade. A caridade e amizade leva-nos também a desejar que os outros amem a Deus, conheçam e sigam Jesus. Estamos a fazer tudo o que podemos para que isto aconteça?

Os que são filhos de Deus pelo baptismo não fazem o seu caminho isolados, mas vivem e caminham na Igreja. Hoje, peço a cada um que considere diante de Deus como pode contribuir para aprofundar e melhorar a comunhão da Igreja, e em particular na nossa paróquia de Santa Maria de Belém.

Peço que cada um se interrogue diante de Deus: venho à Igreja para cumprir um dever, e vou-me embora o mais depressa possível? Ou sinto-me também corresponsável portoda a vida da Igreja?

Poderei realizar algum serviço na comunidade? Poderei ser leitor, acólito, visitador dos doentes, catequista, cantor, voluntário da Mesa de Nossa Senhora ou assumir qualquer outro serviço no âmbito da da liturgia, da evangelização ou da caridade?

Uma das principais necessidades que temos na paróquia é a de mensageiros, que entregam as Mensagens de Natal e de Páscoa nas casas dos paroquianos. Há tempos ofereceram-se várias pessoas, mas precisamos de mais. Quem está disponível para começar já na próxima Páscoa?

Continuemos o nosso «exame de consciência»: poderei fazer melhor aquilo que já faço? Aceito preparar-me para desempenhar melhor a minha missão, ou, no fundo, só quero que não me incomodem muito? O que é que Deus me pede? O que é que Jesus espera de mim?

O Espírito Santo, que Jesus nos deu no Baptismo e na Confirmação, testemunha em nós que somos filhos muito amados do Pai. Que a nossa resposta, por intercessão da Virgem Maria, seja o amor e a fidelidade, na alegria de fazermos sempre, como Jesus, a vontade do Pai.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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