6 de Junho de 2009 - Santíssima Trindade

Oceano Infinito

Hoje celebramos a Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que são um só e único Deus.

Acreditamos que Deus é um, em três Pessoas, cada uma das quais é plenamente Deus e possui de um modo pleno e perfeito a mesma e única essência divina.

Não repartem entre Si a essência divina, nem nenhuma a tem em maior grau ou mais intensamente do que qualquer das outras, mas cada uma é Deus, e as Três Pessoas são um só e mesmo Deus.

Quem nos revelou a Santíssima Trindade, foi Jesus. Como é natural, Jesus não usou esta expressão, mas, ao longo da sua presença na terra entre os homens, Jesus Cristo apresentou­Se sempre como o Filho, e mostrou-nos o Pai.

Os Evangelhos testemunham o conhecimento e o amor mútuo que existem entre Jesus e o Pai.

Ao mesmo tempo, Jesus revelou-nos o Espírito Santo, apresentou-o como o Espírito da Verdade, o Defensor, o Consolador, e enviou-O aos seus discípulos, logo na tarde do Domingo de Páscoa e, cinquenta dias depois, na manhã do Pentecostes.


Igreja de S, João, Instituto Polaco, Roma, A mão do Pai, o Filho, o Espíríto Santo, (2001)

Jesus dirigiu-Se sempre a Deus, dizendo: "«Abba, Pai»". E, por estarmos unidos a Jesus, "também nós recebemos o Espírito de adopção filial, pelo qual exclamamos: «Abba, Pai»", como nos dizia S. Paulo naquela belíssima passagem da Carta aos Romanos que ouvimos na 2ª leitura.

Jesus, Filho do eterno Pai, feito homem por nosso amor, é o supremo revelador do mistério de Deus: por isso nos revelou a Trindade Santíssima de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que nós louvamos, adoramos e glorificamos.

Como acontece sempre que rezamos a Liturgia das Horas, depois de cada Salmo, ou o Rosário da Virgem Maria, no fim de cada dezena, hoje é um dia em que somos especialmente convidados a dizer, com profunda reverência: «Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos. Amen».

Gostava agora de vos convidar a pensar numa das dimensões mais fascinantes da Santíssima Trindade. Cada Pessoa tem todo o poder e toda a grandeza de Deus, mas nenhuma das três Pessoas é autónoma, nenhuma existe isolada em Si mesma, nenhuma existe fechada em Si mesma. Cada uma vive totalmente em função da outra, cada uma vive totalmente voltada para a outra.

Desde toda a eternidade, o Pai gerou o Filho, e por isso é Pai. E o Filho foi gerado pelo Pai, e por isso é Filho. O que faz o Filho ser Filho é o dom do Pai, e o que faz o Pai ser Pai é o retorno do dom do Filho. E o Espírito Santo existe por ser o Espírito do Pai e do Filho, como um dinamismo de amor imenso e transbordante que Os une desde toda a eternidade.

Cada uma das Pessoas existe, e é distinta das outras duas, devido a esse «laço» que a une à outras duas, mas que não é acidental nem casual: é um «laço» ou «orientação» que sempre existiu, no seio da mesma e única essência divina.

As três Pessoas da Santísslma Trindade não são «ilhas» isoladas num oceano infinito, mas são esse mesmo oceano infinito, comunicado e recebido numa eterna circulação de ser e de amor.

E nós, seres humanos, quem somos? Bastamo-nos a nós mesmos? Os outros animais sim, explicam-se perfeitamente pela sua biologia, pelos seus genes, pelos seus neurónios. mas nós não, porque temos pousado sobre nós o olhar de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Somos «interlocutores» de Deus, e temos a capacidade de O conhecer e amar.

É esse o nosso «segredo», é esse o sentido da nossa vida, é isso que nos faz 'pessoas', é isso que explica a nossa busca, a nossa inquietação, esse desejo que nunca se sacia plenamente.

E a nossa relação com os outros seres humanos também nos interessa? Sim, porque o verdadeiro amor ou a amizade, o espírito de serviço ou a solidariedade que une os seres humanos, também reflecte a comunhão das três Pessoas divinas.

Que a festa da Santíssima Trindade, que hoje celebramos, nos ajude também a crescer na caridade verdadeira, para que tenhamos a suprema alegria de contemplarmos e adorarmos juntos o Pai, o Filho e o Espírito Santo, na glória do Céu, pelos séculos sem fim. Amen.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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