20 de Setembro de 2009 - Domingo XXV do Tempo Comum

A alegria de servir

No Evangelho de hoje, Jesus anuncia de novo aos seus discípulos, com toda a clareza, a sua futura prisão e morte: "«O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens, e eles vão matá-Lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará»".

Já era a segunda vez que Jesus lhe fazia este anúncio. No entanto, observa S. Marcos, "os discípulos não compreendiam aquelas palavras, e tinham medo de O interrogar".

De onde vinha este medo? O seu medo era talvez falta de coragem para imitar Jesus no dom da vida, ou simplesmente falta de humildade para cada um se pôr ao serviço dos outros.

Também ainda não tinham essa humildade: mal acabaram de ouvir aquelas palavras de Jesus, começaram a discutir uns com os outros, enquanto caminhavam, "sobre qual deles era o maior". Não teriam assunto melhor?

Jesus, porém, que ouviu tudo sem intervir, ao chegar a casa, em Cafarnaum, explicou-lhes com um gesto o que eles não tinham compreendido com palavras: "Tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a, e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome, é a Mim que recebe; e quem Me receber, não Me recebe a Mim, mas àquele que Me enviou»".


Logotipo do Ano Sacerdotal

Terão percebido? Não seria difícil perceber. Uma criança não produz, mão cria riqueza, mas deve ser recebida por si mesma, pelo valor da pessoa que é. Assim também, entre os discípulos, deve prevalecer o amor gratuito, sincero, desinteressado.

Entre os cristãos, quem serve os outros, não o faz com o intuito de obter a glória ou o poder, a sua única recompensa é a alegria de servir. Daí este ensinamento, que precede o gesto simbólico de Jesus: "«Quem quiser ser o primeiro, será o último de todos e o servo de todos»".

Neste Ano Sacerdotal que estamos a viver, é importante para toda a Igreja reconhecer que, entre os que se colocam ao serviço de todos, estão, de um modo muito especial, os sacerdotes.

Este ministério está ao serviço de todos os outros cristãos e de toda a Igreja. As paróquias e outras comunidades precisam da Eucaristia, que os sacerdotes celebram e oferecem in persona Christi, em nome e nas vezes do próprio Jesus Cristo.

Os diversos grupos e movimentos precisam da orientação e da formação que só o sacerdote, que é o elo de unidade entre todos, lhes pode dar.

E todos os cristãos, crianças, jovens ou adultos, precisam de ter um confessor habitual e um director espiritual, para não desistirem de se converter, de lutar e caminhar para Deus.

"A função do sacerdote é essencial e insubstituível para o anúncio da Palavra e a celebração dos Sacramentos, sobretudo da Eucaristia, memorial do Sacrifício supremo de Cristo, que dá o seu Corpo e o seu Sangue", disse recentemente Bento XVI a um grupo de bispos brasileiros.

"Por isso - continuou o Santo Padre - é urgente pedir ao Senhor que envie operários à sua Messe; além disso, é preciso que os sacerdotes manifestem a alegria da fidelidade à sua própria identidade com o entusiasmo da missão".

Ao sacerdote, sobretudo quando tem a missão de pároco, compete ajudar a comunidade a realizar as grandes escolhas que a podem fazer crescer na fé, unir mais na caridade, e tornar mais eficaz a sua missão evangelizadora.

Por vezes há falhas e mesmo divisões graves, como aquelas que descreve S. Tiago, na 2ª leitura. Mas devem sempre ser superadas na verdade e na caridade.

É necessário que as comunidades cristãs sejam oásis de paz e caridade fraterna. É preciso crescer na amizade e na caridade, e não transpor para a Igreja o estilo do mundo, em que normalmente predominam os juízos precipitados, as insinuações e as condenações.

É necessário cultivar o diálogo, para encontrar em cada momento o que serve melhor a missão comum.

É necessário fundamentar na oração e na intimidade com Cristo todo o trabalho que fazemos, desde a catequese das crianças até ao serviço dos mais pobres, para que ele possa ter verdadeira eficácia sobrenatural, a única que desejamos e ambicionamos.

A Igreja é um espaço de caridade e acolhimento, e o primeiro que deseja ser amado, recebido e acolhido é o próprio Jesus Cristo. Mas só quem «recebe uma criança», isto é, quem se esquece de si para servir os outros, é capaz de receber Jesus; e quem recebe Jesus, recebe o Pai, que O enviou.

Se O recebermos, seremos também capazes de O anunciar. O grande impedimento ao anúncio de Cristo não são as diferenças que decorrem da variedade dos dons de Deus, e que enriquecem a comunhão: são as divisões entre os cristãos.

Peçamos ao Espírito Santo que sejam superadas todas as divisões que têm a sua origem na falta de fé ou de amor, para que o nosso anúncio do Evangelho seja eficaz, e o mundo seja iluminado e transformado pela graça de Cristo.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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