15 de Novembro de 2009 - Domingo XXXIII do Tempo Comum

Apressar a vinda do Senhor

Quem está à espera, não deixa morrer o amor. Quem espera alguém que ama, permanece vigilante. Mesmo que durma, o seu coração vigia.

Quando era criança, lembro-me de estar à espera de que o meu pai chegasse do seu trabalho. Como era o último a chegar a casa, estávamos todos à sua espera. E, quando chegava, íamos à porta recebê-lo com grande alegria.


O regresso de Cristo no fim dos tempos, Igreja da Abadia de Conques (França) (1130-1140)

Todos estamos à espera do regresso de Jesus "com grande poder e glória". Nessa altura, todos os eleitos que estiverem na Terra O virão receber, e será um momento incomparável de alegria e de festa.

Até o Universo, na sua grandeza, parecerá pequeno diante da revelação da soberania de Jesus Cristo, e até o sol e as estrelas parecerão brilhar menos ou até escurecer e quase apagar-se diante da infinita grandeza da sua justiça e do seu amor.

Quando será esse dia e essa hora? Jesus responde: "Quanto a esse dia e a essa hora, ninguém os conhece: nem os Anjos do Céu, nem o Filho; sóo Pai".

O facto de não conhecermos esse dia e essa hora, porém, não nos pode tornar insensíveis, mas devemos permanecer vigilantes e expectantes. Esperamos Aquele que amamos!

Mas por que é que esse dia e essa hora ainda não chegaram? Já passaram quase dois mil anos, e, em vez da vinda de Jesus vieram ao mundo tantos males, tantos crimes e pecados!

O que tem faltado para a vinda gloriosa de Jesus é a nossa conversão. Na 2" Carta de S. Pedro, que é bastante mais recente que os Evangelhos, o autor diz aos seus leitores: "O Senhor não tardará em cumprir a sua promessa, como pensam alguns. Mas usa de paciência para convosco e não quer que ninguém pereça" (2 Pedro 3, 9).

Na sua paciência, Deus espera pela nossa conversão. Mas somos nós, por ainda não nos termos convertido plenamente, que atrasamos e até "paralisamos» a manifestação do "Filho do homem" na sua glória.

Mas também já hoje, no tempo da vinda intermédia do Senhor, pela nossa falta de conversão e de santidade, retardamos o conhecimento de Jesus, dificultamos e atrasamos a expansão do seu Evangelho no mundo.

Na 2ª leitura, da Carta aos Hebreus, também se diz que Jesus está à espera. O autor compara Jesus com os sacerdotes do Antigo Testamento, que ofereciam no Templo muitos sacrifícios, que nunca poderiam perdoar os pecados. Jesus Cristo, porém, ofereceu pelos pecados um único sacrifício de valor infinito: a sua própria vida.

Por isso, mereceu ser glorificado, ou, como diz o texto, aludindo ao Salmo 109 (110), "sentou-Se para sempre à direita de Deus, esperando desde então que os seus inimigos sejam postos como escabelo dos seus pés".

Estes inimigos serão certamente, além da morte, todos os poderes hostis ao Reino de Deus, como diz S. Paulo (1 Coríntios 15. 24-26), e sobretudo os pecados dos homens, todo o mal que é feito, e todas as pequenas e grandes omissões do bem que fica por fazer.

Que podemos fazer para melhorar o mundo e o tornar mais aberto à vinda de Deus e do seu Filho? Muitas vezes preocupamo-nos seriamente quando vemos que são aprovadas ou podem vir a ser aprovadas certas leis que atentam gravemente contra a vida ou contra a famma, e muitas pessoas lançam-se corajosamente em iniciativas que visam intervir na sociedade, tentando fazer inflectir numa via maisjusta o previsível rumo das decisões políticas.

Uma outra forma de intervir é a tarefa educativa. Nas famílias, os pais têm de transmitir aos filhos as grandes convicções e as grandes opções que fizeram à luz da sua fé, e dar-lhes critérios seguros para eles próprios discernirem o que é bom, o que deve ser feito, ou deve ser rejeitado.

Em terceiro lugar, precisamos de ter uma grande sintonia e unidade na Igreja, conhecendo, apoiando e divulgando os ensinamentos da Igreja, do Papa e dos Bispos.

Hoje celebramos o Dia dos Seminários, que são comunidades em que se formam e preparam jovens «para enviar às multidões famintas de Deus em cada tempo».

O sacerdócio é o modo que Jesus escolheu para matar a fome do pão da Palavra e da Eucaristia, e a sede do perdão e da reconciliação, em tantos fiéis cristãos, no mundo inteiro e ao longo dos séculos.

Sem sacerdotes, também o imenso mar do mundo se ressentiria tragicamente. E já hoje se ressente, pela diminuição do número de sacerdotes em tantas partes do mundo.

Mas a Igreja pede confiadamente este dom, e pede por aqueles que se preparam para o receber.

Sacerdotes e leigos, todos temos de apressar, por todos os modos, a vinda do Senhor, e não só no dia e na hora finais, mas também já neste tempo intermédio, que Deus quer que seja tempo de conversão, de santidade e de vida harmoniosa,justa e feliz para todos os homens.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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