16 de Maio de 2010 - Domingo VII da Páscoa
ASCENSÃO DO SENHOR

Profunda acção de graças

Em todos nós há neste momento uma enorme alegria e uma profunda acção de graças pela recente estadia do Santo Padre Bento XVI no nosso país, que teve o seu início numa breve visita à Igreja dos Jerónimos, a cuja beleza e grandiosidade foi certamente sensível, e onde se recolheu, diante do Santíssimo Sacramento reservado no Sacrário, num breve momento de oração.


Bento XVI escuta o Coro infantil durante a sua visita à Igreja dos Jerónimos (11.05.2010)

Tive a oportunidade e a grande honra de acompanhar o Santo Padre no decurso da sua passagem por esta Igreja dedicada a Santa Maria de Belém, aonde chegou na companhia de Sua Eminência o Senhor Cardeal Patriarca, D. José da Cruz Policarpo, e tal como muitas outras pessoas ao longo deste dias, pude experimentar directamente a sua cordialidade e afabilidade, a sua delicada atenção, o seu interesse e até o seu envolvente carinho portodos quantos mais de perto nos aproximámos de Sua Santidade.

Para acompanhar e enriquecer o percurso do Santo Padre em direcção à Capela-Mo r dos Jerónimos, foi constituído um coro de 80 crianças, que cantou o belíssimo hino medieval Ave verum Corpus, na famosa versão de Mozart. Este coro de crianças foi preparado e dirigido pela Prof.ª Teresa de Lancastre e acompanhado pelo organista António Esteireiro.

As crianças interpretaram ainda um cântico tradicional da Baviera, que o Santo Padre começou também a cantar baixinho, enquanto caminhava.

Quando descia da Capela-Mor para se dirigir ao Claustro, o Santo Padre recebeu uma prenda que lhe entregou, em nome de toda a Catequese, um grupo de crianças, acompanhadas pela responsável da Catequese, Isabel Múrias: foi-lhe oferecido um quadro com uma reprodução da imagem de Nossa Senhora de Fátima venerada na Igreja dos Jerónimos, com o manto coberto por 780 pequenas rosas, cada uma das quais representava 1121 Avé-Marias, totalizando, portanto, mais de 800 mil Avé-Marias, rezadas pelas crianças da Catequese e de diversos colégios e escolas, pela pessoa e intenções do Santo Padre.

No exterior dos Jerónimos encontrava-se um numeroso grupo de crianças, acompanhadas por uma equipa de catequistas, coordenada pelo casal Ana e Pedro Saltar Cid, as quais, apesar da chuva e do frio que se fizeram sentir, aclamaram com grande entusiasmo o Santo Padre, e puderam vê-lo mais de perto, e receber por três vezes a sua bênção, à sua passagem no final da visita, em direcção ao Palácio de Belém.

Este foi o singelo contributo da nossa Paróquia, breve no tempo mas feito com muito amor, para uma visita de extraordinária intensidade, que teve o seu momento mais alto na Missa do dia 13 de Maio em Fátima, e que, no dia 12, em Lisboa, no Terreiro do Paço, e no dia 14, no Porto, alcançou também uma riqueza espiritual e humana inexcedível e inesquecível.

Aproveito esta ocasião para manifestar a minha satisfação por ter sido possível libertar o transepto dos Jerónimos do estrado em que até há pouco assentava o altar, restituindo assim a todo o corpo da Igreja a sua profundidade e extensão, e devolvendo ao cruzeiro toda a sua amplitude, sem dúvida desejada no séc. XVI pelos seus arquitectos e construtores.

Foi uma mudança feita a tempo, quando ainda não sabíamos que o Papa viria aos Jerónimos, mas que, no passado dia 11, permitiu a Bento XVI, ao levantar-se do genuflexório onde tinha estado ajoelhado (e que foi feito para esta ocasião), voltar-se para trás e ficar visivelmente sensibilizado pela grandeza e beleza do espaço que tinha diante dos seus olhos.

E agora será o tempo para ler e meditar as homilias, discursos e alocuções do Santo Padre, e para aplicar fielmente todos os seus ensinamentos, todos eles luminosos e muitas vezes surpreendentes, para corresponder aos desafios que nos fez, para seguir as pistas que nos deixou, e para continuar a saborear a alegria deste encontro inesquecível.

Saliento ainda brevemente alguns ensinamentos e exemplos que podemos desdejá recolher do modo como o Santo Padre celebrou e nos convidou a celebrar a liturgia da Eucaristia, a Santa Missa.

Em primeiro lugar, a Cruz colocada ao centro do altar, ajuda-nos a viver com os olhos fixos no senhor, voltados para Cristo, na liturgia e em toda a nossa vida.

Quanto à Comunhão, à semelhança dos que a receberam das mãos do Santo Padre, nas três Missas que celebrou, poderá ser recebida de joelhos por aqueles que o desejarem, ou também de pé, pelos que assim o preferirem.

Iremos também procurar introduzir tempos de silêncio após a homilia e após a Comunhão, como igualmente aconteceu nas três celebrações da Missa a que o Santo Padre presidiu. Assim continuará a ressoar em nós o eco da Palavra de Deus e será mais fácil saborear a presença viva de Cristo, realmente presente em nós pela Sagrada Comunhão da Eucaristia.

Quando Jesus «subiu» ao Céu, como hoje celebramos, isto é, quando a sua humanidade entrou definitivamente na glória divina, os discípulos sentiram que Jesus continuava ao seu lado, ainda mais do que antes; que o seu poder abraçava o mundo inteiro; e que o seu amor envolvia todos os homens, de todos os tempos. Não havia motivos para a tristeza, mas sim para uma grande alegria!

Ao subir ao Céus, Jesus enviou-nos "Aquele que foi prometido" pelo Pai, o Espírito Santo, que é a "força do alto", que nos impele e conduz pelos caminhos deste mundo. Que Ele nos inspire sempre no testemunho que damos de Jesus ressuscitado, para que a alegria da fé em Jesus Cristo vivo e glorioso seja uma chama cada vez mais intensa no coração de todos os homens. Amen.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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