10 de Outubro de 2010 - Domingo XXVIII do Tempo Comum

Um ano Eucarístico

À luz do Evangelho de hoje, e seguindo o exemplo daquele leproso, já curado, que voltou atrás para agradecer a Jesus, ao passo que todos os outros seguiram o seu caminho sem uma palavra de gratidão, vamos viver, na Paróquia de Santa Maria de Belém, um Ano Eucarístico, em acção de graças pela visita do Santo Padre o Papa Bento XVI ao nosso país e em especial pela sua presença, no passado dia 11 de Maio, na Igreja dos Jerónimos.

O Ano Eucarístico terá início no próximo dia 16 de Outubro, sábado, e a sua conclusão no dia 16 de Outubro de 2011 que será um domingo.


Bento XVI celebra Missa na Catedral do Preciosíssimo Sangue
de Nosso Senhor Jesus Cristo (City of Westminster) (18.10.2010)

Para além de agradecer a Deus a vinda do Santo Padre Bento XVI, o encanto da sua presença, os preciosos ensinamentos que nos deixou e este seu modo tão especial de ser Papa, o Ano Eucarístico ajudar-nos-á a aprofundar a nossa vivência pessoal e eclesial do mistério da Eucaristia, em especial na celebração da Santa Missa e na Adoração Eucarística fora da Missa.

A Eucaristia "e o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que Ele instituiu para perpetuar o sacrifício da cruz no decorrer dos séculos até ao seu regresso, confiando assim à sua Igreja o memorial da sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, em que se recebe Cristo, a alma se enche de graça e nos é dado o penhor da vida eterna" (Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 271)

O ponto culminante da vida espiritual de cada cristão e de toda a Igreja é, portanto, a celebração da Ceia do Senhor, a Eucaristia, a Oblação, o Sacrifício, a Santa Missa, em cada Domingo, e até em cada dia.

Mas talvez nem sempre avaliemos a grandeza desta acção sagrada, nem a sua importância na vida de cada pessoa, das famílias, dos grupos e de toda a Igreja. Talvez não a agradeçamos suficientemente!

Este Ano Eucarístico será um tempo para aprofundar e saborear o que já vivemos, e também para tomar consciência de outras dimensões e de outras riquezas e graças da Eucaristia, que eventualmente possamos estar a descurar ou a não valorizar devidamente.

As concretizações mais visíveis do Ano Eucarístico serão novos horários de adoração ao Santíssimo Sacramento, que podereis consultar na 2ª página da Folha Paroquial.

O Ano Eucarístico será também para todos um impulso para a missão, um lançamento para novas iniciativas de apostolado pessoal e para novas tarefas de evangelização a que nos queremos dedicar como Igreja de Cristo, enviada peloseu Senhor a toda a humanidade.

Recentemente, com data de 14 de Setembro, o Senhor Cardeal Patriarca escreveu a toda a Diocese uma Carta Pastoral sobre a nova evangelização, que convido todos a ler. (Disponível em: http://www.patriarcado-lisboa.pt/destaque/Carta_Pastoral_Nova_Evangelizacao_2010.pdf).

E ainda há bem poucos dias, na passada 5ª feira, Bento XVI dirigiu a um congresso de jornalistas católicos, uma mensagem de um impressionante realismo e também de uma grande coragem. A actual crise de fé, afirmou Bento XVI, impõe à Igreja um "desafio comunicativo" muito "empenhativo".

Quanto a essa "crise de fé", disse o Papa: "Os cristãos não podem ignorar a crise de fé que chegou à sociedade. Ou simplesmente confiar em que o património dos valores transmitido ao longo dos séculos passados possa continuar a inspirar e a moldar ofuturo da famma humana".

Multas pessoas vivem «como se Deus não existisse». Mas, "a ideia de viver «como se Deus não existisse», é muito nociva para o ser humano", salientou o Santo Padre. Em vez disso, o mundo, "mesmo que não tenha a força de acreditar", precisaria de viver na aceitação de que Deus possa existir; caso contrário, "produz apenas um «humanismo desumano» ", concluiu Bento XVI.

Assim está o nosso mundo: bastante desumano. Porque despreza Deus e também porque despreza os ensinamentos e as tomadas de posição da Igreja, sobretudo as que se referem à vida humana, desde a concepção à morte natural.

As sociedades que desprezam a ética, que fragilizam a família, que desvalorizam o casamento, que legalizam o aborto e que promovem uma alegada educação sexual que corrompe as crianças e os jovens, estão gravemente doentes, parecem mesmo feridas de morte.

Os sintomas são geralmente económicos ou financeiros, mas as causas são muito mais profundas.

Os governantes, sobretudo nas questões morais mais decisivas, e e também nas questões de ética social, deviam ouvir a Igreja, tomar a sério as suas propostas e ensinamentos.

Mas então onde fica a famosa «separação» entre a Igreja e o Estado?

Respondeu também Bento XVI, no mesmo dia, mas numa outra audiência, ao receber o embaixador do Chile:

"Se bem que o Estado e a Igreja sejam independentes e autónomos, cada um no seu próprio campo, ambos estão chamados a desenvolver uma colaboração leal e respeitosa para servir a vocação pessoal e social das pessoas", explicou Bento XVI no discurso dirigido ao diplomata chileno.

"No cumprimento de sua missão específica de anunciar a Boa Nova de Jesus Cristo, a Igreja busca responder às expectativas e aos questionamentos dos homens, apoiando-se também nos valores e princípios éticos e antropológicos que estão inscritos na natureza do ser humano", acrescentou.

"Quando a Igreja levanta a sua voz frente aos grandes desafios e problemas actuais, como as guerras, a fome, a pobreza extrema de tantos, a defesa da vida humana desde sua concepção até seu ocaso natural, ou a promoção da famnia fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher e primeira responsável pela educação dos filhos, não actua por um interesse particular ou por princípios que só podem perceber os que professam uma determinada fé religiosa."

"Respeitando as regras da convivência democrática, ela o faz pelo bem de toda a sociedade e em nome de valores que qualquer pessoa pode compartilhar com sua recta razão", concluiu o Santo Padre.

Que cada um, partindo da intimidade da sua oração e da sua adoração, saiba intervir à sua volta e tomar iniciativas, para que, mesmo os que ainda não têm a força de crer, aceitem viver segundo a verdade e a sabedoria de Deus, que a todos ama, e a nenhum desiste de atrair e de chamar.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

 

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