6 de Março de 2011 - Domingo IX do Tempo Comum antes da Quaresma

Fundada sobre a rocha

À luz do Evangelho percebemos que a decisão mais importante que podemos tomar em toda a nossa vida é procurar conhecer e fazer sempre a vontade de Deus.

Fazer a vontade de Deus pode parecer difícil, mas no fundo é muito simples: é fazer o que Deus quer - o que Lhe agrada, o que realiza o seu projecto; e não querer o que Deus não quer, o que O ofende, o que frustra, impossibilita, desvia ou dificulta o cumprimento do seu plano salvador.

A vontade de Deus reflecte-se infalivelmente nos seus mandamentos, sobretudo nos Dez Mandamentos do Decálogo.


Miguel Ângelo, Cúpula da Basílica de S. Pedro (1564)

Existem variantes no texto dos Dez Mandamentos, duas versões complementares, e até uma versão catequética, que é a que usamos na Igreja Católica, mas, na sua essência, são preceitos que não mudarão nunca, e serão um guia seguro para não errar gravemente e conseguir aquele mínimo de justiça e rectidão indispensável para agradar a Deus.

Ninguém pode ter a pretensão de "entrar no Reino do Céus" desprezando os mandamentos, que mais não são do que a expressão da Lei natural inscrita e gravada no coração e na consciência de todos os homens, embora muitas vezes essa «gravação» quase se tenha apagado, como acontece em certos discos ou suportes electrónicos de má qualidade ou muito mal tratados.

Mas também pode haver situações e que, para além dos grandes preceitos, precisamos de orientações mais concretas, normas específicas para agir bem e não pecar. Mas também aqui não há nenhuma dificuldade insuperável, antes de mais porque a nossa consciência bem formada consegue distinguir o bem do mal, e sobretudo porque a Santa Igreja, nossa Mãe, é fiel porta-voz da vontade divina.

Se alguém não sabe bem ou tem dúvidas sobre qual é a vontade de Deus numa determinada escolha de vida, numa precisa matéria «ética», pergunte à sua Mãe, a Igreja, e esta, através do seu Magistério, sobretudo do Papa, saberá ensinar claramente qual é o bem que é preciso fazer e o mal que é preciso evitar, para sermos melhores e também para ajudarmos os outro a serem melhores e mais felizes.

E para vermos como é decisivo, íntegro e completo este ensinamento da Igreja, bastará percorrer o índice do Catecismo da Igreja Católica, na parte relativa aos mandamentos, sobretudo do 4° ao 10° Mandamento:

- 4° Mandamento: A família no plano de Deus / A família e a sociedade / Deveres dos membros da família/ A família e o Reino / As autoridades na sociedade civil.
- 5° Mandamento:O respeito pela vida humana / O respeito pela dignidade das pessoas / A salvaguarda da paz.
- 6° Mandamento: «Homem e mulher os criou»... / A vocação à castidade / O amor dos esposos / As ofensas à dignidade do matrimónio.
- 7° Mandamento: O destino universal e a propriedade privada dos bens / O respeito pelas pessoas e seus bens/ A doutrina social da Igreja/ A actividade económica e a justiça social/ Justiça e solidariedade entre as nações / O amor dos pobres.
- 8° Mandamento: Viver na verdade / «Dar testemunho da verdade» / As ofensas à verdade / O respeito pela verdade / O uso dos meios de comunicação social/Verdade, beleza e arte sacra.
- 9° Mandamento: A purificação do coração / O combate pela pureza.
-10° Mandamento: A desordem das cobiças/ Os desejos do Espírito / A pobreza de coração / «Quero ver a Deus».

Sugiro a todos a leitura e o estudo destes parágrafos (§ 2196-§ 2557) do Catecismo da Igreja Católica durante a Quaresma que vai começar!

A Igreja é Mãe e Mestra (ver § 2030), a Igreja é Educadora carinhosa e firme dos seus filhos, porque quer o seu bem, porque quer a sua salvação eterna.

Muita gente vive hoje completamente à deriva, calcando aos pés os mandamentos de Deus. O Servo de Deus João Paulo II, durante a «Oracão de dedicacão e de consagracão a Nossa Senhora de Fátima», em 13 de Maio de 1982, apresentou, entre outros, este pedido: "Da facilidade em calcar aos pés os mandamentos de Deus, livrai-nos'"

Trinta anos depois, quase poderíamos pensar que este pedido não foi ouvido, mas o que aconteceu foi que nós, cristãos, sobretudo os que temos especiais responsabilidades de ensinar, ficámos calados, não revelámos o segredo da vida recta e feliz.

Ou então não difundimos suficientemente os claros ensinamentos da Igreja, a começar pelo próprio Catecismo da Igreja Católica.

Os ensinamentos e posições da Igreja são muitas vezes criticados, mas o resultado da sua negação está à vista: mais corrupção, mais infidelidade, mais dependências, envelhecimento e desertificação das nossas sociedades, e uma tristeza de fundo que não é resultado da crise mas existe antes dela e para além dela.

Então o que é preciso é fundar a nossa casa "sobre a rocha". A rocha é a Palavra de Deus, o Evangelho, o ensinamento de Jesus Cristo, que é filialmente aplicado e concretizado pelo Magistério da Igreja em face das novas questões que a vida suscita.

Da própria Igreja de Cristo se pode dizer com toda a verdade que está fundada sobre a rocha, e por isso subsiste por entre os temporais da história, procurando cumprir fielmente a sua missão.

Procuremos ser bons filhos da Igreja, acolher, cumprir, divulgar e defender os seus ensinamentos, porque são garantia segura de uma vida mais feliz nesta breve passagem que é esta vida, e que se destina a levar-nos com segurança até ao pórtico do Reino dos Céus e da felicidade plena e eterna.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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