12 de Junho de 2011 - Domingo de Pentecostes

Senhor que dá a vida

Hoje celebramos o envio do Espírito Santo aos Apóstolos. Cinquenta dias depois da Páscoa, na manhã de Pentecostes, o Espírito santo veio como um vento impetuoso e um fogo ardente. "...Viram então aparecer uma espécie de línguas de fogo, que se iam dividindo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo".

Quem é o Espírito Santo? E qual é o efeito em nós da sua vinda? O Espírito Santo é o amor em Deus. No entanto, não é um simples sentimento, é um amor infinito e pessoal: assim como em Deus o seu Verbo - a sua Palavra íntima - é uma Segunda Pessoa, que é o Filho, assim também o amor em Deus é o Espírito Santo, que é uma nova Pessoa divina, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade.

Por ser o amor em Deus, o Espírito Santo está presente em toda a criação. O Espírito Santo é o princípio da criação de todas as coisas, é o abraço de Deus que sustenta no ser todas as coisas. A própria palavra «espírito», tanto em grego como em hebraico, além de "vento", significa também "respiração", "sopro vital". O Espírito Santo sustenta a nossa vida, e dá­nos a vida de Deus.

No Credo da Missa, quando professamos a nossa fé, dizemos: Et in Spíritum Sanctum, Dóminum et vivificántem, "Creio no Espírito Santo, Senhor, que dá a vida". É importante dizer que o Espírito Santo é "Senhor". Significa que não é uma criatura, muito menos uma simples força, mas Deus, como o Pai e o Filho. E quanto a dar a vida. S. Tomás explica: "O Espírito Santo une a Deus por amor, porque Ele próprio é o amor de Deus. E, por isso, vivifica" (Comentário ao Símbolo dos Apóstolos).


Istvan Dorffmaister, Pentecostes (1782).
Fonte: http://www.newliturgicalmovement.org

Mas é sobretudo quando a vida na terra tem de ser renovada, quando os corações dos homens têm de ser convertidos e renovados por dentro, para amarem a Deus e se amarem de verdade uns aos outros, é aí principalmente que invocamos o Espírito Santo e pedimos a sua vinda. É o que hoje fazemos no Salmo da Missa, quando cantamos: "Mandai, Senhor, o vosso Espírito, e renovai a terra". Hoje pedimos ao Espírito Santo esta grande renovação de toda a humanidade, esta mudança profunda da face da terra, esta urgente conversão e santificação de todos os homens, a começar por cada um de nós, que só acontecerá no conhecimento e no amor de Jesus ressuscitado.

Por ser o amor em Deus, o Espírito Santo obtém-nos o perdão dos nossos pecados. O Espírito Santo, amor em Deus, oferece continuamente aos homens o perdão e a misericórdia de Deus. Por isso, Jesus ressuscitado disse aos seus discípulos, como hoje ouvimos no Evangelho: "Recebei o Espírito Santo: àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados".

É essa actuação silenciosa do Espírito Santo, no sacramento do perdão, é esse vento suave de amor que purifica os corações, que todos nós precisamos de procurar e acolher cada vez mais. Antes do grande entusiasmo das línguas de fogo e do vento impetuoso que impele a Igreja para o mundo, temos de ser corações purificados pelo Espírito Santo, para depois trabalharmos com entusiasmo e eficácia, na Igreja e no mundo. A eficácia da missão visível da Igreja depende desta actuação invisível mas poderosa do Espírito Santo em nós, sempre que recebemos, através do ministério da Igreja, por meio do sacerdote, o perdão e a paz.

Um outro aspecto da actuação do Espírito Santo, amor em Deus, consiste em que a diversidade dos dons dons que recebemos. não nos divide nem nos separa, mas aproxima-nos e une-nos na comunhão de um só Corpo, que é a Igreja de Cristo. S. Paulo dizia, na 2ª leitura: "Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo. (...) Em cada um se manifestam os dons do Espírito para o bem comum".

Na Igreja, há uma grande variedade de dons, de experiências e situações, mas, como dizia ainda S. Paulo, "todos fomos baptizados num só Espírito, para constituirmos um só Corpo. E a todos nos foi dado a beber um único Espírito". Somos muitos, mas o Espírito Santo faz de nós um só Corpo.

Na unidade da Igreja, os dons que cada um recebe, contribuem para o benefício de todos. Todos damos, e todos recebemos.

Que ninguém se separe desta unidade, desta comunhão. Separados da comunhão da Igreja, seríamos pobres, frágeis, indefesos. Seríamos como náufragos. sem ter sequer uma tábua de salvação. Separados da Igreja não teríamos Jesus vivo, nem a água pura ou o fogo ardente do seu Espírito.

O Espírito Santo actua de um modo subtil, mas forte; de um modo vigoroso mas íntimo. Que Ele nos faça crescer na intimidade de Deus e no serviço generoso e disponível para assumirmos, como os Apóstolos, a missão do Evangelho.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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