18 de Setembro de 2011 - Domingo XXV do Tempo Comum

Trabalhadores da Vinha do Senhor

O Evangelho de hoje é um convite a agradecermos a Deus não termos ficado inactivos nem desocupados no Reino de Deus, isto é, na sua Igreja. Embora haja alguns católicos que se apresentam como «não­praticantes», o que é uma contradição e uma incoerência, a verdade é que, pelo baptismo, todos fomos chamados, qualquer que tenha sido a hora em que o fomos, para construirmos o seu Reino na Terra.

E para todos, se formos fiéis, e mesmo para os que tenham chegado mais tarde, Deus tem preparado o prémio da vida eterna, que ultrapassa tudo o que alguma vez poderíamos merecer só pelo nosso esforço.

Mas já neste mundo é uma honra e uma graça preciosa trabalhar na "Vinha do Senhor", na sua Igreja. Todos nos lembramos de que, quando foi eleito, o Papa Bento XVI mencionou com simplicidade, na sua primeira alocução, que os Cardeais o tinham escolhido a ele, "um humilde trabalhador da Vinha do Senhor" .


Jerome Nadal, A parábola dos trabalhadores da vinha (1593) (porm.)

Muitos cristãos, além do trabalho profissional, que procuram santificar, e da sua vida de família, têm possibilidade de colaborar nos apostolados da Igreja, quer nas paróquias, quer noutras realidades eclesiais, assumindo as mais diversas funções e responsabilidades. Se não fosse este trabalho de incontáveis cristãos leigos e também de muitas religiosas, a Igreja não conseguiria cumprir a sua missão.

Mas o interessante é que o Santo Padre não se limitou a agradecer: pediu-lhes mais. E não foi só mais trabalho que lhes pediu, até porque a JMJ já ia terminar. O que lhes pediu, foi mais disponibilidade para escutar Jesus, mais abertura para acolher um chamamento de dedicação ao seu serviço ou de consagração, se Deus lho quisesse fazer. Vale a pena ler as palavras de Bento XVI:

"Agora, ao voltardes para a vossa vida de todos os dias, animo-vos a guardardes no vosso coração esta experiência feliz e a crescerdes cada vez mais na entrega de vós mesmos a Deus e aos homens. É possível que, em tantos de vós, se tenha levantado, débil ou poderosamente, esta pergunta muito simples: Que quer Deus de mim? Qual é o desígnio de Deus para a minha vida? Não poderia eu gastar a minha vida inteira na missão de anunciar ao mundo a grandeza do seu amor através do sacerdócio, da vida consagrada ou do matrimónio? Se vos veio esta inquietação, deixai-vos conduzir pelo Senhor e oferecei-vos como voluntários ao serviço d'Aquele que «não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por todos» (Marcos lO, 45). E a vossa vida alcançará uma plenitude que nem suspeitais".

Compreendendo que alguns pudessem ficar surpreendidos com estas palavras, Bento XVI acrescentou logo depois: "Talvez alguém esteja a pensar: O Papa veio para nos agradecer, e deixa-nos com um pedido! Sim, é mesmo assim! Esta é a missão do Papa. Sucessor de Pedro. Não esqueçais que Pedro. na sua primeira carta. recorda aos cristãos o preço com que foram resgatados: o do sangue de Cristo (cf. 1 Pedro 1. 18­19). Quem avalia a sua vida a partir desta perspectiva sabe que ao amor de Cristo só se pode responder com amor; e é isto mesmo que vos pede o Papa agora na despedida: que respondais com amor a Quem por amor Se entregou por vós".

Aplicando a todos este «desafio» do Santo Padre, que é um verdadeiro farol, ou, como alguém disse, a nossa «estrela polar» no meio da escuridão, poderíamos concluir que todos devemos estar preparados para que Deus nos peça mais. Quem sentir aquela inquietação de que falava o Papa, não a sufoque, deixe que Jesus lhe mostre o que lhe quer pedir, e responda com alegria.

Deixemos também que Deus nos peça mais no trabalho que já fazemos ao serviço da Igreja. e em particular na paróquia, desde a catequese ao acolhimento ou à liturgia, e também na partilha de bens proporcionada pelos ofertórios das Missas ou por outras contribuições regulares, e que, apesar da crise, tem de continuar a ser uma partilha generosa.

S. Paulo, na 2ª leitura, dá-nos um exemplo muito belo e até emocionante desta perfeita disponibilidade. O que lhe interessa é que, quer viva, quer morra, Jesus Cristo seja glorificado na sua pessoa. Que também seja este o nosso desejo. a nossa única preocupação: agradar a Deus em todas as coisas e poder dizer sempre. com toda a verdade, como fazermos no Pai Nosso: "Seja feita a vossa vontade".

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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