9 de Outubro de 2011 - Domingo XXVIII do Tempo Comum

Não deixar vazio o nosso lugar

Jesus contou um dia aos seus discípulos esta parábola, que fala de um rei, que "mandou os servos chamar os convidados para as bodas, mas eles não quiseram vir". Depois, voltou a insistir, "mas eles, sem fazerem caso, foram um para o seu campo e outro para o seu negócio; os outros apoderaram-se dos servos, trataram-nos mal, e mataram-nos".

Esta atitude deixou o rei muito triste, e também nós ofendemos a Deus, quando desprezamos os seus convites, quando não lhe abrimos a porta do nosso coração. Há pessoas que vivem ocupadas nos seus trabalhos, nos seus pensamentos ou nos seus divertimentos, e não respondem com amor ao amor que Deus lhe tem. Não rezam, não procuram estar com Jesus na Eucaristia, não se arrependem dos seus pecados, não pedem ajuda nas dificuldades, fazem da religião uma simples tradição. Deus convida-os, insiste muitas vezes, mas continuam indiferentes.


Jerónimo Nadal (Ed.), A parábola dos convidados para as bodas (1593) (porm.)

E todos nós podemos cair neste erro! Podemos pensar que vivemos muito bem sem Deus, que já temos preocupações que cheguem, Deus bem pode esperar. Uma vez, há uns anos, perguntei a um rapaz, com 15 ou 16 anos, se não gostaria de vir para um grupo de catequese, com outros jovens da mesma idade, para conhecer melhor Jesus e a fé. E ele respondeu que não, nem pensar, porque num dia tinha um treino, no outro dia tinha um jogo, e no dia seguinte uma aula ou outra coisa qualquer. Também nós podemos arranjar desculpas para não amar mais Jesus. Os anos passam, a chama da fé vai diminuindo, o amor arrefecendo, e vamos ficando cada vez mais longe Dele.

E que é que perdemos? Perdemos o mais importante, perdemos tudo. Sem Deus, tudo o que temos, não vale nada. Por isso, na parábola do Evangelho, aquele cidade é destruída, como símbolo de que a vida sem Deus, sem o amor de Jesus, é estranha, é triste, é pobre, não tem sentido, não vale nada.

Hoje, queremos responder a Jesus com toda a sinceridade: «Senhor, eu aceito o Teu convite, quero estar contigo, sinto-me tão feliz quando estoujunto de Ti, sentado à tua mesa, a ouvir-Te falar, a conversar contigo! A tua Palavra enche-me de luz, o teu Corpo e Sangue, que recebo na Comunhão, enchem-me de força e alegria».

E todos nós, graças a Deus, podemos dizer que aceitámos o convite de Jesus, e já estamos com Ele, na sua Igreja. Mas também não basta estar fisicamente, não se pode estar com Jesus de qualquer maneira.

Precisamos de trazer vestido "«o traje nupcial»", isto é, um coração cheio de amor e contrição. Não podemos estar com Jesus e continuar a ofendê-lo com os nossos pecados. Além disso, não podemos ser frios com Jesus, nem desconfiados, mas simples, disponíveis e livres para tudo o que Jesus nos pedir.

S. Paulo, na 2ª leitura, dizia que aceitava tudo o que fosse preciso para servir Jesus e os cristãos. Se fosse necessário passar fome, não se queixava. E quando tinha o alimento necessário, agradecia a Deus com simplicidade. Ele próprio dizia: "Sei viver na pobreza, e sei viver na abundância". Tudo posso n'Aquele que me conforta".

Às vezes Jesus pode-nos pedir um pequeno esforço, que parece que nos custa, mas no fundo não custa nada, e deixa-nos felizes: alterar os planos do fim-de-semana para não faltar à Missa de domingo, levantar-se um pouco mais cedo para fazer oração, renunciar a umas horas de descanso para dar catequese ou visitar um doente.

Às vezes, Deus pede-nos mais, como por exemplo dedicar toda a sua vida ao seu serviço, mas também isso não é nenhum 'sacrifício', é uma oferta livre e alegre, como a de S. Paulo.

Este ano estamos a pedir aos pais das crianças da catequese que se comprometam a sério para que os seus filhos venham à Missa todos os domingos. Vir à Missa é um dever das crianças, (como de cada um de nós), mas, mais que um dever, é um direito!

As crianças, por serem baptizadas, e por estarem num caminho de formação, que é a catequese, têm o direito de participar na Missa dominical, e não há nada nem ninguém que lhes possa retirar esse direito, nem mesmo o desinteresse ou o comodismo dos adultos.

Hoje, queremos pedir também a Jesus Cristo, por intercessão de sua Mãe, Santa Maria, que nunca deixemos vazio o nosso lugar, à volta da sua mesa.

E também pedimos que ninguém venha forçado, ou de má vontade, mas com a enorme alegria e honra sublime de poder conhecer e amar Jesus, para um dia podermos estar com Ele, e com o Pai e o Espírito Santo, no banquete do Céu, por toda a eternidade.

Com a sincera amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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