12 de Fevereiro de 2012 - Domingo VI do Tempo Comum

Tocados pelas mãos de Jesus

O Evangelho de hoje fala-nos de um leproso, que veio ter com Jesus cheio de fé e confiança. "Prostrou-se de joelhos, e suplicou-Lhe: «Se quiseres, podes curar-me»". E "Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse: «Quero, fica limpo». No mesmo instante o deixou a lepra, e ele ficou limpo".

Também nós, por vezes, somos este leproso que precisa de ser curado por Jesus.

E também hoje Jesus continua a querer curar-nos e limpar-nos.

Um dos modos como o faz é através do sacramento da Confissão ou Reconciliação.

Na Exortação Apostólica O Sacramento da Caridade, Bento XVI sublinhou que "o amor à Eucaristia leva a apreciar cada vez mais também o sacramento da Reconciliação (...)".

Escreve o Santo Padre: "Verificamos - é verdade - que no nosso tempo, os fiéis se encontram imersos numa cultura que tende a apagar o sentido do pecado, favorecendo um estado de espírito superficial que leva a esquecer a necessidade de estar na graça de Deus para se aproximar dignamente da comunhão sacramental".


Jerónimo Nadal, A cura do leproso

Mas, na verdade, é necessário estar na graça de Deus para poder comungar! A graça de Deus perde-se pelo pecado grave, mas recupera-se pela confissão e absolvição sacramental.

No próprio rito da Santa Missa, há elementos que, sem dar propriamente a absolvição, "explicitam a consciência do próprio pecado e, simultaneamente, da misericórdia de Deus". O Papa lembra a oração «Confesso a Deus todo-poderoso» (Confiteor) ou as palavras proferidas pelo sacerdote e pela assembleia pouco antes de comungarem: «Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo».

"Significativamente a liturgia prevê, para o sacerdote, algumas orações muito belas, recebidas da tradição, que lhe recordam a necessidade de ser perdoado, como, por exemplo, a oração feita em silêncio antes de convidar os fiéis para a comunhão sacramental: «... por este vosso santíssimo Corpo e Sangue, livrai-me de todos os meus pecados e de todo o mal; conservai-me sempre fiel aos vossos mandamentos e não permitais que eu me separe de Vós».

"Além disso, a relação entre a Eucaristia e a Reconciliação recorda-nos que o pecado nunca é uma realidade exclusivamente individual, mas inclui sempre também uma ferida no seio da comunhão eclesial, na qual nos encontramos inseridos pelo Baptismo.

"Por isso, como diziam os Padres da Igreja, a Reconciliação é um baptismo laborioso (laboriosus quidam baptismus), sublinhando assim que o resultado do caminho de conversão é também o restabelecimento da plena comunhão eclesial, que se exprime no abeirar-se novamente da Eucaristia".

E como ontem, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, foi o Dia Mundial dos Doentes, lembremos ainda o que o Santo Padre escreve a propósito do sacramento da Santa Unção ou Unção dos Enfermos:

"Jesus não Se limitou a enviar os seus discípulos a curar os doentes (Mateus 10, 8; Lucas 9, 2; 10,9), mas instituiu para eles também um sacramento específico: a Unção dos Enfermos. A Carta de S. Tiago testemunha a presença deste gesto sacramental já na primitiva comunidade cristã (5,14-16).

Se a Eucaristia mostra como os sofrimentos e a morte de Cristo foram transformados em amor, a Unção dos Enfermos, por seu lado, associa o doente à oferta que Cristo fez de Si mesmo pela salvação de todos, de tal modo que possa também ele, no mistério da comunhão dos santos, participar na redenção do mundo.

A relação entre ambos os sacramentos aparece ainda mais clara quando se agrava a doença: "Àqueles que vão deixar, esta vida, a Igreja oferece-lhes, além da Unção dos Enfermos, a Eucaristia como viático» (Catecismo da Igreja Católica, n.1524). Nesta passagem para o Pai, a comunhão no Corpo e Sangue de Cristo aparece como semente de vida eterna e força de ressurreição: «Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e Eu o ressuscitarei no último dia» (João 6,54).

"Uma vez que o sagrado Viático desvenda ao doente a plenitude do mistério pascal, é preciso assegurar a sua administração. A atenção e o cuidado pastoral por aqueles que se encontram doentes redunda, seguramente, em benefício espiritual de toda a comunidade, sabendo que tudo o que fizermos ao mais pequenino, ao próprio Jesus o faremos (Mateus 25, 40)".

Jesus tocou o leproso e curou-o. Também nós desejamos que o nosso amor e caridade sejam como o de Jesus: sem limites, sem fronteiras, universal e ao mesmo tempo muito particular, concreto, eficaz, que não fique no vago, mas «toque» cada um e ajude cada um a descobrir até que extremoJesus nos ama.

Mas também nós próprios já fomos tocados, como o leproso do Evangelho, pelas mãos de Jesus, e o que pedimos é que todos possam fazer também hoje esta experiência, e do contacto das suas "santas e adoráveis mãos", que acontece nos sacramentos da fé, possam receber em cada momento a vida, a força e o perdão, a alegria e a paz.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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