29 de Abril de 2012 - IV Domingo de Páscoa

Para que os cuidados do Bom Pastor cheguem a todos

O Quarto Domingo da Páscoa é o domingo do BOM PASTOR. Segundo as palavras de Jesus, há pastores bons e maus. Os maus pensam mais em si do que nas ovelhas e, quando surge o perigo, fogem, e abandonam as ovelhas. Ao contrário dos maus pastores, que deixam que as ovelhas sejam atacadas e devoradas pelos lobos, Jesus "dá a vida pelas suas ovelhas". Por isso, Jesus pode dizer de Si mesmo com toda a verdade: "«Eu sou o Bom Pastor»".

Jesus é o Pastor óptimo, admirável, sumamente bom, digno de ser amado e seguido, com todo o afecto, com a máxima dedicação, por cada um de nós, qualquer que seja a nossa condição de vida, idade ou vocação.


As ovelhas de Jesus, porém, não ficaram dispersas, quase perdidas, quando Jesus morreu? Sim, e Jesus também O previu, como se lê no Evangelho de S. Marcos, citando uma passagem do profeta Zacarias: "Ferirei o pastor, e dispersar-se-ão as ovelhas" (Zacarias 13, 7). De repente, parecia que tinham ficado sem pastor, sem esperança, sem sentido, sem rumo para a vida.

No entanto, depois da ressurreição de Jesus, recuperaram a sua unidade, a sua força e a sua alegria. E hoje, na Igreja, que é o redil do Bom Pastor, já não andamos à deriva, sabemos para onde vamos, e sentimo-nos fortes e unidos, porque o Bom Pastor deu a sua vida por nós.

No Evangelho de hoje, Jesus explica também que a vida não Lhe foi arrancada contra a sua própria vontade, a morte não Lhe foi imposta: "«Dou a minha vida, pa ra poder retomá-la. Ninguém ma tira, sou Eu que a dou espontaneamente»". E Jesus revela também que irá ressuscitar pelo seu poder: "«Tenho o poder de a dar e de a retomar: foi este o mandamento que recebi de meu Pai»". Enquanto homem, é o Pai que ressuscita Jesus. Mas, enquanto Deus, Jesus ressuscita pelo seu próprio poder divino.

Este poder divino de Jesus ressuscitado existe na Igreja, e é exercido de modo particular pelo ministério apostólico e sacerdotal. Vemos esse poder em acção, especialmente quando se celebra a Santa Missa e se consagra o pão e o vinho no Corpo e no Sangue do Senhor, ou quando alguém é absolvido dos seus pecados. S. Pedro, depois de ter curado um coxo de nascença (Actos 3, 1-11), diz àqueles que o questionavam sobre esse facto: "«Ficai sabendo, todos vós e todo o povo de Israel: É em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, que vós crucificastes e Deus ressuscitou dos mortos, é por Ele que este homem se encontra perfeitamente curado na vossa presença»".

O poder de Jesus exerce-se para nos devolver a esperança, a alegria e a paz. Que ninguém se esquive do poder de Jesus, que ninguém tenha medo do poder de Jesus, que não se impõe pela força, mas pelo amor, que não nos escraviza, mas liberta, e nos torna filhos de Deus, como diz S. João, na 2ª leitura de hoje.

Mas Jesus revela ainda que há entre nós e Ele uma relação de grande intimidade, semelhante àquela que existe entre o próprio Jesus e o Pai: "«Conheço as minhas ovelhas, e as minhas ovelhas conhecem-Me, do mesmo modo que o Pai Me conhece, e Eu conheço o Pai»". Esta relação de conhecimento e intimidade é o fundamento do sacrifício que Jesus oferece em favor das suas ovelhas. Jesus não morre por obrigação, morre por amor. É porque nos conhece intimamente e ama profundamente, que dá a vida por nós.

É importante que, na nossa vida cristã, todos possamos experimentar a intimidade de Jesus. Podemos experimentá-la, certamente, na nossa oração, que é sempre pessoal e íntima, mas também é preciso que façamos esta experiência nos diversos cuidados pastorais que necessitamos de receber, ao longo da nossa caminhada neste mundo.

E é por isso que, além de muitos outros serviços na Igreja, é importante que haja sacerdotes totalmente dedicados ao serviço do Evangelho, para que os cuidados do Bom Pastor cheguem a todos, e todos possam ser conhecidos, ouvidos e atendidos, de acordo com as suas necessidades de formação na fé e de santificação.

Os sacerdotes são necessários para escutar e servir cada fiel cristão. São necessários sacerdotes para ouvir as crianças, para dialogar com os jovens, para acompanhare confirmar os casais, para assistir e confortar os doentes e os idosos.

Um sacerdote meu amigo colocou numa rede social o cartaz que aparece na 1ª página, divulgado por uma paróquia no Brasil.

Um dos comentários que recebeu por parte de um jovem já licenciado foi este: "Isso implica uma grande reflexão na nossa vida!" Pois que este jovem e outros como ele não tenham medo de fazer essa reflexão!

Além disso, que aceitemos todos o convite que a Igreja nos faz, de pedir a Deus este dom e esta vocação.

E que aqueles que o recebem, o aceitem com alegria, entregando-se ao serviço do Bom Pastor e daqueles por quem Ele ofereceu a sua vida por amor.

Com a amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Arquivo