13 de Maio de 2012 - VI Domingo de Páscoa

Viver e amar a nossa fé

Jesus disse aos seus apóstolos durante a última Ceia: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas chamei-vos amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos dei a conhecer" (João 15,15).

Estas palavras de Jesus Cristo são um convite ao encontro confiante: "vos autem dixí amicos, chamei­vos amigos". Mas delas retiramos também o desejo de conhecermos melhor tudo o que Jesus nos transmitiu, para vivermos um amor maior.

O pior inimigo da fé não é a ciência, ou qualquer expressão do pensamento humano, se for elaborado segundo a razão e a verdade. O pior inimigo da fé é o desconhecimento, a ignorância, o «analfabetismo religioso».

Foi o próprio Santo Padre Bento XVI, na homilia da Santa Missa Crismal da passada Quinta-Feira Santa, que chamou a atenção para este facto, (e até com uma certa ironia), dizendo que estamos diante de "um analfabetismo religioso que cresce no meio desta nossa sociedade tão inteligente..."

Para o vencer, temos que ser nós os primeiros a querer conhecer o que Jesus nos disse e ensinou. Porque ninguém ama o que não conhece. Ninguém ama a Deus, ninguém ama Jesus Cristo, se O não conhece. E, se não O conhece, não só não O ama, mas facilmente até o despreza, ou pelo menos relativiza, ignora, instalando-se na indiferença, da qual é muito difícil libertar-se.


Ferdinand Stuflesser, Imagem de Nossa Senhora de Fátima

Precisamos de conhecer melhor e mais intimamente Jesus Cristo, que é o supremo revelador de Deus, sendo Ele próprio Deus e homem como nós.

Precisamos de conhecer melhor os conteúdos da fé, que muitas vezes são hoje completamente desconhecidos, como alertou Bento XVI: "Os elementos fundamentais da fé, que no passado toda e qualquer criança sabia, são cada vez menos conhecidos. Mas, para se poder viver e amar a nossa fé, para se poder amar a Deus e, consequentemente, tornar-se capaz de O ouvir correctamente, devemos saber aquilo que Deus nos disse; a nossa razão e o nosso coração devem ser tocados pela sua palavra". E continuou: "O Ano da Fé, a comemoração da abertura do Concílio Vaticano II há 50 anos, deve ser uma ocasião para anunciarmos a mensagem da fé com novo zelo e nova alegria".

Bento XVI citou, na mesma ocasião, algumas das fontes mais actualizadas e fidedignas onde podemos beber o conhecimento dessa mensagem:

"Esta mensagem, na sua forma fundamental e primária, encontramo-la naturalmente na Sagrada Escritura, que não leremos nem meditaremos jamais suficientemente. Nisto, porém, todos sentimos necessidade de um auxílio para a transmitir rectamente no presente, de modo que toque verdadeiramente o nosso coração. Este auxílio encontramo-lo, em primeiro lugar, na palavra da Igreja docente: os textos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica são os instrumentos essenciais que nos indicam, de maneira autêntica, aquilo que a Igreja acredita a partir da Palavra de Deus".

Quando esteve em Fátima, em 2010, o Santo Padrejá tinha deixado este alerta: "No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. João 13,1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Queridos irmãos e irmãs, (...), não tenhais medo de falar de Deus e de ostentar sem vergonha os sinais da fé, fazendo resplandecer aos olhos dos vossos contemporâneos a luz de Cristo" (Discurso na bênção das velas e recitação do Rosário, Esplanada do Santuário de Fátima, 12 de Maio de 2010).

Seria muito bom termos na nossa Paróquia um grupo de estudo da fé, que se reunisse uma vez por semana, para ajudar a conhecer melhor a riqueza da doutrina e da fé católica.

Quem estiver interessado, diga-me, por favor! O Catecismo da Igreja Católica será sempre um bom guia, mas poderemos também estudar os Padres da Igreja, os teólogos dos séculos seguintes e os grandes Concílios, desde Niceia até ao Vaticano II, passando pelo Concílio de Trento e pelo Vaticano I.

Fazendo nossas, de novo, as palavras de Bento XVI em Fátima, "é impressionante observar como três crianças se renderam à força interior que as invadiu nas aparições do Anjo e da Mãe do Céu".

Tal como aconteceu com eles, também "a graça invade o nosso coração, no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida, de modo a poder proclamar com São Paulo: «Para mim viver é Cristo» (Filipenses 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo".

Que a Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe querida interceda por nós junto de seu Filho, para que se vença o abismo da ignorância e do desconhecimento de Deus, e nós mesmos nos deixemos iluminar e transformar por tudo o que Jesus ouviu do Pai e que, pelo seu infinito amor, nos deu a conhecer.

Com a amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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