22 de Julho de 2012 - XVI Domingo do Tempo Comum

O descanso dos discípulos

O Evangelho de hoje revela duas facetas complementares e ambas admiráveis da humanidade de Jesus. Em primeiro lugar, o seu particular carinho pelos Apóstolos. S. Marcos relata-nos que os Apóstolos voltaram para junto de Jesus, e contaram-Lhe tudo o que tinham feito e ensinado". Estavam a chegar da sua primeira missão, e podemos ter a certeza de que Jesus os ouviu com toda a atenção, com um grande carinho e com muita alegria.

Jesus interessou-Se por tudo o que Lhe disseram, por cada pormenor, pelo relato das coisas que correram bem, e também das dificuldades que encontraram.

E devemos pensar que o mesmo se passa connosco. Todos precisamos, diariamente, de alguns tempos de oração, para termos esta suprema alegria e consolação de ouvir Jesus e de sermos ouvidos por Ele. A oração é necessária para falarmos a Jesus da nossa vida, e também dos pedidos que Ele próprio nos faz, e das missões que nos confia.


Jerôme Nadal (ed.), Os discípulos descansam por ordem de Cristo (1593)

Mas acima de tudo precisamos de fazer mais oração, para aprofundar e aumentar a nossa intimidade com a Santíssima Trindade, o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

Além de outros momentos ao longo do dia e ao longo da semana, seria bom termos sempre alguns instantes de oração antes do início da Missa, para tomarmos consciência do admirável mistério que vamos celebrar. É bom chegar uns momentos mais cedo, e recolhermo-nos numa breve oração, em que recordamos, em diálogo com Deus, os pedidos e acções de graças que desejamos apresentar no altar da Eucaristia. E a própria Missa deveria ter sempre alguns momentos de silêncio, para deixarmos ecoar em nós a Palavra divina, para confirmarmos os nossos pedidos e para exprimirmos a nossa acção de graças, sobretudo depois da Comunhão sacramental.

A nossa oração não deve ser fechada, mas deve estar aberta às grandes necessidades da Igreja e do mundo. S. Paulo diz, na Epístola aos Efésios: "Cristo é a nossa paz. Foi Ele que fez de judeus e gregos um só povo, e derrubou o muro de inimizade que os separava". "Por Ele - diz ainda S. Paulo - uns e outros podemos aproximar-nos do Pai, num só Espírito".

Na nossa oração, pedimos confiadamente que se estabeleça a justiça e a paz entre todos os homens. Pedimos também que todos possam conhecer Jesus Cristo e se sintam chamados à Igreja. E pedimos por todos os que sofrem, pelas vítimas das guerras e do terrorismo, pelos cristãos perseguidos, pelos refugiados e exilados, e também pelas vítimas dos incêndios e de outras calamidades naturais, pelos que combatem os incêndios ou prestam socorro nessas situações de emergência, pelos que perderam as suas casas ou outros bens nesses desastres naturais, pelos que sentem mais que nunca nesses momentos a sua pobreza e a sua fragilidade humana.

Jesus, depois de ouvir os Apóstolos, convidou-os a irem com Ele para um local mais tranquilo, para continuarem a conversar e eles poderem finalmente descansar um pouco. "Partiram então, de barco, para um local isolado, sem mais ninguém. Mas, ao chegar à outra margem, já lá havia uma grande multidão, e portanto os planos de Jesus não se puderam realizar imediatamente, mas Jesus "compadeceu-Se de toda aquela gente, porque eram como ovelhas sem pastor" .

O Evangelho acrescenta que, naquele momento tão especial, Jesus "começou a ensinar-lhes muitas coisas". Deve-lhes ter dito que Deus é um Pai cheio de misericórdia, que tem um grande amor por todos, e que de todos espera conversão, arrependimento, fé e amor.

Que a Virgem Maria, Mãe do Bom Pastor, que é Mãe carinhosa dos filhos de Deus, interceda por nós, para que todos descubramos na compaixão de Jesus, a força e a luz de que necessitamos para cumprirmos a missão que nos confiou, e continuarmos a caminhar, começando de novo em cada dia, em direcção à casa do Pai.

Com a amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Arquivo