7 de Outubro de 2012 - XXVII Domingo do Tempo Comum

A batalha mais importante

1. Depois de lermos o Evangelho de hoje, apetece-nos dizer: Como é bom Jesus! Começando pelo fim, impressiona-nos o seu carinho pelas crianças, que se aproximaram de Jesus "para que Ele lhes tocasse", isto é, para que as abençoasse. As crianças deviam gostar muito de Jesus, e por isso naquele dia, como deve ter acontecido em muitos outros, vieram todas a correr para junto d'Ele. No entanto, os discípulos acharam que Jesus não devia querer ser incomodado, e por isso, "repreendiam os que as apresentavam", possivelmente os pais. Mas Jesus, "ao ver isto, indignou-Se, e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as criancinhas, não as estorveis, dos que são como elas é o reino de Deus»".

Os pais que amam os seus filhos, continuam a querer levá-los a Jesus, logo que nascem pedem para eles o Baptismo, e mais tarde levam-nos à Catequese. Pais que amam seus filhos, fazem com que eles encontrem em Deus, por meio da catequese familiar e comunitária, a verdadeira realização e felicidade que só Ele tem para oferecer.


2. Na parte central do Evangelho de hoje, vemos nele claramente o grande amor que Jesus tem também pelos esposos, homem e mulher, unidos um ao outro para a vida inteira. Já a primeira leitura, do livro do Génesis, ensina que a mulher e o homem têm a mesma dignidade. Deus quis que o homem e a mulher tivessem inteligência, liberdade e vontade, que lhes permite darem-se totalmente um ao outro, com todo o seu ser, para sempre. Esta doação é muito bela e abençoada, mas, ao longo da vida, o casal está sujeito a muitas provas, dificuldades e perigos, e é preciso saber como vencê-los.

Jesus Cristo, Filho de Deus, para se dar a todos, não se casou, não viveu no matrimónio, mas ama muito os casais, e pede-lhes que nunca se esqueçam de que não foram só os dois que se uniram, foi Deus que os uniu. E por isso, diz-lhes com grande clareza: "Não separe o homem o que Deus uniu".

Será que o ambiente de hoje ajuda os jovens, rapazes e raparigas, a caminhar para o casamento, preparando-os para o viver como esta doação plena e feliz, para a vida inteira? Toda a gente sabe que não. O ambiente dominante favorece o egoísmo, e facilita todo o tipo de experiências que quase sempre acabam depressa e mal, deixam tristeza e desilusão, e roubam a muitos a esperança e a confiança.

João Paulo II disse um dia aos jovens norte-americanos: "Não escuteis aqueles que vos dizem que a castidade pertence ao passado. Nos vossos corações, sabeis que o verdadeiro amor constitui um dom de Deus e que respeita o seu plano para a união do homem e da mulher no matrimónio" (St. Louis, 26 de Janeiro de 1999).

Os pais devem saber ajudar os filhos a preparar-se para o casamento com a consciência desse dom. Continua a fazer todo o sentido o que escreveu o Papa Pio XII, nos anos 50 do séc. XX: "O pudor irá sugerir aos pais e educadores os termos apropriados para formar, na castidade, a consciência dos jovens (Encíclica Sacra Virginitas, de 25 de Março de 1954, n. 57).

Mais recentemente, Bento XVI disse aos jovens em S. Paulo, no Brasil: "O matrimónio é uma instituição de direito natural, que foi elevado por Cristo à dignidade de Sacramento; é um grande dom que Deus fez à humanidade. Respeitai-o, venerai-o. Ao mesmo tempo, Deus chama-vos a respeitar-vos também no namoro e no noivado, pois a vida conjugal que, por disposição divina, está destinada aos casados, é somente fonte de felicidade e de paz na medida em que souberdes fazer da castidade, dentro e fora do matrimónio, um baluarte das vossas esperanças futuras" (Estádio Municipal do Pacaembu, São Paulo, 10 de Maio de 2007)

3. Alguém escreveu recentemente: "Não existe batalha mais importante no nosso tempo que a defesa do casamento. (...). Como é que a civilização pode sobreviver ao minar de um pilar tão importante da vida humana? Quando as fundações cedem, cede a casa toda. É por isso que esta batalha exige recursos espirituais especiais".

Estas palavras foram escritas por uma cidadã americana e grande lutadora, Kristina Johannes, que é enfermeira e instrutora de métodos naturais de planeamento familiar. Foi porta-voz da Alaska Family Coalition, que conseguiu a aprovação da emenda constitucional de protecção do casamento naquele Estado.

Num texto que publicou em The Catholic Thing, que é um fórum de opinião católica inteligente, esta mulher batalhadora recorda que, "em tempos de turbulência para a Igreja, Leão XIII escreveu uma encíclica sobre São José, Quamquam Pluries, na qual propôs que juntássemos à devoção a Nossa Senhora a devoção a São José. Para melhor implementar esta prática, o Papa incluiu uma oração que devia ser recitada no fim do terço durante o mês de Outubro. Ele esperava que esta devoção se tornasse anual. Passados quase 125 anos, talvez devêssemos torná-la diária".

4. Estamos em Outubro, mês do Rosário, e neste domingo, dia 7, a Igreja celebra a festa de Nossa Senhora do Rosário. Hoje, que a família está em grande crise, é fundamental recuperar esta devoção para a salvação da família, pela sua unidade e pela perseverança na fidelidade dos esposos. Nossa Senhora prometeu muitas graças àqueles que a honram rezando o Rosário.

(Para ajudar a oração do Terço em família, podem ser encontradas pistas (em inglês) para os pais e as mães (especialmente para os pais) neste blog:
http://cantuar.blogspot.com/2010/09/12-tips-for-praying-family-rosary-daily.html)

Neste mês de Outubro seria bom que cada família pudesse encontrar o tempo para recuperar esta maravilhosa devoção, rezando todos os dias um terça parte do Rosário, isto é, um Terço, composto por 5 mistérios, cada um dos quais com um Pai Nosso e 10 Ave Marias.

S. Luís de Monfort apresenta-nos 8 razões para rezar o Rosário (o Terço) (ver aqui). Estamos convencidos? Espero que sim, e que também acreditemos que "o Rosário em família é a ferramenta mais poderosa que os pais têm para edificar a sua família em graça".

Com a amizade em Cristo
do Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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