6 de Outubro de 2013 - Domingo XXVII do Tempo Comum

Aumenta a nossa fé

1. É muito bonito e para nós emocionante este pedido que os Apóstolos fizeram a Jesus: "Aumenta a nossa fé". Os Apóstolos queriam estar cada vez mais fascinados por Jesus, confiar n'Ele cada vez mais, segui-Lo sem reservas. E pedem a Jesus esta graça: a graça de uma fé cada vez maior e mais profunda. E o mesmo pedido fazemos nós hoje: Senhor, "aumenta a nossa fé"; que ela seja tão grande, como se Te estivéssemos a ver, aqui mesmo, diante de nós: que nunca haja em nós dúvidas ou hesitações, fraquezas ou abandonos, mas sim um seguimento pleno, renovado em cada dia.

Na fé há uma harmonia admirável entre o divino e o humano. Sim, a fé é verdadeiramente um acto humano, quer dizer, é um acto nosso, põe em jogo todo o nosso ser, e é uma atitude totalmente de acordo com a dignidade do homem. Algumas pessoas julgam que se rebaixam, quando acreditam em Deus, mas, se pensarem bem, perceberão que, pelo contrário, é uma honra sublime para a liberdade e para a inteligência do homem "confiar em Deus e aderir às verdades por Ele reveladas" (Catecismo da Igreja Católica, n. 154). Não existe honra maior do que acreditar em Deus, nem maior alegria e maior felicidade do que contemplá-Lo eternamente no Céu!


 

Mas Deus está tão acima do homem, e as verdades que Deus nos revela são tão elevadas, e ultrapassam muitas vezes a nossa capacidade de compreensão... Como é que 'conseguimos' ter fé? Não é um desafio demasiado exigente para as nossas capacidades? Estas perguntas têm sentido, têm razão de ser. Na verdade, por nós próprios não seríamos capazes de acreditar, entregues a nós mesmos seríamos sempre' ateus ou agnósticos, porque, como ensina a Igreja, "o acta de fé só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo" (Catecismo da Igreja Católica, n. 154).

Mas então, como é que a fé acontece em nós, como é que nós, simples seres humanos, temos fé em Deus? Para que todos e cada um de nós sejamos capazes de dizer: «Eu creio", precisamos que a graça de Deus nos ajude. Precisamos dos auxílios interiores do Espírito Santo, que move o nosso coração, converte-o para Deus, e ao mesmo tempo abre os olhos do nosso entendimento, dando-nos essa suavidade, essa facilidade em aceitar e aderir à verdade (cf. Dei Verbum. n. 5).

2. Quando o Espírito Santo nos toca, é tão fácil acreditar! S. Tomás de Aquino explica muito bem este dinamismo da fé, dizendo que "crer é um acta da inteligência, que presta o seu assentimento à verdade divina, por determinação da vontade, movida pela graça de Deus". Ou seja, a graça de Deus converte-nos, passamos a querer o que Deus quer, a amar o que Deus ama, e então a nossa inteligência eleva-se acima de si própria, e adere ao mistério de Deus, que nos ultrapassa infinitamente, mas que desde então passa a encher de luz e fascínio todo o nosso ser. Pela fé, olhamos para Jesus Cristo, e reconhecemos o fascínio da sua Pessoa, a verdade das suas palavras, o poder dos seus milagres e a força da sua morte e ressurreição.

Aonde nos leva a fé? Depois do pedido que os Apóstolos Lhe fizeram, Jesus disse-lhes: "«Se tivésseis fé comparável a um grão de mostarda, diríeis a essa amoreira: 'arranca-te e vai plantar-te no mar', e ela havia de obedecer-vos»". Que significa isto, na prática, para cada um de nós?

Em segundo lugar, a fé leva-nos a ter uma enorme ambição de levar Jesus aos que não O conhecem ainda ou se esqueceram d'Ele. Pela fé, dói-nos a indiferença ou a falta de entusiasmo de tantas pessoas e até, quem sabe, de alguns dos nossos amigos ou familiares, e anima-nos o desejo de fazertodo o possível para que também estes se encontram com Jesus. Esse é um dos muitos serviços que nos dispomos a prestar ao Senhor, como toda a alegria e naturalidade. Estamos dispostos a executar todo e qualquer serviço por Deus. E consideramo-nos, como dizia Jesus, "servos inúteis": Deus é que nos faz o grande favor de nos admitir a servi-Lo, e este é o primeiro dever de uma criatura relativamente ao seu Criador.

3. Na 2ª leitura, S. Paulo, que está na prisão, desafia Timóteo a continuar a anunciar Jesus, sem ter medo de nada: «Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor, nem te envergonhes de mim, seu prisioneiro. Mas sofre comigo pelo Evangelho, confiando no poder de Deus». E já antes tinha dito: «Deus não nos deu um espírito de timidez, mas de fortaleza, de caridade e moderação». É preciso que também o nosso testemunho não seja tímido, mas corajoso, e saiba aproveitar todas as oportunidades para ajudar os outros a aproximar-se de Deus.

Finalmente, a fé leva-nos a querer conhecer e a entender cada vez melhor toda a riqueza das verdades reveladas por Deus, a que damos o nome de «mistérios da fé». «A fé procura compreender», escreveu Santo Anselmo.

Por isso, «é inerente à fé o desejo do crente de conhecer melhor Aquele em quem acreditou, e de compreender melhor o que Ele revelou» (Catecismo da Igreja Católica, n. 158). De uma forma brilhante, Santo Agostinho dizia: «Creio para compreender, e compreendo para acreditar»

4. A nossa fé precisa de ser formada, precisa de ser esclarecida, precisa de ser cada vez mais aprofundada: pela escuta da Palavra, pela leitura, pelo estudo, pela oração, pela direcção espiritual. Devia ser possível a cada cristão conhecer cada vez melhor as riquezas da fé. S. Paulo dizia ainda a Timóteo: «Guarda a boa doutrina, que nos foi confiada, com o auxílio do Espírito Santo, que habita em nós». Precisamos de guardar a fé como um tesouro precioso. Mas a melhor maneira de a guardar é desejar transmiti-La aos outros. Peçamos ao Espírito Santo, por intercessão da Virgem Santa Maria, que aumente em nós esse desejo, para que a nossa fé seja cada vez mais plena e profunda, e um dia possa dar lugar à contemplação da Santíssima Trindade, na luz e na glória do Céu.

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