22 de Dezembro de 2013 - IV Domingo do Advento

Celebrar melhor o Natal

Que é preciso para celebrarmos melhor o Natal?

Mais prendas, mais sobremesas para a ceia de Natal?

Não, não é bem isso...

Provavelmente, algumas crianças terão prendas a mais, e outras, nenhumas. Que pelo menos as primeiras saibam partilhar um brinquedo novo e bonito com as que têm menos ou até nada, e o dêem com alegria.


M. Alderman, Verbum caro factum est (2009)

Quanto às nossas ceias ou almoços de Natal, todos gostamos que as mesas da Noite ou do Dia de Natal sejam mesas de festa, mas será bom que, pelo menos no dia 24, até ao jantar, ainda não haja festa, e até haja algumas renúncias, algum «jejum» durante o dia, para não banalizar a festa que acontece nessa noite e no dia seguinte. Sabiamente, a Igreja recomendava que a vigília do Natal fosse de jejum e abstinência. Hoje isso não está prescrito, mas, se o fizermos por opção livre, a alegria do Natal ainda nos irá saber melhor!

Para além de tudo isto, que não se deve descurar, o que é mesmo preciso, é o que disse há dias o Santo Padre Francisco, que concentrou em três atitudes o essencial para preparar o Natal: "a perseverança na oração, rezar mais; ser mais concretos na caridade fraterna, aproximar-se mais daqueles que precisam; e ter a alegria de louvar o Senhor".

Igualmente muito necessário é o que S. João Baptista dizia a todos, citando o profeta Isaías, como se lê numa passagem do Evangelho de S. Lucas, que era a leitura tradicional do 4° Domingo do Advento: "Preparai os caminhos do Senhor, e endireitai as suas veredas: que todos os vales subam, e que todos os montes e colinas se abaixem; que os maus caminhos se tornem direitos, e que os escarpados se aplanem: e todo o homem verá a salvação de Deus. (Lucas 3, 4­6).

O que significa que não basta desejar «Bom Natal» para que o seja. É preciso endireitar os caminhos, para que Jesus venha, para que Jesus nasça, e não seja impedido pelos nossos pecados. não seja pa rado pelas nossas faltas. O Sacra mento da Confissão é um instrumento de Deus para podermos esperar Jesus sem impedimentos, para poderemos receber espiritual e sacramentalmente Jesus, que quer nascer em nós neste Natal.

Ainda um olhar para S. José, de quem fala o Evangelho de S. Mateus. "O procedimento de S. José - diz S. Jerónimo - é um testemunho em favor de Maria. Conhecedor da castidade da esposa, admira o que se passa, e esconde sob o véu do silêncio o acontecimento cujo mistério ele próprio não atinge. Merece com razão o título de justo". É então que um anjo lhe anuncia o grande mistério da Encarnação. Maria dará à luz um Filho que é fruto do Espírito Santo. Poderíamos dizer que S. José adoptou Jesus como filho, mas talvez seja ainda mais verdade dizer que foi Jesus quem adoptou S. José como pai (Suarez).

E agora, pensando nas famílias, desejo que este Natal as torne mais unidas, e sobretudo que torne os casais mais unidos, sem nada que os possa levar à divisão ou à desconfiança.

E gostaria mesmo de convidar os casais com filhos ainda crianças ou adolescentes a encontrar­se num espaço de encontro a que poderíamos chamar Famílias de Belém, para dialogar, para reflectir, para partilhar, para encontrar caminhos que ajudem a melhorar a vida da família. Quem achar boa a ideia, fale-me ou escreva.me para o email da Paróquia. Claro que os casais com filhos mais crescidos - jovens ou jovens adultos - também se poderão encontrar num outro grupo. Se houver interessados, contactem-me, ou enviem-me um email.

No princípio da Missa, cantámos com fé: "Rorate coeli dasuper, et nubes pluant lustum: aperiatur terra, et germinet Salvatorem" - "Derramai, ó Céus, o vosso orvalho, e que as nuvens chovam o Justo; que se abra a terra, e brote o Salvador". E na antífona da comunhão contemplamos a mensagem de Isaías 7, 14: "Ecce vírgo concipiet, et parlet filium: et vocabítur nomen eius Emmanuel" - "Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho: e o seu nome será Emanuel" .

Que a Virgem Maria, que trouxe ao mundo o Salvador como a boa terra irrigada pela água do Espírito Santo, nos ajude a receber o orvalho do Céu, a graça divina que suavemente embebe todo o nosso ser, para que também em nós nasça e permaneça Jesus no próximo Natal.

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