19 de Janeiro de 2014 - II Domingo do Tempo Comum

«Eis o Cordeiro de Deus»

1. Um dia, sem o esperar, João Baptista "viu Jesus, que vinha ao seu encontro". E imediatamente captou o mistério de Jesus.

A maior parte das pessoas com que nos encontramos no dia-a­dia, são desconhecidas para nós. nunca saberemos o que sentem ou o que pensam. E mesmo naquelas que conhecemos um pouco melhor, há sempre algo do seu «mistério» que não captamos. E às vezes há preconceitos ou juízos infundados que não os deixam conhecer os outros verdadeiramente.


Ecce Agnus Dei, ecce qui tollit peccata mundi

Mas com João Baptista as coisas não se passaram assim: o seu olhar em relação a Jesus foi um olhar iluminado por Deus, que lhe permitiu ir mais além das aparências e conhecer quem era, na verdade, Jesus. Naquele momento, iluminado pelo Espírito Santo, João Baptista vê Jesus, e não fica indiferente nem perplexo, mas imediatamente reconhece que Ele é o Servo de Deus, que Isaías tinha anunciado, como hoje ouvimos na 1ª leitura.

E reconhece ainda que Jesus é Aquele que vem oferecer a sua vida pelos outros, como um cordeiro oferecido em sacrifício. Por isso, diz: "«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo»". Note-se que "pecado" está no singular, como ainda hoje dizemos na liturgia da Missa: «Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós», englobando nesta expressão todos os pecados com todas as suas implicações.

2. Jesus é Aquele que Se oferece para «tirar» o pecado do mundo. Por isso morreu na cruz. Mas será que valeu a pena o seu sacrifício tão doloroso? Continuam a existir tantos males, tantos pecados! Não terá Jesus sido esmagado pelo próprio mal do qual nos quis libertar? Não terá sido derrotado pelos pecados que qUis vencer?

Não, Jesus é o Cordeiro vencedor. Venceu pelo amor com que Se ofereceu. Na sua dolorosa Paixão, o Cordeiro imolado venceu o pecado e a morte pelo amor com queSe entregou por nós.

E nós também não temos outro meio de vencer, senão oferecendo a nossa vida, à imagem de Cristo e em sintonia com a sua entrega e os seus sentimentos.

3. Quando o Cordeiro Se entrega, ou está disposto a entregar-Se, o Pai compraz-Se no seu sacrifício feito por amor. Por isso João Baptista vê o Espírito Santo descer sobre Jesus "como uma pomba". Através desta imagem da pomba, o que o texto nos ensina é que Espírito Santo «desce» sobre a humanidade de Jesus, manifestando-lhe o infinito amor e complacência do Pai pela sua disposição de oferecer a vida por nós.>

E é ainda João Baptista, que, dando voz à fé e à sincera emoção de todos os cristãos, não hesita em confessar: " «Eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus» ".

Aqui estão duas dimensões essenciais da vida cristã: primeiro, para aqueles que viram, ver e testemunhar; e depois, para aqueles que não viram, mas crêem, crer e confessar. Não basta crer no segredo do coração, também há que confessar publicamente a nossa fé. Mas é evidente que não basta confessar, primeiro é preciso crer!

E, além disso, é preciso viver, viver como cristãos! Ouvimos hoje o início da carta que S. Paulo escreveu "à Igreja de Deus que está em Corinto", onde ele próprio tinha estado quase dois anos, entre o Outono do ano 50 e a Primavera do ano 52.

S. Paulo conhecia muito bem os cristãos de Corinto, sabia que eram pessoas normais, com muitas imperfeições, e até com muitos pecados. Mas, no endereço da carta, não hesitou em escrever: "Aos que foram santificados em Cristo Jesus, chamados à santidade".

Terá sido um exagero, uma figura de estilo? Não, porque é esta a nossa condição, é esta a nossa vocação, como cristãos. Fomos "santificados" e somos "chamados à santidade" por Aquele que ofereceu a sua vida por nós.

O facto de sermos chamados à santidade não significa que já sejamos perfeitos. Muitas vezes experimentamos a nossa imperfeição, mas isso não nos dá o direito de esquecer este chamamento que recebemos.

4. Mas, quando sentimos a nossa imperfeição, que devemos fazer? Desistir? Não, começar de novo. Em nós, cristãos, nunca morre a esperança de melhorar, de aumentar a fé, de reaprender a amar. Mesmo que alguém já se tenha esforçado mutas vezes, sem o conseguir, nunca se deve dar por derrotado: em cada dia e até e cada momento recomeçamos de novo com a simplicidade de crianças e a persistência de atletas.

Também Deus nunca desiste de nos amar. O sacrifício de Cristo, oferecido uma vez por todos, permanece eternamente válido diante de Deus. O Cordeiro que hoje está de pé, diante de Deus, isto é, ressuscitado, mas com as marcas de que foi imolado (Apocalipse 5, 6), é fonte de eterna adoração e de plena segurança para aqueles por quem deu a vida.

É n'Ele que pomos toda a nossa esperança, n'Ele nos apoiamos para recomeçar a caminhar e até a lutar, com esperança e alegria, todos os dias.

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