9 de Março de 2014 - I Domingo da Quaresma

Aliviar as misérias dos irmãos

Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza (cf. 2 Coríntios 8,9)

Da mensagem do Papa Francisco para a Quaresma, e que estará disponível na integra (juntamente com a mensagem do Senhor Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente), no próximo domingo, destaco em particular os pontos seguintes:


Jesus é assistido pelos anjos após as tentações

À imitação do nosso Mestre, nós, cristãos, somos chamados a ver as misérias dos irmãos, a tocá-las, a ocupar-nos delas e a trabalhar concretamente para as aliviar. A miséria não coincide com a pobreza; a miséria é a pobreza sem confiança, sem solidariedade, sem esperança. Podemos distinguir três tipos de miséria: a miséria material, a miséria moral e a miséria espiritual. A miséria material é a que habitualmente designamos por pobreza e atinge todos aqueles que vivem numa condição indigna da pessoa humana: privados dos direitos fundamentais e dos bens de primeira necessidade como o alimento, a água, as condições higiénicas, o trabalho, a possibilidade de progresso e de crescimento cultural. Perante esta miséria, a Igreja oferece o seu serviço, a sua diaconia, para ir ao encontro das necessidades e curar estas chagas que deturpam o rosto da humanidade.

Não menos preocupante é a miséria moral, que consiste em tornar-se escravo do vício e do pecado. Quantas famílias vivem na angústia, porque algum dos seus membros - frequentemente jovem - se deixou subjugar pelo álcool, pela droga, pelo jogo, pela pornografia!

Quantas pessoas perderam o sentido da vida; sem perspectivas de futuro, perderam a esperança! E quantas pessoas se vêem constrangidas a tal miséria por condições sociais injustas, por falta de trabalho que as priva da dignidade de poderem trazer o pão para casa, por falta de igualdade nos direitos à educação e à saúde.

Depois, o Santo Padre fala da "miséria espiritual, que nos atinge quando nos afastamos de Deus e recusamos o seu amor. Se julgamos não ter necessidade de Deus, que em Cristo nos dá a mão, porque nos consideramos auto-suficientes, vamos a caminho da falência. O único que verdadeiramente salva e liberta é Deus".

E esclarece qual o remédio que pode curar esta forma de miséria:

O Evangelho é o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual: o cristão é chamado a levar a todos os ambientes o anúncio libertador de que existe o perdão do mal cometido, de que Deus é maior que o nosso pecado e nos ama gratuitamente e sempre, e de que estamos feitos para a comunhão e a vida eterna. O Senhor convida-nos a sermos jubilosos anunciadores desta mensagem de misericórdia e esperança. É bom experimentar a alegria de difundir esta boa nova, partilhar o tesouro que nos foi confiado para consolar os corações dilacerados e dar esperança a tantos irmãos e irmãs imersos na escuridão. Trata-se de seguir e imitar Jesus, que foi ao encontro dos pobres e dos pecadores como o pastor à procura da ovelha perdida, e fê-lo cheio de amor. Unidos a Ele, podemos corajosamente abrir novas vias de evangelização e promoção humana.

E exorta a todos:

Queridas irmãos e irmãs, possa este tempo de Quaresma encontrar a Igreja inteira pronta e solícita para testemunhar. a quantos vivem na miséria material, moral e espiritual, a mensagem evangélica, que se resume no anúncio do amor do Pai misericordioso, pronto a abraçar em Cristo toda a pessoa. E poderemos fazê-lo na medida em que estivermos configurados com Cristo, que Se fez pobre e nos enriqueceu com a sua pobreza. A Quaresma é um tempo propício para o despojamento; e far-nos-á bem questionar-nos acerca do que nos podemos privar a fim de ajudar e enriquecer a outros com a nossa pobreza. Não esqueçamos que a verdadeira pobreza dói: não seria válido um despojamento sem esta dimensão penitencial. Desconfio da esmola que não custa nem dói".

O que pode impedir de encontrar no Evangelho "o verdadeiro antídoto contra a miséria espiritual", e também de retirar dele uma luz para combater e vencer todas as outras formas de pobreza. (além do pecado, que é o pior dos males) é, nos dias de hoje, uma desconfiança que existe em muitas pessoas relativamente ao próprio Evangelho de Cristo, ou aos Evangelhos enquanto documentos, que alguns acusam de terem sido falseados pela Igreja.

Não há qualquer fundamento nesta acusação. Mas, saberemos argumentar de modo convincente com os que nos fazem esta acusação?

Saberemos provar que os Evangelhos são textos dignos de fé?

Essa convicção é vital, para que mais pessoas se abram a mensagem e à graça do Evangelho, e nele encontrem o remédio - o "antídoto" - contra a pobreza espiritual e moral.

Proponho e convido a todos a estudar seriamente este assunto.

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