6 de Abril de 2014 - V Domingo da Quaresma

Para a glória de Deus

1. Tal como Lázaro, todas as pessoas morrem um dia. É impossível evitar a morte física. Nos últimos anos tem aumentado a esperança de vida, e seria bom que todos pudessem ter uma vida longa na terra, mas haverá sempre um dia em que o nosso tempo termina e a vida terrena chega ao fim. Para nós, seres humanos, a morte é uma consequência do pecado original.

Mas há uma morte que podemos evitar: a morte espiritual, a morte da alma. Por isso Jesus diz a Santa Marta, irmã de Lázaro: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim, nunca morrerá" (João 11,25-26).

A fé em Jesus não nos deixa morrer espiritualmente. E, mesmo que tenhamos de morrer fisicamente, o que é inevitável, conservaremos a vida da alma, que nos permitirá viver em Deus para sempre, depois desta vida.


Ressurreição de Lázaro
Igreja de Santo Apolinário-o Novo - Ravenna

Mas, se não tivermos fé, se não praticarmos o que Jesus nos diz, podemos também morrer espiritualmente, podemos perder a vida da graça, a vida de Deus na nossa alma, e ficarmos separados de Deus para sempre, o que seria o pior dos males. Lázaro, encerrado no túmulo, sendo um santo, simboliza também, como diz Santo Agostinho, o homem pecador, fechado a Deus, em risco de ficar eternamente separado de Deus.

E Jesus, ao ressuscitar Lázaro, ao chamar de novo Lázaro a esta vida, anuncia o seu poder e o seu desejo de nos ressuscitar espiritualmente, de nos devolver, pelo seu perdão, a vida da alma, a vida da graça, se a tivermos perdido, para não estarmos mais separados de Deus, e em perigo de ficarmos separados de Deus para sempre.

Que devemos então fazer?

2. Primeiro que tudo, como já aconteceu com todos nós, receber pelo Baptismo a vida divina, uma vez que, quando nascemos, estamos privados da graça, como consequência do pecado original. Pelo Baptismo, diz o Catecismo da Igreja Católica, "a Santíssima Trindade confere ao baptizado a graça santificante, a graça da justificação" (n. 1266). O Beato Bartolomeu dos Mártires escreve no seu Catecismo: "Quando nos metem naquela sagrada água, nela se afogam e morrem os nossos pecados, porquanto somos feitos participantes da morte de Cristo".

Depois, procurar nunca perder a graça baptismal, nunca morrer espiritualmente. E para isso, procurar antes de mais nunca desobedecer à «lei natural», gravada na consciência de todos os homens, e que nos diz: "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti". Se não quero que me batam, por que sou agressivo? Se não quero que me enganem, por que minto?

Ao mesmo tempo, procurar nunca desobedecer à lei divina expressamente revelada por Deus a Moisés e consignada nos Dez Mandamentos. O próprio Jesus a lembrou, sinteticamente, ao jovem rico: "Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 19, 18-19).

E, como cristãos que somos, procurar nunca desobedecer à Lei Nova do Evangelho, em que Jesus nos diz: "Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei" (João 15, 12).

Se alguém se deixa vencer pelo egoísmo ou pelos seus instintos, e, em vez de amar, abusa, engana, explora, despreza, mata, etc., e não se arrepende, está, como Lázaro, encerrado no túmulo, com uma pedra a fechar a entrada. Quem poderá retirar essa pedra, quem nos poderá ressuscitar?

Só Jesus, que Se emociona e chora diante do homem vencido pela morte, mas, pelo seu poder o chama de novo à vida. Todos precisamos de ser ressuscitados espiritualmente, para um dia sermos ressuscitados corporalmente e gloriosamente.

3. Deixemos que Jesus nos ressuscite pelo seu perdão: primeiro, através da água do Baptismo, que nos purifica e regenera, num momento único e irrepetívei, mas depois pela absolvição sacramental, que nos é dada através do sacerdote, tantas vezes quantas forem necessárias, para nos permitir caminhar numa vida nova.

Mas, se recebermos esta vida nova pela misericórdia de Deus, procuremos não a perder, mas fazê-la crescer e aumentar em nós, para que à vida da graça que temos neste mundo, que é preciosa, mas frágil, suceda a vida bem­aventurada, plenamente feliz.

Que também em nós, tal como em Lázaro, a nossa fragilidade e enfermidade não seja definitivamente mortal, mas, como diz Jesus, seja "para a gtória de Deus, para que por ela seja glorificado o Filho de Deus" (João 11, 4).

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo