4 de Maio de 2014 - Domingo III da Páscoa

O pão de cada dia

Quando nascemos, precisamos logo de ser alimentados, e, a partir desse primeiro alimento que terá sido, para quase todos os seres humanos, o leite materno, (e por isso, desde logo, estamos muito agradecidos às nossas mães!), continuaremos a alimentar­nos até ao fim da nossa vida.

Também quando somos baptizados, precisamos de alimento para não morrer espiritualmente. Esse alimento é a comunhão da Santíssima Eucaristia, o Corpo e o sangre de Cristo.

Até os bebés poderiam comungar, através de uma gotinha do Preciosíssimo Sangue, e isso aconteceu nos primeiros séculos, e ainda hoje acontece nas Igrejas Católicas Orientais e nas Igrejas Ortodoxas!


Na Igreja latina, porém, espera-se que as crianças atinjam a idade da razão e, nessa altura, procura-se que "tenham suficiente conhecimento e cuidadosa preparação, de modo que, de acordo com sua capacidade, percebam o mistério de Cristo e possam receber o Corpo do Senhor com fé e devoção" (Código de Direito Canónico, can. 913. § 1).

Foi o Papa S. Pio X que, nos inícios do séc. XX, através de dois decretos libertadores, antecipou (ou permitiu que se voltasse a antecipar) a idade da Primeira Comunhão, e ao mesmo tempo convidou os católicos a comungar com frequência, e até todos os dias!

Um dos mandamentos da Igreja (o terceiro) diz que os católicos devem comungar "ao menos pela Páscoa da Ressurreição". Esse preceito foi criado para garantir um "mínimo na recepção do Corpo e Sangue do Senhor, em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia cristã" (Catecismo da Igreja Católica, n. 2042) Mas parece tão pouco! Que seria de nós, se só nos alimentássemos uma vez por ano."

No 4° pedido do Pai Nosso, Jesus manda-nos rezar: "O pão nosso de cada dia nos dai hoje". Este pão é "o alimento necessário para a vida e todos os bens convenientes, materiais e espirituais" (Catecismo da Igreja Católica, n. 2830), mas é também o Pão da Eucaristia. Escreve Santo Agostinho: "A Eucaristia é o nosso pão de cada dia [...]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos. [...] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação" (citado pelo Catecismo da Igreja Católica, n. 2387).

Como seria bom fazer da Eucaristia "o pão nosso de cada dia"!

A comunhão diária é fortemente inculcada num texto do Concílio Vaticano II: "Com empenho, recomenda-se aos fiéis que, nestes dias [domingos], ou até mais frequentemente, ou mesmo diariamente, recebam a Sagrada Eucaristia" (Decreto sobre as Igrejas Orientais, n. 15).

"Evidentemente, aqueles que comungam apenas ao domingo com as devidas disposições, já o fazem frequentemente, se não podem pô-lo em prática mais vezes. A sua comunhão dominical manifesta e fortifica de modo particular a unidade na comunidade local" (assim escreve o teólogo jesuíta Bertrand de Margerie, no seu livro Viver em Cristo, p. 24).

Quanto à comunhão diária, "é claro que a Igreja não estimula qualquer comunhão diária, mas somente aqueia que é feita de maneira digna, depois de preparação conveniente, e seguida de acção de graças pessoal" (ibid.).

Quando se fala de comungar "de maneira digna", isso significa, como facilmente se compreende, comungar em estado de graça.

Se alguém perdeu a graça de Deus por um pecado grave - que por isso se chama pecado mortal - não deve comungar. (Outra razão para não comungar será não ter guardado o jejum eucarístico, que presentemente é apenas de uma hora antes da comunhão).

Portanto, as condições para bem comungar são:

1º Estar na graça de Deus
2º Saber e pensar quem se vai receber
3º Estar em jejum eucarístico

Assim se torna claro que a comunhão frequente e até diária, convida à confissão frequente.

E quais são os frutos da comunhão frequente e, se possível, diária?

Une-nos mais a Deus, torna-nos melhores pessoas!

É inegável que continuamos a ser humanos e pecadores, mas, quem recebe Jesus desejaria, pelo menos, ser melhor! E talvez o comece a ser. Menos pecadores, melhores pessoas e mais felizes!

«Onde e como posso comungar mais vezes?»

- Nas muitas igrejas que há na nossa cidade, onde se celebram multas missas! Também há escolas - infelizmente só escolas privadas - onde há missa diariamente ou vários dias de semana. Não deve ser difícil participar, pelo menos alguns dias.

E também se pode comungar fora da Missa. Para quem não possa vir à Missa, vou passar a dar a comunhão às seis da tarde (de 2ª a 6ª), a quem o pedir. E quem só conseguir chegar aos Jerónlmos depois da sete e meia (19:30), vá à sacristia e diga: «Gostaria de comungar», e dar-lhe-ei a comunhão.

O Pai celeste exorta-nos a pedir, como filhos do céu, o Pão celeste. Cristo "é 8e mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste" (S. Pedro Crisólogo, citado pelo Catecismo da Igreja Católica, n. 2387).

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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