7 de Setembro de 2014 - XXII Domingo do Tempo Comum

A comunhão dos santos

O Evangelho de hoje convida-nos a reflectir sobre a Igreja e a "Comunhão dos santos". O Catecismo da Igreja Católica comenta com grande desenvolvimento o nono artigo do Símbolo dos Apóstolos, em que dizemos: "Creio na comunhão dos santos".


Como suspira o veado pelas correntes das águas, assim minha alma anseia por Vós, Senhor

Recomendo a leitura destes números (nn. 946-959), que o próprio Catecismo sintetiza assim:

Resumindo:

960. A Igreja é «comunhão dos santos»: esta expressão designa, em primeiro lugar, as «coisas santas» (sancta) e, antes de mais, a Eucaristia, pela qual «é representada e se realiza a unidade dos fiéis que constituem um só Corpo em Cristo» (Const. dogm. Lumen Gentium, n.3).

961. Este termo também designa a comunhão das «pessoas santas» (sancti) em Cristo, que «morreu por todos», de modo que o que cada um faz ou sofre por Cristo e em Cristo reverte em proveito de todos.

962. "Nós cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo: dos que peregrinam na terra, dos defuntos que estão levando a cabo a sua purificação e dos bem-aventurados do céu: formam todos uma só Igreja; e cremos que, nesta comunhão, o amor misericordioso de Deus e dos seus santos está sempre atento às nossas orações» (Paulo VI, Solene Profissão de fé, n. 30).

Nos inícios dos séc. XX, o «Catecismo de S. Pio X», que se inspira no Catecismo Romano, (mandado publicar pelo Concílio de Trento), apresenta deste modo, e com especial clareza em relação a alguns aspectos não explicitados nos catecismos posteriores, a doutrina deste mesmo 9º artigo do Símbolo dos Apóstolos:

214) Que nos ensina o nono artigo do Credo com aquelas palavras: «na comunhão dos Santos»?
Com as palavras: «na comunhão dos Santos», o nono artigo do Credo ensina-nos que, na Igreja, pela íntima união que existe entre todos os seus membros, são comuns os bens espirituais, tanto internos como externos, que lhe pertencem.

215) Quais são na Igreja os bens comuns internos?
Os bens comuns internos na Igreja são: a graça que se recebe nos Sacramentos, a Fé, a Esperança, a Caridade, os merecimentos infinitos de Jesus Cristo, os merecimentos superabundantes da Santíssima Virgem e dos Santos, e o fruto de todas as boas obras que na mesma Igreja se fazem.

216) Quais são os bens externos comuns na Igreja?
Os bens externos comuns na Igreja são: os sacramentos, o Santo Sacrifício da Missa, as orações públicas, as funções religiosas, e todas as outras práticas exteriores que unem entre si os fiéis.

217) Nesta comunhão de bens entram todos os filhos da Igreja?
Na comunhão dos bens internos entram somente os cristãos que estão em graça de Deus; os que estão em pecado mortal não participam de todos estes bens.

218) Porque não participam de todos estes bens aqueles que estão em pecado mortal?
Porque é a graça de Deus, a vida sobrenatural da alma, que une os fiéis a Deus e a Jesus Cristo como seus membros vivos, e os torna capazes de fazer obras meritórias para a vida eterna; e porque aqueles que se encontram em estado de pecado mortal, não tendo a graça de Deus, estão excluídos da comunhão perfeita dos bens espirituais e não podem fazer obras meritórias para a vida eterna.

219) Então os cristãos que estão em pecado mortal não tiram proveito nenhum dos bens internos e espirituais da Igreja?
Os cristãos que estão em pecado mortal tiram ainda assim algum proveito dos bens internos e espirituais da Igreja, porquanto conservam o carácter de cristãos, que é indelével, e a virtude da Fé que é a raiz de toda justificação. Por isso são auxiliados pelas orações e boas obras dos fiéis, para obterem a graça da conversão.

220) Os que estão em pecado mortal podem participar dos bens externos da Igreja?
Os que estão em pecado mortal podem participar dos bens externos da Igreja, contanto que não estejam separados da mesma Igreja pela excomunhão.

221) Porque é que os membros desta comunhão, considerados no seu conjunto, se chamam Santos?
Os membros desta comunhão chamam-se Santos, porque todos são chamados à santidade, e foram santificados por meio do Baptismo, e muitos deles atingiram já a santidade perfeita.

222) A comunhão dos Santos estende-se também ao Céu e ao Purgatório?
Sim, a comunhão dos Santos estende-se também ao Céu e ao Purgatório, porque a caridade une as três dimensões da Igreja - triunfante, padecente e militante; e os Santos rogam a Deus por nós e pelas almas do Purgatório, e nós damos honra e glória aos Santos, e podemos aliviar as almas do Purgatório, aplicando, em sufrágio delas, Missas, esmolas, indulgências e outras boas obras".

Mas não haverá também comunhão de bens materiais entre os cristãos nesta terra?

O Catecismo da Igreja Católica fala também desta comunhão nos bens materiais, começando por recordar o que dizem os Actos dos Apóstolos sobre os primeiros cristãos:

" «Eles punham tudo em comum» (Actos 4, 32): «Tudo o que o verdadeiro cristão possui, deve olhá-lo como um bem que lhe é comum com os demais, e deve estar sempre pronto e ser diligente para ir em socorro do pobre e da miséria do próximo» (Catecismo Romano 1, 10,27, p. 121). O cristão é um administrador dos bens do Senhor (Cf. Lucas 16, 1-3)" (n.952).

Dos muitos modos de o fazer, recordo agora apenas um. Quando colocamos no ofertório da missa um pouco dos bens materiais que possuímos, demos-lhe este sentido de partilha, de pôr em comum, que não pode ser mesquinho, que tem que ser sempre generoso, mesmo que materialmente não possa ser muito avultado. As paróquias, as comunidades cristãs têm muitas necessidades e compromissos materiais a que têm que dar resposta. O donativo feito no ofertório da missa, é uma cooperação importante para ajudar a satisfazer estes compromissos. Depois há outros donativos regulares que são um dever do cristão, como o Contributo Paroquial, outrora chamado Côngrua, e de que falaremos noutra ocasião.

Somos a "Igreja militante", e por isso estamos unidos na mesma "militância", isto é, na mesma luta de paz a que Deus nos chama. Por isso, rezemos uns pelos outros, para que cresça em todos a vida divina e o empenhamento apostólico para transformar o mundo segundo o Evangelho e a graça de Cristo.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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