8 de Fevereiro de 2015 - Domingo V do Tempo Comum

Sem Cristo não existe futuro

1. As imagens que temos visto na internet nos últimos tempos: o piloto jordano queimado vivo numa jaula, decapitações, imagens de homens, mulheres e até mesmo crianças crucificados, mulheres e crianças vendidas como escravas, igrejas arrasadas, os cristãos expulsos e obrigados a exilar-se, podem não ser um problema para os islâmicos que as praticam, como escreveu o Pe. Ray Blake, mas são um problema para nós, cristãos; e outras realidades como o aborto, ou a sexualização das crianças na nossa sociedade, a pornografia, a ruptura familiar, a violência doméstica ou a enorme dispandade entre os ricos e os pobres em tantos países, para já não falar dos gulags da Rússia ou dos campos de extermínio nazis, são um problema cristão, no sentido de que são os problemas de um mundo que não conhece Jesus Cristo: nesse sentido eles são um problema cristão.


Esses horrores mostram-nos um mundo não redimido, um mundo que habita na escuridão, sem Cristo. Estas são as coisas que fazem aqueles que não conhecem a Cristo.

2. O Evangelho mostra-nos que Jesus não quis ficar num só lugar. Quis chegar a todos, a toda a gente: "Vamos a outros lugares, às povoações vizinhas, a fim de pregar aí também. porque foi para isso que Eu vim" (Marcos 1. 38). Por isso, quando chegou a hora de partir para o Pai, antes de subir ao Céu, disse aos seus apóstolos: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura" (Marcos 16,15).

S. Paulo, embora só tivesse sido chamado depois, recebeu também esta missão. E escreveu aos coríntios. contando aquilo que sentia. a certeza que ardia dentro de si: "Ai de mim se não anunciar o Evangelho! (...) Fiz-me tudo para todos, a fim de ganhar alguns a todo o custo. E tudo faço por causa do Evangelho (...)" (1 Coríntios 9, 16. 22-23).

Quando foi ao Brasil, no Santuário de Nossa Senhora Aparecida, o Papa Francisco disse: "Se estivermos verdadeiramente enamorados de Cristo e sentirmos quanto Ele nos ama, o nosso coração se "incendiará" de tal alegria, que contagiará quem estiver ao nosso lado" (Homilia da Santa Missa na Basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, 24 de Julho de 2013).

E logo depois lembrou o que tinha dito Bento XVI também nesse Santuário, alguns anos antes: "O discípulo sabe que sem Cristo não há luz, não há esperança, não há amor, não existe futuro" (Discurso inaugural da Conferência de Aparecida, 13 de Maio de 2007, n. 3).

Aqui está uma afirmação muito ousada! Como é que Bento XVI a justificou?

3. Primeiro, mostrando que "quem exclui Deus do seu horizonte falsifica o conceito de «realidade», e, por conseguinte. só pode terminar por caminhos equivocados e com receitas destruidoras". Esse foi "o grande erro das tendências predominantes no último século, erro destruidor, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como também dos capitalistas".

Deus... "Quem conhece Deus? Como podemos conhecê-lo? Não podemos entrar aqui num debate complexo sobre esta questão fundamental. Para o cristão, o núcleo da resposta é simples: somente Deus conhece Deus, somente o seu Filho, que é Deus de Deus verdadeiro, O conhece. E Ele, «que está no seio do Pai, O deu a conhecer» (João 1. 18). Daqui a importância singular e insubstituível de Cristo para nós, para a humanidade. Se não conhecemos a Deus em Cristo e com Cristo. toda a realidade se transforma num enigma indecifrável: não há caminho e, não havendo caminho, não há vida nem verdade".

E "Que nos dá a fé neste Deus? A primeira resposta é: dá-nos uma família, a família universal de Deus na Igreja Católica. A fé liberta-nos, de igual modo, do isolamento do eu, porque nos leva à comunhão: o encontro com Deus é, em si mesmo e como tal, encontro com os irmãos, um acto de convocação, de unificação e de responsabilidade pelo outro e pelos demais".

E ainda uma última pergunta: "Como conhecer realmente Cristo, para poder segui-Lo e viver com Ele, para nele encontrara vida e para comunicar esta vida ao próximo, à sociedade e ao mundo?"

A resposta a esta pergunta passa necessariamente pela leitura da Palavra de Deus, a catequese, as homilias, conferências, cursos bíblicos ou teológicos, e também pelos meios de comunicação: imprensa, rádio e televisão, sites da internet, foros "e muitos outros sistemas para transmitir eficazmente a mensagem de Cristo a um vasto número de pessoas ".

4. Ouvindo a Palavra divina, o coração arde porque é Ele que a explica e proclama. Quando na Eucaristia se consagra o Pão, é a Ele que se recebe pessoalmente. A Eucaristia é o alimento indispensável para a vida do discípulo e missionário de Cristo".

Daqui decorre, naturalmente, a grande prioridade pastoral da Igreja, que Bento XVI explicava assim: "Eis por que existe a necessidade de dar prioridade, nos programas pastorais, à valorização da Missa dominical. Temos de motivar os cristãos para que participem nela activamente e, se possível, com a sua família. A participação dos pais com seus filhos na celebração da Missa dominical é uma pedagogia eficaz para comunicar a fé e um estreito vínculo que mantém a unidade entre eles. O domingo significa ao longo da vida da Igreja, o momento privilegiado do encontro das comunidades com o Senhor ressuscitado.

"É necessário que os cristãos sintam que não seguem um personagem da história passada, mas Cristo vivo, presente no hoje e agora de suas vidas. Ele é o Vivente. que caminha ao nosso lado, mostrando-nos o sentido dos acontecimentos, da dor e da morte, da alegria e da festa, entrando nas nossas casas e permanecendo nelas, alimentando-nos com o Pão que dá a vida. Por isso a celebração dominical da Eucaristia tem que ser o centro da vida cristã".

As consequências em nós desta celebração são bem claras: "O encontro com Cristo na Eucaristia suscita o compromisso da evangelização e o impulso à solidariedade; desperta no cristão o forte desejo de anunciar o Evangelho e de o testemunhar na sociedade para que seja mais justa e humana. No decorrer dos séculos da Eucaristia brotou um imenso caudal de caridade, de participação nas dificuldades dos outros, de amor e de justiça".

Quem adora e recebe Jesus na Sagrada Comunhão - preparando-se espiritualmente para o poder fazer - sairá com o seu coração "incendiado", como dizia o Papa Francisco, e passará necessariamente esse fogo e essa luz a todos aqueles com quem se encontrar pelos caminhos da vida.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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