29 de Março de 2015 - Domingo de Ramos na Paixão do Senhor

Continuar a seguir Jesus

1. Antes da procissão dos ramos (ou da entrada solene) que fizemos, foi lido o Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém. Na cidade havia muitas pessoas pelas ruas, e, quando viram Jesus a avançar montado num burrinho, com grande humildade e simplicidade, perceberam que Jesus era o Rei de paz e de justiça por quem há tanto tempo ansiavam.

S. Marcos, tal como os outros evangelistas, retrata a alegria espontânea e sincera daqueles que, de repente, no meio de uma vida sem esperança, viram chegar o Rei, o verdadeiro Rei.


Não era o Imperador de Roma que chegava, não era o procurador romano, não era Herodes, todos eles mais ou menos corruptos e violentos, era um Rei que parecia que não tinha poder humano. Mas era um verdadeiro Rei. Estava ali no meio deles pobre e humilde.

O seu único poder era a verdade das suas palavras, eram os seus milagres, era o amor com que Se entregou por todos.

E ali ficou toda aquela gente a ver Jesus passar e a aclamá-Lo. Mas nós não queremos ficar só a ver Jesus. A procissão dos ramos (ou a entrada solene) que fizemos, indica que não só O queremos aclamar, mas também O queremos seguir. Na procissão, todos caminham atrás de Jesus, representado na Cruz processional, que segue à nossa frente.

2. É necessário ir atrás de Jesus, ou seja, ir por onde Ele for. Jesus vai sempre à frente, toma a dianteira, e nós vamos atrás, mas sem nunca O perder de vista. O que Jesus tem para nos dar, é decisivo para a vida. Jesus não resolve os problemas políticos, não responde aos enigmas da ciência nem às questões da filosofia, deixa isso aos seres humanos, para que estudem, para que pensem, para que trabalhem.

Mas Jesus ensina-nos a amar a Deus Que nos criou, a viver como seus filhos, com sumo respeito e ao mesmo tempo com grande confiança, e a amar os outros, não só como a nós mesmos, mas como Ele nos amou.

Seguindo Jesus. não passamos sem mais a ser pessoas perfeitas, continuamos a ter defeitos e até pecados, e no entanto continuamos a avançar pelo caminho deste mundo, que, passando pela morte, não termina no abismo, mas termina na vida, desemboca na vida plena, na casa do Pai.

Se os pais Querem que os seus filhos sejam felizes, ensinem os seus filhos a seguir Jesus. Se não querem que eles um dia andem à deriva, ensinem-nos a continuar a caminhar pela vida fora, no seguimento de Jesus, na Igreja. Ele é o único de quem se pode dizer: "Bendito o que vem em nome do Senhor".

Se os jovens Quem sentir o gosto de realizar os seus sonhos, confrontem esses sonhos, confrontem os seus projectos com a palavra de Jesus. É Ele que, graças à fé, ajuda a escolher, a fazer as grandes opções da vida, a distinguir claramente o que vale a pena, o Que é bom, do que não presta e estraga a vida.

3. O Papa Francisco, na Mensagem para o Dia Mundial da Juventude, que se celebra neste domingo (29 de Março de 2105), diz aos jovens: "(...) O convite do Senhor a encontrá-Lo é dirigido a cada um de vós, independentemente do lugar e situação em que vos encontrardes. Basta «tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele, de O procurar dia-a-dia sem cessar. Não há motivo para alguém poder pensar que este convite não lhe diz respeito» (Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 3). Todos somos pecadores, necessitados de ser purificados pelo Senhor. Mas basta dar um pequeno passo em direcção a Jesus para descobrir que Ele está sempre à nossa espera de braços abertos, especialmente no sacramento da Reconciliação, ocasião privilegiada de encontro com a misericórdia divina que purifica e recria os nossos corações"./font>

E depois, lembrando os 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Ávila, que se celebraram neste sábado, dia 28 de Março de 2015, acrescenta:

"Sim, Queridos jovens, o Senhor quer encontrar-nos, deixar-Se «ver» por nós. «E como?»: poder-me-íeis perguntar. Também Santa Teresa de Ávila, nascida na Espanha precisamente há quinhentos anos, já de pequenina dizia aos seus pais: «Quero ver a Deus». Depois descobriu o caminho da oração como «uma relação íntima de amizade com Aquele por quem nos sentimos amados». (Livro da Vida 8, 5). Por isso, pergunto-vos: Vós rezais? Sabeis que tendes possibilidade de falar com Jesus, com o Pai, com o Espírito Santo, como se fala com um amigo? E não um amigo qualquer, mas o vosso amigo melhor e de maior confiança.

Tentai fazê-lo, com simplicidade. Descobrireis aquilo que um camponês de Ars dizia ao seu santo pároco: quando estou em oração diante do Sacrário, «eu olho para Ele e Ele olha para mim» (Catecismo da Igreja Católica, 2715).

E concretiza: "Uma vez mais convido-vos a encontrar o Senhor, lendo frequentemente a Sagrada Escritura. E, se não tiverdes ainda o hábito de o fazer, começai pelos Evangelhos. Lede um pedaço cada dia. Deixai que a Palavra de Deus fale aos vossos corações, ilumine os vossos passos (cf. Salmo 118 [119],105) (...)".

Que a Semana Santa que hoje iniciamos seja uma semana de oração mais intensa e de profunda contemplação da Paixão do Senhor. Vamos continuar a caminhar, por entre tristezas e alegrias, seguindo Jesus por onde Ele for, até ao Cenáculo, até ao Jardim das Oliveiras, até ao Calvário, para termos a surpresa sempre nova de O receber na manhã de Páscoa, como definitivo vencedor da morte, que vem para continuar a caminhar connosco e nos dar a graça de O seguir até ao fim.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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