3 de Maio de 2015 - Domingo V da Páscoa

Acreditar e amar

1. Com a imagem da vide e dos ramos, que hoje ouvimos no Evangelho, Jesus ensina-nos que a fé não é um entusiasmo momentâneo, mas uma comunhão de toda a vida. O discípulo é aquele que está unido a Jesus, e permanece sempre com Ele. Ser cristão é ser fiel a vida inteira a Jesus Cristo e ao seu amor.

Por isso, explicando o sentido da imagem da videira e dos ramos, Jesus faz aos discípulos este pedido: "Permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós". É o que nos pede também a nós, hoje: "Permanecei em Mim...". Como se dissesse a cada um: «Não te separes de Mim! Permanece e cresce na minha amizade!» É um pedido forte e emocionante: seríamos capazes de o ignorar, ou de não lhe responder?

Depois, retomando a imagem inicial, diz-nos ainda mais claramente: "Eu sou a videira, vós sois os ramos". Os ramos nada são, se não for o tronco de onde partem e a partir do qual crescem. Se nos separamos de Jesus. a nossa vida perde a coerência e a unidade interior. Mas, se nos mantivermos intimamente unidos a Ele, será espiritualmente muito fecunda.


Por isso, a seguir Jesus faz-nos uma promessa: "Se alguém permanece em Mim e eu nele, esse dá muito fruto, porque, sem Mim, nada podeis fazer". Mas também nos alerta para os riscos de nos separarmos d'Ele: "Se alguém não permanece em Mim, será lançado fora, como o ramo, e secará", Fora de Cristo, a vida não tem pleno sentido. Os ramos secos já não têm a utilidade que se esperava que tivessem: "Esses ramos apanham-nos, lançam-nos ao fogo, e eles ardem". Só servem para atear a fogueira: seria melhor que permanecessem unidos ao tronco e dessem muito fruto. E já no início Jesus tinha dito: o Pai "corta todo o ramo que está em Mim e não dá fruto, e limpa todo aquele que dá fruto, para que dê ainda mais fruto".

2. Que frutos são esses? Jesus, neste passo do Evangelho, não nos diz quais são esses frutos que resultam de permanecermos unidos a Ele, como os ramos à videira. Mas não é difícil imaginar quais sejam.

Esses "frutos" de que fala Jesus, não devem andar muito longe daqueles a que S. Paulo chama os "frutos do Espírito", uma vez que o Espírito Santo nos é enviado por Jesus ressuscitado. Como explica o Catecismo da Igreja Católica, "os frutos do Espírito são perfeições que o Espírito Santo forma em nós, como primícias da glória eterna. A tradição da Igreja enumera doze: «caridade, alegria, paz, paciência, bondade, longanimidade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade. (Gálatas 5, 22-23)" (n. 1823). O Tempo Pascal é uma boa ocasião para examinarmos a nossa vida, e vermos se nela já existem estes "frutos", mesmo que ainda estejam em formação, ou ainda um pouco verdes. Mas o Espírito Santo irá fazê-los amadurecer. E para que existam mais, basta que sejamos dóceis, que nos deixemos trabalhar por dentro pela graça de Cristo.

Também os grupos e as comunidades cristãs se devem examinar. A 1ª leitura mostrava-nos como Barnabé introduziu Saulo, na Igreja de Jerusalém, onde ainda muitos o temiam e não estavam seguros da sua conversão. Mas, graças ao gesto de Barnabé, Saulo, que mais tarde passou a usar o nome de Paulo, foi acolhido e, a partir de então, "falava com firmeza no nome do Senhor". À luz deste relato, devemos interrogar-nos: Somos uma comunidade acolhedora?

E somos também uma comunidade evangelizadora? Como anunciamos Jesus? Há muita gente disponível para os diversos trabalhos de evangelização e de caridade? Há vocações para o sacerdócio? Os casais e as famílias aceitam o desafio de crescer no amor? Os namorados e os noivos põem Jesus Cristo como fundamento do seu amor? As pessoas doentes e idosas são amadas e acolhidas? Não é indiferente nem irrelevante que estes frutos existam ou não. Jesus, no Evangelho, di-lo claramente: "A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos",

3. S. João, na 2ª leitura, resumia deste modo as expectativas de Deus a nosso respeito: "É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como ele nos mandou". Parece muito simples, e na verdade é simples. Ser cristão é uma questão de fé, uma questão de amor. Acreditar e amar. Aceitemos a graça da fé que nos identifica com Jesus Cristo, e nos torna capazes de amar os outros, "como Ele nos amou", para assim glorificarmos o Pai, na alegria e na força do Espírito Santo.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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