31 de Maio de 2015 - Domingo da Santíssima Trindade

Deus é comunhão

1. Acreditamos num único Deus, constituído por três Pessoas divinas.

Não é fácil entender que um único Deus possa ser constituído por três Pessoas divinas. Obviamente, Deus não é uma criatura como nós, e por isso nunca poderemos compreender a plenitude do seu ser. De qualquer maneira, Ele revelou-nos que, sendo um único Deus, também é Deus Pai, Deus Filho (que Se fez homem: é Jesus Cristo) e Deus Espírito Santo.


O Senhor aparece a Abraão, com dois Anjos (Gn. 18, 1-10)

Alguém já viu um trevo? S. Patrício, patrono da Irlanda, usava o exemplo do trevo para falar da Trindade: tal como esta planta tem três folhas, presas a um único caule, assim existe um único Deus, mas em três Pessoas.

2. Esta imagem é útil também para aprendermos mais sobre a Trindade. Sabemos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos Deus, mas que o Pai é diferente do Filho, que, por sua vez, é diferente do Espírito Santo. E os Três são um só e único Deus.

Esta imagem é útil também para aprender mais sobre a Trindade. Sabemos que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são todos Deus, mas 'Que o Pai é diferente do Filho, que, por sua vez, é diferente do Espírito Santo. E os Três são um só e único Deus.

Conta-se que, um dia, Santo Agostinho andava numa praia a meditar sobre o mistério da Santíssima Trindade: um só Deus em três Pessoas distintas... Enquanto caminhava, observou um menino que levava uma pequena concha com água. A criança ia até o mar, trazia a água e deitava-a dentro de um pequeno buraco que tinha feito.

Após ver o menino fazer repetidas vezes a mesma coisa, Agostinho resolveu interrogá-lo sobre o que pretendia. E o menino, olhando-o, respondeu com simplicidade: «Estou a ver se consigo meter a água do mar neste buraco». Santo Agostinho sorriu e respondeu-lhe: «Mas não percebes que isso é impossível?» Então, olhando novamente para Santo Agostinho, o menino respondeu-lhe: «Ora, é mais fácil a água do mar caber neste pequeno buraco, do que o mistério da Santíssima Trindade ser entendido por um homem!»

Esta história é uma lenda medieval tardia, e revela pouca confiança nos esforços da reflexão sobre as verdades da fé; contudo, como disse uma vez numa entrevista o então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Papa Bento XVI, "é a expressão perfeita das nossas limitações, pois o oceano não cabe na pequena concha do nosso pensamento, por muito que este se amplie. A alteridade absoluta de Deus continua a ser-nos incompreensível" (Deus e o mundo, p. 227).

Essa limitação, no entanto, não impediu Santo Agostinho de dedicar muitos anos da sua vida a meditar sobre a Santíssima Trindade, e com ele aprendemos que, se é verdade que não conseguimos «compreender» a Trindade, podemos pelo menos captar a sua verdade e a sua profunda beleza.

Conduzidos pelo Espírito Santo, podemos descobrir, como disse Bento XVI na homilia da Missa do Domingo da Santíssima Trindade, em 2012, que Deus "não é solidão infinita, mas comunhão de luz e de amor, vida doada e recebida num eterno diálogo entre o Pai e o Filho, no Espírito Santo-o que Ama, o que é Amado e o Amor, para citar Santo Agostinho" .

É fascinante que o Ser absoluto seja "comunhão de amor, vida dada e recebida", e n'Ele haja um "eterno diálogo"! Esta descoberta é essencial para nós, que queremos viver no verdadeiro amor, que queremos viver na caridade.

3. "Eu vos adoro, Deus três vezes santo, Pai, que nos criastes, Filho que nos redimistes com o Vosso sangue, Espírito Santo, que nos santificais com as graças que nos concedeis todos os dias. Fazei que guarde na minha alma a Vossa semelhança ou imagem, a fim de que, um dia, me reconheçais e reine convosco na eternidade. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Que assim seja" (oração de uma estampa religiosa do final do século XIX).

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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