13 de Setembro de 2015 - Domingo XXIV do Tempo Comum

A santidade é possível

Obras de misericórdia

1. À luz do que nos diz S. Tiago, na sua Epístola: «A fé sem obras é morta», comecemos por lembrar as 14 Obras da Misericórdia.

Obras Corporais:

1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

Obras Espirituais

1ª Dar bom conselho;
2ª Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os tristes;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos.


Mathew Aldermann, Jesus crucificado. com a Virgem e S. João (2011)

Opção preferencial pelos pobres

2. "Dado que esta Exortação se dirige aos membros da Igreja Católica, desejo afirmar, com mágoa, que a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. A imensa maioria dos pobres possui uma especial abertura à fé; tem necessidade de Deus e não podemos deixar de lhe oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta dum caminho de crescimento e amadurecimento na fé. A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária" (Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n.200).

Seguir Jesus

3. No Evangelho de S. Marcos, que está baseado na pregação de S. Pedro, em Roma, é omitido o grande elogio que Jesus faz a Pedro, após a sua profissão de fé, e que S. Mateus deixou registado no seu Evangelho (Mateus 16, 17-19). Não se omite, porém, a repreensão de Nosso Senhor à infeliz tentativa, embora carinhosa, de Pedro, que quer evitar que Jesus passe pelo sofrimento e pela morte.

Jesus responde-lhe: "Vai-te, Satanás". Coisa parecida tinha dito ao próprio Satanás depois da última tentação: "Vade, Satana" (Mateus 4,10). Mas aqui há uma diferença importante. Jesus diz a Pedro: "Vade post me, satana" (Mateus 16, 23), ou: "Vade retro me, satana", o que pode ser traduzida como: "Vai para trás (óníow) de Mim, satanás!". A primeira sentença - explica S. Jerónimo (no seu comentário a S. Mateus) - é dita ao próprio demónio, porque este não tem hipótese de se arrepender e mudar de rumo; mas a segunda é dirigida a S. Pedro, convidando-o a seguir o pensamento de Jesus Cristo e a identificar-se com Ele.

S. Pedro quis «poupar» a Jesus o sofrimento, que era consequência do amor. Mas Jesus não podia renunciar a amar-nos, e por isso não poderia renunciar à cruz, que é a expressão máxima do seu amor.

4. E o mesmo se passa com todos, a Quem Jesus diz: "Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me. Na verdade, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas quem perder a vida, por causa de Mim e do Evangelho, salvá-la-á».

Não há amor sem cruz, e quem renuncia à cruz, renuncia ao amor.

Às vezes diz-se que não se deve exigir às pessoas que vivam com heroicidade a sua vida, mas isso significa desconhecer que todos somos chamados a ser santos. E que podemos sê-lo, mesmo continuando a ser pessoas normais e imperfeitas, porque Deus nos concede a sua graça.

Numa recente conferência nos Estados Unidos, o Cardeal Raymond Burke "rejeitou firmemente a noção de que as pessoas seriam muito fracas para se conformar à lei de Deus sobre o matrimónio, dizendo que Nosso Senhor assegurou dar-nos toda a graça de que precisamos para viver as nossas existências de acordo Sua vontade".

Se existe uma lei divina sobre o matrimónio - ou sobre qualquer outra realidade - é porque nos é possível vivê-la. E se nos parecer muito difícil, peçamos a ajuda de Deus e a sua graça mais abundante, para a vivermos com a mesma entrega com que Jesus abraçou a sua cruz, por obediência a Deus Pai e por nosso amor.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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