4 de Outubro de 2015 - Domingo XXVII do Tempo Comum

Pais de Santa Teresa do Menino Jesus serão canonizados

Igreja celebra, no primeiro dia de Outubro, a festa de Santa Teresa do Menino Jesus (Santa Teresinha), declarada "Doutora da Igreja" por S. João Paulo II, em 1997. Quis a Providência Divina, neste ano de 2015, agraciar Santa Teresinha com a canonização de seus pais, os beatos Louis Martin e Zélia Guérin, num momento em que a Igreja tanto precisa das nossas orações e da intercessão dos santos para recolher luzes no Sínodo da Família, que começa este domingo. Todos ansiamos que o Sínodo confirme a doutrina de sempre relativamente à sacralidade do matrimónio e da família.


Santa Teresinha e seus pais

Os pais de Santa Teresinha, beatificados em 19 de Outubro de 2008, serão elevados às honras dos altares, durante os trabalhos do Sínodo. Eles oferecem a toda a Igreja, sempre inspirada na Sagrada Família, o autêntico modelo cristão de família, cuja história de vida, qualidades e virtudes pessoais, e santidade, devemos não só apreciar, mas que deve servir-nos de ânimo, nos dias difíceis em que vivemos. E pedir mais intensamente, em oração, a graça da fortaleza, para que Deus nos cumule com a bênção de afirmar os valores e a beleza da família, que os beatos Louis e Zélia são testemunhos edificantes.

Louis Martin e Zélia Guérin santificaram-se, porque souberam cumprir a vontade de Deus, com docilidade e confiança absoluta no Senhor. Ambos desejaram ardentemente abraçar a vida religiosa, mas Deus reservava-lhes a missão do matrimónio, celebrado em 12 de Julho de 1858.

Tiveram nove filhos, e quando haviam nascido as primeiras quatro filhas, oraram com fervor para que Deus lhe desse um filho. O pedido foi atendido e puseram-lhe o nome de José Maria, mas este faleceu cinco meses depois.

Queriam tanto outro menino, desejando inclusive consagrá-lo ao Senhor. E nasceu outra criança, a que puseram o nome de José. Mas também faleceu, nove meses depois.

Como conta um biógrafo do casal, (o Pe. João Batista Lehman), Louis Martin e Zélia Guérin "desistiram então de pedir ao céu outro missionário. Contudo realizou-se plenamente o seu desejo na pessoa da última filha, entre todas a mais abençoada e privilegiada, alma providencial, a quem Deus deu uma missão grandiosa, verdadeiramente divina": Santa Teresa do Menino Jesus, habitualmente invocada como Santa Teresinha. Quis entrar no Carmelo aos quinze anos, tendo apresentado este pedido ao próprio Papa: durante uma audiência geral com Leão XIII, Teresa, na sua vez, aproximou-se de Leão XIII, ajoelhou-se e pediu-lhe permissão para entrar no Carmelo. A resposta do Papa foi "Pois bem, minha filha, faz o que os superiores decidirem... Vais entrar, se for a vontade de Deus" e abençoou Teresa. Ela recusou­se a sair de seus pés e a Guarda Suíça teve que levá-Ia para fora do recinto. E assim aconteceu, em 9 de Abril de 1888. Mas Deus chamou-a para o Céu em 30 de Setembro de 1897, com apenas 24 anos de idade. Foi canonizada por Pio XI, em 1925, e por este mesmo Papa, dois anos depois, foi proclamada padroeira das Missões. Em 19 de Outubro de 1997, S. João Paulo II proclama-a Doutora da Igreja.

O mesmo autor também ressalta:

"Nos seus pais, os filhos viam o exemplo de cristãos santos. Amigos da oração, todas as manhãs se reuniam aos pés do altar e da mesa da comunhão. Rigorosamente observavam a lei do Jejum e da abstinência, eram escrupulosos na santificação do domingo, faziam com assiduidade as práticas de piedade, com a leitura espiritual e a oração em comum. Não faltavam certamente provações, mas a única resposta que davam a Deus era sempre uma total resignação a tudo o que a Providência celestial quisesse determinar. Embora houvesse certo bem-estar na família Martin, ninguém se excedia em luxos desnecessários, e em tudo reinava grande simplicidade. Em família de sentimentos tão cristãos e generosos, a virtude da caridade achava terreno amplo de actividade. Das economias o piedoso casal reservava anualmente avultada quantia para a Obra da Propagação da Fé. A casa deles estava sempre aberta para os pobres, e grandes eram as esmolas que lá recebiam, na distribuição da caridade, o Sr. Martin não conhecia os respeitos humanos, e muitos foram os casos em que, com as próprias mãos, serviu a pobres desamparados. Não é, pois, caso de estranhar que o nobre homem, em suas empresas, se visse acompanhado da benção de Deus" .

Num lar verdadeiramente abençoado, os filhos aprenderam também a enfrentar os sofrimentos com docilidade e confiança absoluta em Deus, como exemplo disso, deram os próprios pais, quando acometidos pela doença. A própria Santa Teresinha relata na sua "História de uma Alma", quanto o exemplo dos pais foi imprescindível para refrear os seus ímpetos voluntaristas e compreender a pedagogia da santificação. "Com uma índole como a minha, se fosse criada por pais carentes de virtude, ou até se fosse como Celina mimada por Luísa, ter-me-ia tornado bem maldosa e talvez me tivesse perdido Mas Jesus olhava pela sua pequena esposa. Quis que tudo redundasse para o bem dela. Os seus próprios defeitos, refreados a tempo, serviram-lhe para crescer na perfeição".

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo