1 de Novembro de 2015 - Solenidade de Todos os Santos

Nos santos vemos a vitória do amor


Temos hoje a alegria de nos encontrarmos na solenidade de Todos os Santos. Esta festa faz-nos reflectir sobre o dúplice horizonte da humanidade, que exprimimos simbolicamente com as palavras «terra» e «céu»: a terra representa o caminho histórico, o céu a eternidade, a plenitude da vida em Deus.

E assim esta festa faz-nos pensar na Igreja na sua dupla dimensão: a Igreja a caminho no tempo e a que celebra a festa sem fim, a Jerusalém celeste. Estas duas estão unidas pela realidade da «comunhão dos santos»: uma realidade que começa aqui na terra e alcança o seu cumprimento no Céu. No mundo terreno, a Igreja é o início deste mistério de comunhão que une a humanidade, um mistério totalmente centrado em Jesus Cristo: foi Ele que introduziu no género humano esta dinâmica nova, um movimento que a conduz a Deus e ao mesmo tempo à unidade, à paz em sentido profundo.

Jesus Cristo - diz o Evangelho de João (11, 52) - morreu «para reunir os filhos de Deus que estavam dispersas», e esta sua obra prossegue na Igreja que é inseparavelmente «una», «santa» e «Católica». Ser cristão, pertencer à Igreja significa abrir-se a esta comunhão, como uma semente que se abre na terra, morrendo, e germina para o alto, para o céu.

Os Santos - os que a Igreja proclama tais, mas também todos os santos e santas que só Deus conhece, e que também hoje celebramos - viveram intensamente esta dinâmica. Em cada um deles, de modo pessoal, Cristo tornou-se presente, graças ao seu Espírito que age mediante a Palavra e os Sacramentos. Com efeito, o estar unidos a Cristo, na Igreja, não anula a personalidade, mas abre-a, transforma-a com a força do amor, e confere-lhe, já aqui na terra, uma dimensão eterna.

Em síntese, significa conformar-se com a imagem do Filho de Deus (cf. Romanos 8, 29), realizando o projecto de Deus que criou o homem à sua imagem e semelhança. Mas esta inserção em Cristo abre-nos - como disse - também na comunhão com todos os outros membros do seu Corpo místico que é a Igreja, uma comunhão que é perfeita no «Céu», onde não há qualquer isolamento, qualquer concorrência ou separação. Na festa de hoje, é-nos antecipada a beleza desta vida de total abertura ao olhar de amor de Deus e dos irmãos, na qual temos a certeza de alcançar Deus no outro e do outro em Deus. Com esta fé cheia de esperança nós veneramos amanhã os fiéis defuntos. Nos santos vemos a vitória do amor sobre o egoísmo e sobre a morte: vemos que seguir Cristo conduz à vida, à vida eterna, e dá sentido ao presente, a cada momento que passa, porque o enche de amor, de esperança. Só a fé na vida eterna nos faz amar deveras a história e o presente, mas sem se prender, na liberdade do peregrino, que ama a terra porque tem o coração no Céu.

A Virgem Maria nos obtenha a graça de crer firmemente na vida eterna e de nos sentirmos verdadeira comunhão com os nossos queridos defuntos.

(PAPA BENTO XVI, Angelus, 1 de Novembro de 2012)

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