22 de Novembro de 2015 - Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo

Cristo, Rei de todo o Universo

Instituindo a festa de Cristo Rei, o Papa Pio XI quis proclamar solenemente a realeza social de Nosso Senhor Jesus Cristo sobre o mundo. Rei das almas e das consciências, das inteligências e das vontades, Cristo é também o Rei das famílias e das cidades, dos povos e das nações, o Rei de todo o universo. Como Pio XI demonstrou na encíclica Quas Primas, de 11 de Dezembro de 1925, o laicismo é a negação radical desta realeza de Cristo; organizando a vida como se Deus não existisse, leva à apostasia das massas e conduz as sociedades à ruína.

Toda a missa e o ofício da festa de Cristo Rei são uma proclamação solene da realeza universal de Cristo contra o laicismo do nosso tempo. A missa começa por uma das mais belas visões do Apocalipse, em que o Cordeiro de Deus, imolado, mas doravante na glória, é aclamado pela imensa legião dos anjos e santos. Fixada inicialmente no último domingo de Outubro, e precisamente nas vésperas de Todos os Santos, e agora no último Domingo do ano litúrgico, a Festa de Cristo Rei apresenta-se como a coroa de todos os mistérios de Cristo e como a antecipação no tempo, da realeza eterna por Ele exercida sobre todos os eleitos na glória do céu.


A grande realidade do cristianismo é Cristo ressuscitado, reinando com todo o esplendor da sua vitória, no meio dos eleitos que são a sua conquista.

Recordemos alguns pontos da Encíclica de Pio XI:

Cristo-Rei no sentido metafórico

Há muito que a linguagem corrente dá a Cristo o nome de "Rei em sentido metafórico e transposto". "Rei" é Cristo, com efeito, tendo em conta a eminente e suprema perfeição com que supera a todas as criaturas. Assim, dizemos que "reina sobre as inteligências humanas", por causa da penetração do seu espírito e da extensão de sua ciência, mas sobretudo porque é a própria Verdade em pessoa. de quem. portanto, é forçoso que recebam rendidamente os homens toda a verdade.

Dizemos que "reina sobre as vontades humanas", porque n'Ele se alia a indefectível santidade do divino querer com a mais recta, a mais submissa das vontades humanas; e também porque as suas inspirações entusiasmam a nossa vontade livre pelas causas mais nobres.

Dizemos, enfim, que é "Rei dos corações", por causa daquela inefável "caridade que excede a toda a humana compreensão" (Ef 3, 19); e porque sua doçura e sua bondade atraem os corações: pois nunca houve, no género humano, e nunca haverá quem tanto amor tenha ateado como Cristo Jesus.

Cristo Deus-Homem Rei da Humanidade em sentido próprio

Aprofundemos sempre mais o nosso argumento. É manifesto que o nome e o poder de "Rei", no sentido próprio da palavra, competem a Cristo na sua Humanidade, porque só de Cristo enquanto homem é que se pode dizer que do Pai recebeu "poder, honra e realeza" (Dan 7,13-14). Enquanto Verbo, consubstanciai ao Pai, não pode deixar de Lhe ser em tudo igual e, portanto, de ter, como Ele, a suprema e absoluta soberania e domínio de todas as criaturas. (...).

Testemunho do Novo Testamento

Esta doutrina de "Cristo Rei", que acabamos de esboçar segundo os livros do Antigo Testamento, bem longe de apagar-se nas páginas do Novo, vem ali, ao invés, confirmada do modo mais esplêndido e em termos admiráveis. Bastará lembrar apenas a mensagem do Arcanjo à Virgem, a anunciar-lhe que dará à luz um Filho; a este Filho, Deus outorgará "o trono de David, seu pai, e reinará eternamente na casa de Jacob, e seu reino não terá fim" (Lc 1,32-33).

Ouçamos agora o testemunho do próprio Cristo no tocante à sua soberania. Sempre que se Lhe oferece ensejo, - no seu último discurso ao povo, sobre a recompensa e os castigos que, na vida eterna, aguardam os justos e os maus; na sua resposta ao governador romano que Lhe perguntara se era Rei; depois de sua ressurreição, quando confia aos Apóstolos a missão de instruírem e baptizarem todas as nações, - reivindica o título de "Rei" (Mt 25, 31-40), e publicamente declara que é "Rei" (Jo 18, 37) e que "todo poder Lhe foi dado no Céu e sobre a Terra" (Mt 28, 18). Que entende com isto, senão afirmar a extensão de sua potência, a imensidade do seu reino? À vista disto, deverá causar-nos estranheza que S. João o proclame "Príncipe dos reis da terra? (Apoc 1, 5) ou que, aparecendo o própria Jesus ao mesmo Apóstolo em suas visões proféticas "traga escrito no manto e na coxa; Rei dos reis e Senhor dos senhores"? (Apoc 19, 16). O Pai, com efeito, constituiu a Cristo "herdeiro de todas as coisas" (Heb 1, 1). Cumpre que reine até ao fim dos tempos, quando "tiver posto todos os seus inimigos sob os pés de seu Deus e Pai" (cf. 1 Cor 15,24-25).

(Papa Pio XI, Encíclica Quas Primas, nn. 4-8)

Blog  Ad te levavi
Arquivo