27 de Dezembro de 2015 - Sagrada Família de Jesus, Maria e José

Jesus Menino já nos ama a todos

1. No Evangelho de hoje, assistimos ao modo como Jesus revelou a Nossa Senhora e a S. José o conhecimento que tinha do plano de Deus, que Ele vinha realizar.

Jesus já tinha doze anos, e foi a Jerusalém pela primeira vez pela festa da Páscoa. Mas, quando a peregrinação terminou, Jesus ficou em Jerusalém, e só três dias depois é que os seus pais O encontraram.


Não foi por rebeldia nem por um capricho que Jesus procedeu assim: foi porque tinha uma missão a cumprir. E di-lo com toda a naturalidade a Nossa Senhora e a José: "Por que me procuráveis? Não sabíeis que Eu devia estar na casa de meu Pai?" (Lucas 2, 49). Se Jesus pergunta: "Não sabíeis...?", é porque, de facto, sabiam...

No entanto, embora o soubessem, o que aconteceu foi uma grande surpresa para ambos. Momentaneamente, "não entenderam as palavras que Jesus lhes disse" (Lucas 20, 50). Talvez se perguntassem como era possível que Jesus, que ainda pouco antes era um Menino, tivesse já uma consciência tão clara de Quem era, e de qual era a sua missão.

Embora sem perceber inteiramente, "sua Mãe guardava todos estes acontecimentos em seu coração" (Lucas 2, 51), isto é, levava-os à oração, falava deles com Deus, pedia ajuda, pedia forças, na intenção de continuar a dizer «sim» ao projecto de Deus, por mais surpreendente e exigente que ele se revelasse.

2. Mas o Evangelho de hoje diz-nos ainda que Jesus sabia quem era. No Templo, aqueles que O ouviam "estavam surpreendidos com a sua inteligência e as suas respostas". E não era só uma questão de saber muitas coisas. Jesus sabia quem era, e que tinha de estar "na casa do Pai" (Lucas 2, 49). Sabia também perfeitamente qual era a missão que o Pai Lhe tinha confiado. Deste seu saber dependeu sempre tudo o que disse e tudo o que fez.

E sabia-o desde sempre, como nos ensina a Igreja.

O Papa Pio XII disse-o de um modo muito belo na Encíclica Mystici Corporis:

"0 Filho unigénito de Deus já antes do princípio do mundo nos abraçou no seu infinito conhecimento e eterno amor. Amor que ele demonstrou palpavelmente e de modo verdadeiramente assombroso assumindo a nossa natureza em unidade de pessoa" (n. 74).

E também desde o primeiro instante da sua vida terrena nos conheceu e amou:

"Esse amorosíssimo conhecimento que o divino Redentor de nós teve desde o primeiro instante da sua encarnação, excede tudo quanto a razão humana pode alcançar; pois que Ele, pela visão beatífica de que gozou apenas concebido no seio da Mãe Santíssima, tem continuamente presente todos os membros do seu corpo místico e a todos abraça com amor salvífico. Ó admirável condescendência da divina bondade para connosco! Ó inconcebível ordem da imensa caridade! No presépio, na cruz, na glória sempiterna do Pai, Cristo vê e abraça todos os membros da Igreja muito mais claramente, com muito maioramordoquea mãe ao filho que tem no regaço, do que cada um de nós se conhece e ama a si mesmo".

Jesus recém-gerado no seio materno, Jesus recém-nascido, Jesus Menino, Jesus adolescente, Jesus na sua vida oculta em Nazaré, já nos ama a todos, como se tornará patente depois na vida pública, na sua Paixão e morte, e por fim na sua gloriosa ressurreição e ascensão aos Céus.

3. Deixemo-nos tocar hoje, em plena oitava do Natal, por esta verdade que, decorre do mistério da Encarnação e do Nascimento do Filho de Deus. Como é consolador olhar para Jesus Menino, e saber que já então me conhece, me compreende e me ama!

Contemplando os mistérios da Infância do Salvador, gostaremos de rezar assim:

Oh! Dulcíssimo Menino Jesus, conduzido a Jerusalém à idade de doze anos, procurado com dor pelos vossos Pais, e depois de três dias encontrado com suma alegria no templo entre os Doutores, tende piedade de nós.

Glória a Vós, Menino Jesus, da Virgem Mãe nascido, e ao Pai e ao Santo Espírito pelos séculos dos séculos. Amen.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo