19 de Junho de 2016 - Domingo XII do Tempo Comum

Seguir Jesus todos os dias

1. É muito bom que as coisas importantes sejam ditas, e não fiquem por dizer, por falta de tempo, por vergonha ou timidez. Jesus quis dar aos seus discípulos a oportunidade de tomarem consciência da graça da fé que já tinham, e de a poderem «dizer», de a poderem declarar, com toda a verdade, na sua presença.

Por isso lhes perguntou: "«Quem dizem as multidões Que eu sou?»" As multidões, aparentemente, andavam perto, andavam à volta, mas ainda não tinham chegado ao centro, ainda não tinham percebido que Jesus era único, que não era um profeta como os outros, que não havia mais ninguém como Ele.


Já os discípulos, pela graça de Deus, tinham um olhar completamente diferente, e por isso, quando Jesus lhes pergunta: "E vós, quem dizeis que Eu sou?", S. Pedro tomou a palavra em nome de todos, e respondeu: "És o Messias de Deus", o que significa: És o Salvador prometido, és Aquele que Deus escolheu e consagrou. Ou, com palavras mais simples: "«És o Filho de Deus vivo»" (Mateus 16, 16).

Como é que Pedro respondeu com tanta segurança e com tanta verdade? É simples: Pedro conhecia Jesus, conhecia muito bem a sua bondade, tinha ficado fascinado com a verdade das suas palavras, tinha experimentado o seu perdão, tinha presenciado a sua oração naqueles momentos em que Jesus orava sozinho, e, além de tudo isso, tinha visto os seus milagres! Como é Que ele podia dizer que Jesus era um profeta como outro qualquer? Não podia! A sua resposta nasce de um conhecimento e de uma experiência, não é uma resposta «ao calhas», não é uma frase feita, não exprime uma ideia vaga, exprime uma fé sincera e uma amor profundo que havia já no seu coração e no coração de todos os outros discípulos.

2. E o mesmo acontece connosco, graças a Deus. Quando dizemos que somos cristãos, sabemos perfeitamente o que estamos a dizer, também nós já experimentámos a verdade das palavras de Jesus, e já sentimos a sua bondade, a sua misericórdia, o seu perdão, e até os seus milagres, de tantos modos, na nossa vida. Há pessoas que dizem que não têm fé, que são agnósticas: possivelmente, nunca procuraram acolher a revelação que Jesus fez de Si mesmo, e falam da fé como uma ideia, ou como uma teoria, mas a fé, acima de tudo, é um assentimento, é um sim que dizemos, com toda a inteligência e com todo o coração, ao mistério de Jesus Cristo, tal como Ele mesmo no-lo quis revelar.

S. Paulo escreve aos Gálatas: "Todos vós, que fostes baptizados em Cristo, fostes revestidos de Cristo". Sim, todo o nosso ser está envolvido pela graça de Jesus, e isto não é apenas como um fato, como uma hábito ou uma túnica que se veste, é uma vida nova que nos é dada, e que se torna nossa. A vida de Jesus está em nós, e nós vivemos com Ele, por Ele e n'Ele. É esta a verdade sem fingimento, e é esta a nossa experiência.

Mas então, se a vida de Jesus está em nós, pela fé e pela graça, é evidente que temos de viver como Jesus. É impressionante que, depois da resposta de S. Pedro, Jesus anunciou-lhes que não se ia poupar a nenhum sofrimento, ia aceitar tudo o que fosse preciso, tudo o que teria de acontecer como consequência do seu amor do seu amor pelo Pai e do seu amor por nós: "«O Filho do homem tem de sofrer muito, tem de ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia»". Jesus sabe perfeitamente tudo o que Lhe vai acontecer, e aceita tudo, à partida. com uma fidelidade total, com um obediência incondicional ao Pai.

3. E depois, dirigindo-Se a todos, disse: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias, e siga-Me", Jesus pede-nos que não vivamos fechados em nós. Tomar a cruz significa estar disposto a dar a vida. Há pessoas que vivem só para as suas coisas, só para o seu trabalho, ou só para ter mais dinheiro, ou só para fazer mais esta ou aquela experiência. É uma vida que se fecha em si mesma, que se esgota em si mesma. Uma vida assim, mesmo que esteja cheia de coisas, torna-se vazia, não se realiza, perde-se, como diz Jesus.

Mas, ensinou também Jesus, "«quem perder a sua vida por minha causa, há-de salvá-la»". Perder a vida por causa de Jesus é aceitar que seja Jesus a revelar-nos o que é bom para nós, e não o que nos parecia, só com os nossos pobres critérios. Perder a vida por causa de Jesus é renunciar à ambição absorvente de querer ser bem sucedido no mundo, a todo o custo. É deixar de se preocupar excessivamente consigo próprio, e pensar no outro, tanto no matrimónio, como na dedicação exclusiva ao próximo por amor de Jesus.

É assim que nos encontramos, esquecendo-nos de nós. É assim que nos salvamos, aceitando «perder-nos», aceitando morrer em Jesus, para n'Ele encontramos a vida. Que a Virgem Maria, Mãe de Jesus, que conhece muito bem o segredo de uma vida entregue incondicionalmente, desde o primeiro instante, nos ajude a viver também assim. Não há outra maneira de ser feliz. já neste mundo!

Com Maria, queremos seguir Jesus, para um dia recebermos plenamente a sua vida, e contemplarmos para sempre o esplendor da sua vitória e a luz deslumbrante da sua glória, no Céu.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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