26 de Junho de 2016 - Domingo XIII do Tempo Comum

Compromisso incondicional

1. No Evangelho de hoje vemos Jesus a caminho de Jerusalém. Não vai em passeio nem simplesmente em peregrinação à Cidade Santa. Jesus sabe que vai a Jerusalém para morrer. A introdução de S. Lucas di-lo claramente: "Aproximando-se os dias de Jesus ser levado deste mundo, Ele tomou a decisão de Se dirigir a Jerusalém".


Não podia ter fugido, não podia ter voltado para trás? Podia, facilmente. Aliás, teve um bom pretexto. Numa terra da Samaria por onde teriam de passar, "aquela gente não O quis receber, porque ia a caminho de Jerusalém". A reacção dos discípulos é bastante violenta: «Senhor queres que mandemos descer fogo do céu que os destrua». Mas Jesus voltou-se e repreendeu-os. "E seguiram para outra povoação". Deram talvez uma volta maior, prosseguiram por estradas menos conhecidas, mas continuaram o seu caminho em direcção a Jerusalém. Jesus sabe que tem uma missão a cumprir, um plano a realizar. Nada O demove, nada O afasta do cumprimento desse plano, que o Pai Lhe confiou.

Jesus não consente na intolerância dos discípulos em relação aos que não O quiseram receber. Não deixou que mandassem vir «fogo do céu» para os destruir. Aceitou essa humilhação de não ser recebido pelos samaritanos e, em silêncio, podemos supô-lo, rezou por eles. Em alguns manuscritos antigos atribuem-se ainda a Jesus estas palavras, dirigidas aos discípulos: "Não sabeis de que espírito sois. O Filho de Deus do Homem não veio para perder os homens, veio para os salvar".

2. É muito importante ter presente esta atitude de Jesus, sobretudo diante de pessoas com cujo pensamento não estejamos de acordo, ou cuja actuação não possamos aceitar. Imitando Jesus, não os podemos rejeitar, não o podemos condenar. Embora não aceitemos as ideias, embora não possamos concordar com as atitudes, embora discordemos totalmente dos comportamentos e até das leis que, em muitos casos, legalizam estes comportamentos, não rejeitamos as pessoas. Nunca desistimos de ninguém.

No Evangelho de hoje vemos também que Jesus, não tendo admitido a intolerância dos discípulos em relação aos outros, foi de uma enorme exigência em relação aos seus. A alguns "candidatos" a discípulos que ainda estavam hesitantes, Jesus pede-lhes um compromisso sem condições. O anúncio do Reino de Deus é a grande urgência. Por ela, os discípulos têm que estar dispostos a renunciar a si mesmos, ao seu tempo, às suas coisas, às suas comodidades. aos seus hábitos, aos seus gostos e até relativizar certos laços humanos, mesmo os mais sagrados.

É talvez isto que nos falta: comprometer-nos sem condições. Há muitos cristãos que têm fé, mas alimentam a secreta esperança de que Jesus não lhes peça muito. Se lhes pedir um pouco mais, afastam-se discretamente de cena.

Mas Jesus pede-nos muito. E, em nome de Jesus, também eu sinto o dever de vos pedir muito: são necessários catequistas, cantores para o coro, mensageiros de zona ou de rua, visitadores para famílias mais necessitadas, voluntários para o acolhimento. Tudo isto dá trabalho e exige esforço: não tenham medo, venham!

3. Noutro plano, é urgente quem aceite ser como Eliseu, chamado para ser profeta em lugar de Elias: Quem aceite a vocação para o serviço do sacerdócio ou para a dedicação missionária, ou quem se disponha a entregar-se a Deus no meio do mundo, Segundo o chamamento recebido, Jesus só admite uma resposta: o nosso compromisso. É para isto que somos livres, como dizia S, Paulo: "Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou".

Somos livres para nos deixarmos conduzir pelo Espírito Santo. Somos livres, não para fazer o que nos apetece, mas para nos entregarmos sem reservas. E depois, os sacrifícios, nem se notam; as renúncias, nem sentem: só se sente a alegria de ir atrás de Jesus, de dar a vida com Ele, de dar a vida por Ele.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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