11 de Setembro de 2016 - Domingo XXIV do Tempo Comum

Deixamo-nos encontrar por Jesus?

1. Há muitos momentos na vida em que os seres humanos se podem sentir perdidos, ou então esquecidos, isolados, desprezados. Quem é capaz de vir ao encontro de um homem ou de uma mulher que, pelos seus problemas, pelas suas culpas ou pela sua condição de vida, todos rejeitam?

Só alguém que tenha um coração em que todos caibam, um coração capaz de os acolher, escutar, corrigir, consolar e perdoar. Foi o que fez Jesus, como nos relata S. Lucas, e só Ele o podia ter feito, e só Jesus ressuscitado o pode continuar a fazer hoje.


Quem se encontra com Jesus, experimenta uma proximidade que não encontra em mais ninguém, mas que não é simples tolerância, não é cumplicidade com as nossas fraquezas e misérias: é amor que perdoa, purifica e renova.

Hoje, no Evangelho, S. Lucas diz-nos que "os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem". Eram pessoas que, por diversas razões, todos os outros desprezavam. Alguns tinham enriquecido ilicitamente. Outros, provavelmente, não cumpriam os principais deveres da Lei de Moisés.

Mas vinham todos ouvir Jesus! A sua palavra era diferente. Era uma palavra amiga, calorosa, não era fria, nem distante, nem formal; quando ouviam Jesus, sentiam-se acolhidos, compreendidos, e ao mesmo tempo sentiam-se desafiados a mudar. Jesus falava-lhes de Deus, e da possibilidade de uma vida diferente. À volta de uma mesa ou num diálogo mais íntimo poderiam reconhecer com sinceridade e arrependimento os erros da sua vida. E muitos, de certeza, partiram desse encontro com Jesus, purificados e decididos a começar de novo.

2. S. Paulo dizia, na 2ª leitura: "Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, e eu sou o primeiro deles. Mas alcancei misericórdia. para que em mim, primeiramente. Jesus Cristo manifestasse a sua magnanimidade". Paulo reconhece que foi "blasfemo, perseguidor e violento". Sim, foi tudo isso, mas alcançou misericórdia! E quem não necessita de alcançar misericórdia? E quem nos pode oferecer esta misericórdia, a não ser Jesus Cristo, Filho e Deus? Só Ele a pode dar aos homens da parte do Pai. Só d'Ele nos pode vir uma graça mais poderosa do que todo o mal, uma graça superabundante, como diz S. Paulo, "com a fé e a caridade que temos em Cristo Jesus" .

Nós precisamos do verdadeiro Jesus, como O apresentam nos Evangelhos aqueles que O viram e ouviram, ou que recolheram zelosamente os seus testemunhos, como aconteceu com S. Lucas. Precisamos de Jesus, Filho de Deus, que se aniquilou a Si mesmo, para nos revelar o infinito valor que cada ser humano, mesmo quando é frágil e pecador, tem aos olhos de Deus Pai.

Para nos confirmar nesta certeza, e também para responder aos seus adversários, Jesus contou três parábolas muito belas: a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho perdido. Nas duas primeiras parábolas, que hoje lemos, Deus é representado na atitude de vir à procura do pecador. Foi isto, precisamente, que o Filho de Deus veio fazer ao mundo: veio à nossa procura, e não desiste de nos procurar, a cada um e a todos, e é grande a sua alegria quando nos encontra, e correspondemos ao seu amor.

3. Moisés, como ouvimos na 1ª leitura, intercedeu confiadamente pelo seu povo, e foi escutado por Deus. Foi uma hora muito intensa e admirável. Mas Jesus, Filho de Deus, fez-Se homem como nós, e ofereceu a sua vida por nós. Com toda a justiça e com profunda gratidão fazemos nossa esta aclamação de S. Paulo, dirigida ao nosso Redentor: "Ao Rei dos séculos, Deus imortal, invisível e único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amen".

Mas devemos ainda perguntar, muito sinceramente: deixamo-nos encontrar por Jesus? Para que este encontro aconteça, não apenas sob a forma de um bonito desejo, mas de facto, no mais íntimo do nosso ser e na verdade da nossa vida, desafio cada um a recorrer com mais frequência ao sacramento da Confissão ou Reconciliação. É muito importante que cada um de nós se confesse com frequência e, se possível, ao mesmo sacerdote, para que nos possa conhecer e ajudar melhor.

A fé diz-nos, e a Igreja ensina-nos expressamente que, através do sacerdote, é Jesus que nos fala e nos perdoa. Cada confissão sacramental é um encontro com Cristo vivo, que nos abraça e nos restitui - ou aumenta - a comunhão com Ele, na sua Igreja. É um momento único e decisivo na conversão constante a que somos chamados. Faz-nos sentir como somos: conhecidos e amados. E depois, a experiência do perdão e da misericórdia Que fazemos, torna-nos mais disponíveis para perdoar aos outros, sempre Que for necessário, e para os amar e servir com os mesmos sentimentos de Jesus.

Só o amor e a misericórdia de Jesus poderão transformar este mundo, e fazer dele um mundo de justiça e de paz. É o que queremos pedir hoje confiadamente por intercessão de Maria, Nossa Senhora, refúgio dos pecadores e Mãe de misericórdia.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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