9 de Outubro de 2016 - Domingo XXVIII do Tempo Comum

Que significa crer?

Que significa crer?

Quando professamos a nossa fé, começamos por dizer: «Creio», ou «Cremos». Portanto, antes de expor a fé da Igreja, tal como é confessada no Credo, celebrada na liturgia, vivida na prática dos mandamentos e na oração, perguntemos a nós mesmos o que significa «crer».

A fé é a resposta do homem a Deus, que a ele Se revela e Se oferece, resposta que, ao mesmo tempo, traz uma luz superabundante ao homem que busca o sentido último da sua vida (Catecismo da Igreja Católica, n. 26).


Mestre de Flémalle, Cristo a abençoar a Virgem em oração (c. 1424)

Deus revela-Se

Pela razão natural, o homem pode conhecer Deus com certeza, a partir das suas obras. Mas existe outra ordem de conhecimento, que o homem de modo nenhum pode atingir por suas próprias forças: a da Revelação divina.

Por uma vontade absolutamente livre, Deus revela-Se e dá-Se ao homem. E o modo como o faz é revelando o seu mistério, o desígnio benevolente que, desde toda a eternidade, estabeleceu em Cristo, em favor de todos os homens. Revela plenamente o seu desígnio, enviando o seu Filho bem-amado, nosso Senhor Jesus Cristo, e o Espírito Santo (Catecismo da Igreja Católica, n. 50)

A transmissão da Revelação divina

Deus dispôs amorosamente que permanecesse íntegro e fosse transmitido a todas as gerações tudo Quanto tinha revelado para salvação de todos os povos (Catecismo da Igreja Católica, n. 74).

A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras:

- Oralmente, «pelos Apóstolos, que, na sua pregação oral, exemplos e instituições, transmitiram aquilo Que tinham recebido dos lábios, trato e obras de Cristo, e o que tinham aprendido por Inspiração do Espírito Santo»;

- Por escrito, «por aqueles apóstolos e varões apostólicas que, sob a Inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação» (Catecismo da Igreja Católica, n. 76)

«A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração do Espírito divino».

«A sagrada Tradição, por sua vez, conserva a Palavra de Deus, confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, e transmite-a integralmente aos seus sucessores, para que eles, com a luz do Espírito da verdade, fielmente a conservem, exponham e difundam na sua pregação» (Catecismo da Igreja Católica, n. 81)

Daí resulta que a Igreja, a quem está confiada a transmissão e Interpretação da Revelação, «não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito de todas as coisas reveladas. Por isso, ambas devem ser recebidas e veneradas com igual espírito de piedade e reverência» (Catecismo da Igreja Católica, n. 83)

A resposta do homem a Deus

Pela sua revelação, «Deus invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele». A resposta adequada a este convite é a fé (Catecismo da Igreja Católica, n.142).

Pela fé, o homem submete completamente a Deus a inteligência e a vontade; com todo o seu ser, o homem dá assentimento a Deus revelador. A Sagrada Escritura chama «obediência da fé» a esta resposta do homem a Deus revelador(Catecismo da Igreja Católica, n.143).

A «obediência da fé»

Obedecer (ob-audire) na fé é submeter-se livremente à palavra escutada, por a sua verdade ser garantida por Deus. que é a própria verdade. Desta obediência, o modelo que a Sagrada Escritura nos propõe é Abraão. A sua realização mais perfeita é a da Virgem Maria (Catecismo da Igreja Católica, n.144 ).

Maria - «Feliz aquela que acreditou»

A Virgem Maria realiza, do modo mais perfeito, a «obediência da fé». Na fé, Maria acolheu o anúncio e a promessa trazidos pelo anjo Gabriel, acreditando que «a Deus nada é impossível» (Lc 1,37) (9) e dando o seu assentimento: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Isabel saudou-a: «Feliz aquela Que acreditou no cumprimento de quanto lhe foi dito da parte do Senhor» (Lucas 1,45). É em virtude desta fé que todas as gerações a hão-de proclamar bem-aventurada (Catecismo da Igreja Católica, n.148.).

Durante toda a sua vida e até à última provação, quando Jesus, seu filho, morreu na cruz, a sua fé jamais vacilou. Maria nunca deixou de crer «no cumprimento» da Palavra de Deus. Por isso, a Igreja venera em Maria a mais pura realização da fé (Catecismo da Igreja Católica, n. 149).

Com data de 6 de Outubro, dia de Nossa Senhora do Rosário, o Senhor Cardeal Patriarca escreveu uma carta a todos os diocesanos do Patriarcado de Lisboa, pedindo que apoiemos com a nossa oração o próximo Sínodo Diocesano, que vai reunir-se de 30 de Novembro a 4 de Dezembro próximos.

Assim termina a sua Carta:

Reforcemos a todos os níveis - pessoal, familiar e comunitário - a oração pelo Sínodo e os seus frutos. Como indica o Papa Francisco, façamo-lo em chave mariana, para que com Maria aprendamos Cristo e O testemunhemos como agora importa e tanto urge. Repetindo a oração que temos feito desde o início da nossa caminhada sínodal de Lisboa:

Maria, Mãe da Igreja, ajudai-nos a dizer o nosso 'sim'. Dai-nos a audácia de buscar novos caminhos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga. Virgem da escuta e da contemplação, intercedei pela nossa Igreja de Lisboa, em caminho sinodal, para que nunca se feche nem se detenha na sua paixão por instaurar o Reino. Estrela da nova evangelização, ajudai­nos a resplandecer com o testemunho da comunhão, do serviço, da fé ardente e generosa, da justiça e do amor aos pobres, para que a alegria do Evangelho chegue até aos confins da terra e nenhuma periferia fique privada da sua luz. Mãe do Evangelho vivo, manancial de alegria para os pequeninos, rogai por nós. Amen.

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