23 de Outubro de 2016 - Domingo XXX do Tempo Comum

Sair "justificados"

É bom vir à Igreja, mesmo tendo pecados. É bom vir à Missa, mesmo não podendo comungar. Mesmo não tendo coragem de levantar os olhos para Deus, o publicano veio ao Templo, e fez a sua oração.

Se fosse hoje, e entrasse numa igreja, talvez procurasse logo ver onde estava o sacerdote, no Confessionário, para se poder confessar dos seus pecados e ser absolvido. E então sentiria uma enorme alegria, e já poderia receber sacramentalmente o próprio Jesus Cristo, na comunhão.


É verdade que há várias circunstâncias da vida em que a pessoa não só não pode comungar. mas nem mesmo se pode confessar. Mas, mesmo que isso aconteça, ninguém deve deixar de vir ao "Templo", ninguém deve deixar de entrar na Igreja para fazer a sua oração, ninguém deve deixar de vir à Missa todos os domingos.

Se não puder comungar, pode fazer uma comunhão espiritual. Pode ver e adorar Jesus na Hóstia consagrada e no Cálice do seu Sangue precioso. Pode ouvir o Evangelho e as outras leituras da Sagrada Escritura. Pode fazer a sua oração: em silêncio e também juntando a sua voz à voz e à oração de todos os outros irmãos na fé.

É preciso vir: talvez para inclinar a cabeça, com um grande sentimento de indignidade, mas também para levantar os olhos, confiadamente, para o nosso salvador, Jesus Cristo.

Amigo, ivem sempre! Vem, para pedir perdão, para suplicar confiadamente e também para agradecer. Vem sempre, com a humildade do publica no, porque a soberba do fariseu não deixa a graça de Deus entrar. E vem com propósitos de emenda, com desejos de transformação. Com o propósito de arrancar da tua vida tudo aquilo que hoje não te deixa comungar. Para que possas voltar a receber de novo Jesus já amanhã, ou no próximo domingo. Sem adiar. Sem prolongar mais esse afastamento.

O que é necessário para se confessar - e se confessar bem? O padre Antonio Royo Marín escreve: "Em primeiro lugar, acercar-nos-emos do tribunal da penitência em cada ocasião como se aquela fosse a última confissão de nossa vida, como preparação imediata para o viático e o juízo de Deus. Deve-se combater com energia o espírito de rotina, não se confessando por mero costume de fazê-lo a cada tantos dias, mas empregando o máximo empenho em conseguir, com a graça de Deus, uma verdadeira conversão e renovação de nossa alma".

E como deve ser a confissão propriamente dita? São Tomás resume, em alguns versos, quais devem ser as qualidades da boa acusação: «Sit simplex, humilis confessio, pura, fidelis, atque vera, frequens, nuda, discreta, libens, verecunda, integra, secreta, lacrimabilis, accelerata, fortis et accusans, et sit parere parata» - Seja simples, humilde a confissão, pura, fiel, frequente, clara, discreta, voluntária, verdadeira, íntegra, secreta, lacrimosa. pronta, forte, acusadora e disposta a obedecer".

Destas dezesseis qualidades, destaque-se os termos "humilde" - pois o penitente deve colocar-se diante de Deus como quem não merece nada -, "íntegra" - pois os pecados mortais devem ser confessados integralmente e na maior precisão numérica possível - e "frequente" - pois, sendo um meio eficacíssimo de santificação, deve ser procurado continuamente, assim como o procuraram os grandes santos.

Teremos assim a esperança de sair "justificados", aceitando o dom da salvação, que incessantemente Deus, por seu Filho, Jesus Cristo, nos oferece, na sua Igreja.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo