30 de Outubro de 2016 - Domingo XXXI do Tempo Comum

Quando Jesus passa

Muitas pessoas gostariam de mudar a sua vida, mas não sabem como. Sentem que a sua vida, assim como está, não as satisfaz, não em termos materiais, mas em termos de sentido. No entanto, não têm forças para mudar, e deixam-se ficar nessa situação. Podem ser pessoas casadas em que o marido não tem tempo para a mulher, ou a mulher não tem tempo para o marido, e um (ou os dois) não têm tempo para os filhos; podem ser pessoas casadas, ou solteiras, ou até viúvas, que não já não conseguem ter tempo para Deus... Passam meses, passam anos, e tudo continua na mesma.


Muitas pessoas gostariam de mudar a sua vida, mas não sabem como. Sentem que a sua vida, assim como está, não as satisfaz, não em termos materiais, mas em termos de sentido. No entanto, não têm forças para mudar, e deixam-se ficar nessa situação. Podem ser pessoas casadas em que o marido não tem tempo para a mulher, ou a mulher não tem tempo para o marido, e um (ou os dois) não têm tempo para os filhos; podem ser pessoas casadas, ou solteiras, ou até viúvas, que não já não conseguem ter tempo para Deus... Passam meses, passam anos, e tudo continua na mesma.

Noutros casos, pode ser uma situação de falta de empenhamento no trabalho, ou pode ser um hábito que prejudica a saúde, ou até um vício, ou tantos outras situações, que se vão arrastando, e o tempo passa, e a insatisfação mantém-se, mas falta a coragem, e, apesar de sentir intimamente a incoerência dessa situação, a pessoa não muda.

E em todos nós existe este desejo de mudança, nem que seja somente em coisas pequenas, em tantos pormenores da nossa relação com os outros ou com Deus, mas por vezes sentimos que não somos capazes, a não ser que aconteça uma coisa: que Jesus passe pela nossa vida, e entre na nossa casa. Só Jesus Cristo pode verdadeiramente operar em nós esta mudança, de que todos necessitamos, e que todos desejamos.

Esta mudança aconteceu um dia, inesperadamente, na vida de Zaqueu, como nos conta hoje o Evangelho de S. Lucas. Mas também não aconteceu por acaso. Em primeiro lugar, "Jesus entrou em Jericó", onde Zaqueu vivia, "e começou a atravessar a cidade", Jesus percorre a cidade na intenção de levar a todos a misericórdia de Deus. Jesus vem à procura dos que estão perdidos, para os salvar. Ele próprio o diz, no fim deste episódio: "«O Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido»"

Por sua vez, por parte de Zaqueu, havia, não uma simples curiosidade, mas um sincero desejo de ver Jesus. Apesar de ser um homem rico e poderoso, não se envergonhou de subir a um sicómoro, (que é uma espécie de figueira), "para ver Jesus, que havia de passar por ali".

E foi então que ouviu estas palavras de Jesus, que o encheram de alegria: "«Zaqueu, desce depressa, que Eu hoje devo ficar em tua casa»", É este o plano do Pai, que Jesus, Deus e homem verdadeiro, quer incessantemente realizar: entrar na nossa casa, entrar na nossa vida, curar-nos, libertar-nos, salvar­nos, dar-nos uma vida nova, uma nova esperança, uma nova alegria.

Foi desse modo que aconteceu a conversão de Zaqueu, radical, total, fulgurante. Ao acolher Jesus, decidiu mudar de vida e reparar todo o mal que tinha feito: "«Senhor, vou dar aos pobres metade dos meus bens e, se causei qualquer prejuízo a alguém, restituirei quatro vezes mais»". A lei judaica não o obrigava a tanto, mas ele quis ultrapassar a lei, porque tinha finalmente encontrado a alegria, tinha encontrado a paz, a verdade da vida.

E então o hoje de Deus converge com o hoje do homem, como lhe diz Jesus solenemente: "«Hoje entrou a salvação nesta casa...»" Graças à vontade de Jesus de estar com Zaqueu, e graças ao acolhimento de Jesus por parte de Zaqueu e à sua mudança de vida, a salvação veio para Zaqueu e para toda a sua família. Mas não sem uma mudança radical! Não há salvação sem mudança, não há salvação sem conversão.

Nós próprios desejamos receber Jesus na nossa casa, isto é, no mais íntimo de nós mesmos, e podemos fazê-lo de muitos modos, sobretudo na Santíssima Eucaristia e na comunhão sacramental.

S. João Maria Vianney, o Santo Cura de Ars, disse um dia, numa homilia de 5ª Feira Santa, referindo-se aos efeitos da Eucaristia: "Se sofremos penas e desgostos, Ele alivia-nos e consola-nos. Se ficamos doentes, é o nosso remédio, ou então dá-nos forças para sofrer, a fim de merecermos o céu. Se o demónio ou as paixões nos fazem guerra, dá-nos armas para lutar, para resistir e para alcançar vitória, Se somos pobres, enriquece-nos com toda a espécie de bens, no tempo e na eternidade".

Um admirável bispo do séc.II, Santo Inácio de Antioquia, que foi mártir em Roma, no ano 107, escreveu numa das suas cartas: A Eucaristia "é medicina de imortalidade, antídoto para não morrer, remédio para viver em Jesus Cristo para sempre". A Eucaristia é fonte incessante de uma vida nova, e fundamento da conversão constante que queremos viver. É a presença de Jesus em nós que torna possível essa conversão radical"que sinceramente desejamos.

Zaqueu estava perdido, mas foi encontrado e salvo pelo Filho de Deus, Jesus Cristo. O mesmo aconteceu connosco, e não só uma, mas muitas vezes, e aé constantemente! Com grande confiança, peçamos hoje que a alegria deste encontro com Jesus e da mudança profunda que a sua presença trouxe à nossa vida. se reflicta no modo como vivemos e estamos com os outros. E que todos desejem igualmente abrir as portas da sua casa a Jesus Cristo, e O recebam com amor, e a sua vida comece de novo, com a força da misericórdia que hoje continua a jorrar da fonte inesgotável que é o seu Coração trespassado na cruz.

Com a amizade em Cristo do
Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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