20 de Novembro de 2016 - Domingo XXXIV do Tempo Comum

A vitória da cruz

Entre os personagens da Paixão de Cristo com quem podemos identificar-nos, há um que, mais do que ninguém, espera quem lhe siga o exemplo: o bom ladrão.


O bom ladrão faz uma confissão completa dos pecados; diz ao seu companheiro que insulta Jesus: "Não temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo das nossas más acções. Mas Ele nada praticou de condenável" (Lucas 23, 40 ss.). O bom ladrão mostra-se aqui um excelente teólogo. Se o Filho de Deus sofre, sofre absolutamente como inocente; qualquer outro ser que sofre, deve dizer: "Eu sofro com justiça, " porque, mesmo que não seja responsável pela acção imputada, nunca está totalmente sem culpa. Só a dor das crianças inocentes é semelhante à dor de Jesus, e por isso é tão misteriosa e tão sagrada.

Quantos crimes atrozes que permanecem, nos últimos tempos, sem culpados, quantos casos não resolvidos! O bom ladrão faz um apeio aos responsáveis: façam como eu, venham à luz, confessem a vossa culpa; experimentareis também vós a alegria que eu senti quando ouvi a palavra de Jesus: "Hoje estarás comigo no paraíso!" (Lucas 23, 43). Quantos réus confessos podem confirmar que foi assim também para eles: que passaram do inferno às portas do paraíso, no dia que tiveram a coragem de arrepender-se e confessar a sua culpa. Eu também conheci alguns. O paraíso prometido é a paz da consciência, a possibilidade de alguém se olhar ao espelho ou olhar para os próprios filhos sem ter que desprezar-se.

Não carreguem convosco até o túmulo o vosso segredo; encontraríeis uma condenação muito mais temível do que aquela humana. O nosso povo não é cruel com quem errou mas reconhece o mal feito, sinceramente, não somente por algum interesse. Pelo contrário! Está pronto para ter pena e acompanhar o arrependido no seu caminho de redenção (que de qualquer forma, se torna mais curto). "Deus perdoa muitas coisas, por uma obra boa", diz uma personagem do romance "Os Noivos". Ainda mais, devemos dizer, que ele perdoa muitas coisas por um acto de arrependimento. Ele prometeu solenemente: "Mesmo que os vossos pecados sejam como escarlate, tornar-se-ão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o escarlate, tornar-se-ão como brancos a lã" (Is 1, 18).

Continuemos a fazer o que, como escutamos no início, é a nossa tarefa neste dia: com vozes de alegria exaltemos a vitória da cruz, entoemos hinos de louvor ao Senhor. "O Redemptor, sume carmen temet concinentium"( Hino do Domingo de Ramos e da Missa crismal da Quinta-feira Santa): Ó Redentor, escutai o canto dos fiéis que elevam a Vós os seus hinos.

(De uma homilia do Padre Raniero Cantalamessa, pregador da Casa Pontifícia,
por ocasião da celebração da Paixão do Senhor, em 6/4/2012).

Blog  Ad te levavi
Arquivo