27 de Novembro de 2016 - Domingo I do Advento

«Chegou a hora de nos levantarmos do sono»

Hoje é o 1º Domingo do Advento, em breve será Natal. Todos sabemos que muita gente vive sem Deus, ou não conhece Jesus, e portanto não faz ideia do que é o Natal. Que podemos fazer? Testemunhar. Anunciar. A isso se chama: apostolado.


" A Igreja nasceu para tornar todos os homens participantes da redenção salvadora e, por eles, ordenar efectivamente a Cristo o universo inteiro, dilatando pelo mundo o seu reino para glória de Deus Pai. Toda a actividade do Corpo místico que a este fim se oriente, chama-se apostolado. A Igreja exerce-o de diversas maneiras, por meio de todos os seus membros, já que a vocação cristã é também, por sua própria natureza, vocação ao apostolado" (Concílio Vaticano II, Decreto Apostolicam actuositatem sobre o apostolado dos leigos, n. 2).

" Existe na Igreja diversidade de funções, mas unidade de missão. Aos Apóstolos e seus sucessores, confiou Cristo a missão de ensinar, santificar e governar em seu nome e com o seu poder. Mas os leigos, dado que são participantes do múnus sacerdotal, profético e real de Cristo, têm um papel próprio a desempenhar na missão do inteiro Povo de Deus, na Igreja e no mundo. Exercem, com efeito, o apostolado com a sua acção para evangelizar e santificar os homens e para impregnar e aperfeiçoar a ordem temporal com o espírito do Evangelho" (ibid., n. 2).

" A missão da Igreja tem como fim a salvação dos homens, a alcançar pela fé em Cristo e pela sua graça. Por este motivo, o aposto lado da Igreja e de todos 05 seus membros ordena-se, antes de mais, a manifestar ao mundo, por palavras e obras, a mensagem de Cristo, e a comunicar a sua graça. Isto realiza-se sobretudo por meio do ministério da palavra e dos sacramentos, especialmente confiado ao clero, no qual também os leigos têm grande papel a desempenhar, para se tornarem «cooperadores da verdade» (3 Jo. 8). É sobretudo nesta ordem que o apostolado dos leigos e o ministério pastoral se completam mutuamente".

" Inúmeras oportunidades se oferecem aos leigos para exercerem o aposto lado de evangelização e santificação. O próprio testemunho da vida cristã e as obras, feitas com espírito sobrenatural, têm eficácia para atrair os homens à fé e a Deus; diz o Senhor: «Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, de modo que vejam as vossas boas obras e dêem glória ao vosso Pai que está nos céus» (Mt. 5, 16)".

" Este apostolado, contudo, não consiste apenas no testemunho da vida; o verdadeiro apóstolo busca ocasiões de anunciar Cristo por palavra, quer aos não crentes para os levar à fé, quer aos fiéis, para os instruir. confirmar e animar a uma vida fervorosa; «com efeito, o amor de Cristo estimula-nos» (2 Cor. 5, 14); e devem encontrar eco no coração de todos aquelas palavras do Apóstolo: «ai de mim, se não anunciar o Evangelho» (1 Cor. 9,16)" (ibid., n. 6).

E no entanto... "Hoje o apelo à conversão, que os missionários dirigem aos não cristãos, é posto em discussão ou facilmente deixado no silêncio. Vê-se nele um acto de « proselitismo »; diz-se que basta ajudar os homens a tornarem-se mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalharem pela justiça, pela liberdade, pela paz, e pela solidariedade. Esquece-se, porém, que toda a pessoa tem o direito de ouvir a «Boa Nova» de Deus que se revela e se dá em Cristo, para realizar em plenitude a sua própria vocação. A grandeza deste evento ressoa nas palavras de Jesus à samaritana: «Se tu conhecesses o dom de Deus», e no desejo inconsciente. mas intenso da mulher: «Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede» (Jo 4,10.15)(5. João Paulo II, Redemptoris missio, 7 de Dezembro de 1990, n. 46).

É inegável que no período post-conciliar houve uma queda intensa do espírito missionário e da actuação apostólica, à qual Bento XVI tentou dar remédio com o Sínodo sobre a Nova Evangelização de 2012 e antes dele S. João Paulo II com a encíclica Redemptoris missio, de 1990.

Também agora o Papa Francisco nos acalenta com "o sonho missionário de chegar a todos" (Evangelii Gaudium, n. 31). Mas dos sonhos é preciso acordar e passar à acção.

Também S. Paulo nos diz: "Vós sabeis em que tempo estamos: Chegou a hora de nos levantarmos do sono" (Rom 13, 1). É isso que, na sua sábia pedagogia, reflectida na Liturgia, a Igreja nos pede. Acordar e agir. Anunciar, convidar, desafiar. E, antes disso, pedir, suplicar, e depois agradecer.

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