12 de Fevereiro de 2017 - Domingo VI doTempo Comum

O coração da família

No momento presente da Igreja, talvez não haja nenhum assunto mais importante para considerarmos, do que a verdade sobre o matrimónio. Num mundo em que a integridade do casamento tem estado debaixo de fogo desde há décadas, a Igreja manteve-se como um fiel arauto da verdade sobre o plano de Deus para o homem e a mulher na união fiel, indissolúvel e fecunda do matrimónio. Na actualidade, certamente sob a pressão de uma cultura totalmente secularizada, uma crescente confusão e até mesmo graves erros entraram no interior da própria Igreja, o que poderá enfraquecer seriamente, se não mesmo comprometer totalmente o testemunho da Igreja, com grave prejuízo de toda a sociedade.


Ao reconhecer o poder evangelizador insubstituível da família em toda a sociedade, a Igreja será ainda mais impelida a dedicar-se a salvaguardar e promover a verdade da vida do matrimónio e da família.

É muito claro que, se uma nova evangelização não estiver a acontecer nos matrimónios e na família, então não terá lugar na igreja ou na sociedade, em geral. Ao mesmo tempo, os casais e as famílias transformados pelo Evangelho serão o primeiro e mais poderoso agente de transformação da sociedade pelo Evangelho.

No coração do matrimónio e da vida familiar está o culto divino [principalmente na Missa de Domingo] e a oração, que dão forma a todos os outros aspectos da vida. O culto divino, que é a maior e mais perfeita expressão de nossa vida em Cristo, é como que o coração da vida familiar. No culto prestado a Deus, na oração e na devoção, a família recebe o poder de evangelizar e, ao mesmo tempo, evangeliza o mundo da forma mais eficaz que é possível imaginar.

Hoje, muitas vezes, uma certa noção de tolerância relativamente a maneiras de pensar e agir contrárias à lei moral parece ser a chave interpretativa para muitos cristãos. A noção popular de tolerância não está certamente fundamentada na tradição moral, e no entanto tende a dominar a nossa abordagem, a tal ponto que nos dizemos cristãos, ao mesmo tempo que toleramos formas de pensar e agir que são diametralmente contrárias à lei moral tal como nos foi revelada por Deus, na natureza e na Sagrada Escritura. A abordagem, por vezes, torna-se tão relativista e subjectiva, que nem sequer observamos o princípio lógico fundamental da não-contradição, quer dizer, que uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo. Por outras palavras, certas acções não podem ser ao mesmo tempo verdadeiras em relação à lei moral, e não fiéis a ela.

Na verdade, só a caridade deve ser a chave de interpretação dos nossos pensamentos e das nossas acções. Num contexto de caridade, a tolerância significa amor incondicional pela pessoa que está envolvida no mal - [por exemplo, uma situação de infidelidade ou adultério ou uma relação pseudo-conjugal de duas pessoas do mesmo sexo] - mas firme rejeição do mal em que a pessoa caiu. O primeiro elemento constitutivo da lei moral é a verdade sobre a inviolabilidade da vida humana inocente e a integridade da união conjugal do homem e da mulher, que está inscrita no mais íntimo de cada consciência humana.

Nos dias de hoje, o nosso testemunho do esplendor da verdade a respeito do matrimónio, deve ser límpido e heroico.

Devemos estar prontos para sofrer, como os cristãos sofreram através dos séculos, para honrar e promover o sagrado matrimónio.

Tomemos como nossos modelos e intercessores S. João Baptista, [S. João de Brito], S. João Fisher e S. Tomás Moro, que foram Mártires na defesa da integridade, da fidelidade e da indissolubilidade do matrimónio.

Excertos de uma conferência do Cardeal Raymond Burke, Patrono da Soberana Ordem de Malta, em Inglaterra (29.05.2016)

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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