19 de Março de 2017 - Domingo III da Quaresma

A Samaritana que se tornou evangelizadora

«A mulher, pois, deixou a bilha, e correu à cidade» (João 4, 28).

Comenta S. Tomás de Aquino:

Após ter sido instruída por Cristo, a samaritana fez um trabalho de apóstolo. Três coisas podemos sublinhar das suas palavras e actos.


1. A devoção que sentia, e manifestou pelos dois modos seguintes:

a) Movida por intensa devoção, a samaritana como que se esqueceu da razão pela qual viera à fonte e abandonou água e bilha. É o que diz o texto: "deixou a bilha, e correu à cidade", para anunciar a grandeza de Cristo, sem cuidar das necessidades do corpo. Nisso seguiu o exemplo dos Apóstolos que, após terem tudo deixado para trás, seguiram o Senhor. (...)

b) A intensidade de sua devoção manifesta-se ainda pela multidão daqueles a quem anuncia o Messias, pois não foi a um, nem a dois ou três, mas a toda a cidade.

2. A qualidade de sua pregação: Ue disse àquela gente: Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz".

a) Ela convida todos a ver o Messias, Cristo: "Vinde ver um homem". Ela não diz imediatamente para que viessem ao encontro do Messias, para não dar ocasião a blasfémias; pelo contrário, começa por dizer coisas que eram credíveis e patentes, a saber, que era um homem, que todos poderiam ver. Ela não diz: crede, e sim: vinde ver, pois sabiam que, se bebessem daquela fonte, vendo-o, experimentariam o mesmo que ela experimentou. Por fim, a samaritana segue o exemplo do verdadeiro pregador, e não chama os homens para si, mas para Cristo.

b) Oferece uma prova da divindade de Cristo, ao dizer: "que me disse tudo o que eu fiz" . Ela não se envergonha de contar aquilo que lhe é motivo de confusão, pois a alma abrasada com o fogo divino já não se importa com nada de terreno, nem com a glória, nem com a vergonha, mas apenas com essa chama que nela arde.

c) Conclui confessando a majestade de Cristo, ao dizer: "Não será Ele o Messias?" Ela não ousou afirmar que era o Messias, para que não aparentasse ensinar os outros: temia que, irritados, eles se recusassem a ir ao encontro de Cristo. Também não o silenciou totalmente, mas propô-lo sob a forma de pergunta, como se submetesse o seu julgamento ao deles. De facto, este era o meio mais fácil de os persuadir.

3. 0 fruto de sua pregação. "Eles saíram da cidade e vieram ter com Jesus". E, depois de O ouvirem, "muitos acreditaram e diziam à mulher: «Já não é por causa das tuas palavras que acreditamos. Nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é realmente o Salvador do mundo»".

(Cf. S. Tomás de Aquino, Comentário ao Evangelho de S. João, cap, 4)

A nossa missão é levar os outros à presença de Jesus, para Que O conhecem, para que O oiçam para que se deixem tocar pela sua graça. E então compreenderemos que o dom de Deus é a graça de encontrar Jesus. E a água viva que Jesus nos dá é a vida da graça. Esta é a água que satisfaz todas as aspirações do coração e, tendo descido do céu, como a água da chuva, volta para o céu, onde encontraremos, pela contemplação de Deus, a realização de todos os nossos mais puros desejos e a felicidade sem fim.

Na Exortação Apostólica «A alegria do Evangelho», o Papa Francisco observa que «a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento.

Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria" (n. 1) . Mais adiante, sublinha também que «A Samaritana, logo que terminou o seu diálogo com Jesus, tornou-se missionária, e muitos samaritanos acreditaram em Jesus «devido às palavras da mulher» (João 4, 39). Também S. Paulo, depois do seu encontro com Jesus Cristo, «começou imediatamente a proclamar (...) que Jesus era o Filho de Deus» (Actos 9, 20). Porque esperamos nós?» (n. 72).

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo