7 de Maio de 2017 - Domingo IV da Páscoa

Jesus é a Porta. O resto é parede.

Considero serem os quatro evangelhos os elementos essenciais da fé da Igreja [...] e penso que as suas primícias estão [...] no Evangelho de João. (...) Nenhum mostrou a divindade de Jesus de modo tão absoluto como João, que O faz dizer: «Eu sou a luz do mundo» (8,12), «Eu sou o caminho, a verdade e a vida» (14,6), «Eu sou a ressurreição» (11,25), «Eu sou a porta» (10,9), «Eu sou o Bom Pastor» (10,11), e, no Apocalipse: «Eu sou o alfa e o ómega, o primeiro e o último, o princípio e o fim» (22,13).

Orígenes (c. 185-253), presbitero. teólogo
Comentário ao Evangelho de São João, I, 21-25

1. Um dia, como nos conta S. João, no Evangelho de hoje, Jesus disse de Si mesmo: "Eu sou a porta". Trata-se de uma metáfora, mas que significa? Às vezes deparamo-nos com portas fechadas, e não sabemos o que está do lado de lá. Mas também há portas que se abrem, e dão acesso a um mundo inesperado, surpreendente. Nas Basílicas romanas e nas Catedrais há a Porta Santa, que só se abre nos grandes Jubileus. Que quer então transmitir-nos Jesus, ao dizer: "Eu sou a porta"? Um primeiro significado parece evidente: Jesus é a porta por onde se passa e por onde se entra. É preciso passar por Jesus para entrarmos na vida, para sermos salvos.


Quando Jesus diz: "Eu sou a porta", ensina-nos que só Ele é o Salvador, enviado pelo Pai.

Na vida humana há muitos caminhos, mas há um único acesso seguro para a vida de comunhão com Deus, e não é secreto, só acessível a alguns, não está oculto, nem está fechado, mas aberto de par em par: este acesso é Jesus, caminho único de salvação.

Ao longo dos tempos houve muitos profetas, e houve muitos fundadores de religiões que ainda hoje têm inúmeros seguidores, mas só a Jesus se podem aplicar estas palavras de um Salmo do Antigo Testamento: "Esta é a porta do Senhor: os justos entrarão por ela" (Salmo 11.7 [118],20).

É este o ensinamento do próprio Jesus Cristo no Evangelho de S. João: "Quem entrar por Mim, será salvo". É preciso passar por Jesus, para termos a vida. E Jesus di-lo ainda mais claramente um pouco depois: "«Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância»". Jesus é a fonte de uma vida abundante, de uma vida plena. Jesus quer dar-nos esta vida, mas será que a desejamos, será que a aceitamos?

2. Na 1ª leitura, uma grande multidão de pessoas, ao ouvirem o anúncio de que Jesus tinha sido glorificado pelo Pai como Senhor e Messias, isto é, tinha ressuscitado, e depois de terem sentido a profunda dor de terem colaborado na morte de Jesus, perguntaram a S. Pedro e aos outros apóstolos: "«Que havemos de fazer, irmãos?»" E S. Pedro respondeu serenamente: "«Convertei-vos, e peça cada um de vós o Baptismo em nome de Jesus Cristo»".

É necessário que também nós hoje perguntemos: "«Que havemos de fazer?» É necessário que cada um de nós pergunte, diante de Jesus ressuscitado: «Que hei-de fazer?»

Para além do convite à conversão e à santidade, que é para todos, para muitos Jesus ressuscitado pode reservar surpresas, pedidos inesperados. ou chamamentos que talvez já lá estivessem no fundo do coração, mas que só um dia, quando Deus o quer, se tomam nítidos, claros, evidentes.

Alguns cristãos podem sentir num determinado momento, com grande força. que Deus os chama a dedicar toda a vida aoseu serviço, em especial como sacerdotes.

3. Escreve o Papa Francisco: "O povo de Deus precisa de ser guiado por pastores que gastem a sua vida ao serviço do Evangelho. Por isso, peço às comunidades paroquiais, às associações e aos numerosos grupos de oração presentes na Igreja: sem ceder à tentação do desânimo, continuai a pedir ao Senhor que mande operários para a sua messe e nos dê sacerdotes enamorados do Evangelho, capazes de se aproximar dos irmãos, tomando-se assim sinal vivo do amor misericordioso de Deus" (Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações (7 de Maio de 2017 -IV Domingo da Páscoa).

E conclui: "Maria Santíssima, Mãe do nosso Salvador, teve a coragem de abraçar este sonho de Deus, pondo a sua juventude e o seu entusiasmo nas mãos d'Ele. Que a sua Intercessão nos obtenha a mesma abertura de coração, a prontidão em dizer o nosso «Eis-me aqui» à chamada do Senhor e a alegria de nos pormos a caminho, como Ela (cf.Lc 1. 39), para O anunciar ao mundo inteiro".

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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