21 de Maio de 2017 - Domingo VI da Páscoa

Jesus vivo na sua Igreja

O Evangelho de hoje revela-nos, em primeiro lugar, que Jesus espera encontrar em nós não apenas fé, mas verdadeiro amor. Jesus diz-nos: "«Se me amardes, guardareis os meus mandamentos»". E um pouco mais adiante, insiste: "«Se alguém aceita os meus mandamentos e os cumpre, esse realmente Me ama»", Ser cristão é amar Jesus e, por amor, obedecer a Jesus.


Cristo Pantocrator

Talvez haja muitas pessoas para quem Jesus é apenas uma figura histórica, alguém que pertence ao passado. Admitem que foi alguém muito especial, mas acham que passou à história, como muitos outros. Mas nós sabemos que não é assim. Para nós, que O conhecemos na fé, Jesus é Aquele que vive. De Jesus, só podemos dizer: está vivo e está connosco!

Durante a Última Ceia, Jesus disse aos seus discípulos: "«O mundo já não Me verá, mas vós ver-me-eis, porque Eu vivo e vós vivereis»". Nessa mesma noite, porém, Jesus foi preso e no dia seguinte, Sexta-Feira Santa, morreu na cruz. Nesses momentos, nessa hora de grande sofrimento e dor, poderá ter parecido aos discípulos que as suas palavras ficavam por cumprir, e que Jesus já não mais poderia dizer: «Eu vivo».

Mas, no Domingo de Páscoa, os apóstolos viram Jesus vivo, que voltou ao seu encontro, vindo da morte, de onde nunca ninguém tinha vindo, e reconheceram que Jesus é Aquele que pode dizer, com toda a verdade: "Eu vivo", tal como é Aquele que pode dizer, com absoluta verdade, como Filho de Deus: "Eu sou". Viram e acreditaram. É também nós, apoiados no testemunho dos apóstolos, e apesar de não termos visto, acreditamos em Jesus, que vive para sempre. S. Pedra dizia na 2ª leitura: Cristo "morreu uma só vez pelos nossos pecados - o Justo pelos injustos - para nos conduzir a Deus. Morreu segundo a carne, mas voltou à vida pelo Espírito". É esta a afirmação essencial da fé cristã e o grande anúncio que transmitimos a todos.

Mas devemos interrogar-nos sinceramente: a nossa fé em que Jesus está vivo, influencia mesmo a nossa vida? Sentimos Jesus vivo ao nosso lado, e vivo na sua Igreja? Ou dizemos que acreditamos, mas ao mesmo tempo procedemos como se Jesus estivesse morto, ou ausente, ou indiferente, ou como se tivesse ficado preso no passado, longe de nós, inacessível, inatingível?

Só há uma maneira de provar que a nossa fé é verdadeira, que o nosso amor é profundo e sincero: é cumprir os mandamentos de Jesus. "Se me amardes, guardareis os meus mandamentos". Talvez aqui não se trate dos Dez Mandamentos do Decálogo, que evidentemente estarão sempre em vigor, mas de outros mandamentos mais pessoais que Jesus vai fazendo, ao longo da vida, àqueles Que O amam. São inspirações que vamos tendo, pedidos muito especiais, mandatos muito concretos que Jesus vai fazendo a cada um, umas vezes silenciosamente, secretamente, e noutros momentos através dos outros, através da sua Igreja.

Em cada momento da nossa vida, devemos procurar saber com sinceridade quais sãos estes pedidos de Jesus, estes mandamentos, feitos pessoalmente a cada um de nós. Há pedidos ou mandamentos óbvios, como este, por exemplo: - Vá lá, converte-te de uma vez por todas, continuas à espera de quê para mudares de vida? Ou ainda: - Já viste como aquela pessoa, aquele teu amigo, aquele teu colega, precisa da tua ajuda? Já reparaste como podias fazer muito mais em favor dos outros com o teu estudo, com o teu trabalho, com os teus talentos? Ou ainda: Tenho saudades da tua oração, tenho saudades de te ver na Missa! Quando voltas, por que esperas para Me ouvires, para Me falares, para Me receberes no teu coração?

Os Mandamentos de Jesus são universais, mas também são muito pessoais. E preciso ouvi-los no coração, e segui-los com amor e com docilidade. A um casal, Jesus pede que seja muito unido, muito próximo, muito fiel; a um sacerdote pede que seja alegre na sua entrega; aos jovens pede que o seu coração se conserve limpo e puro para amar; às mães e aos pais pede que sejam muito confiantes na ajuda que Deus lhes dará sempre, e a todos pede mais fé, mais amor, mais obediência interior. E a mim, pessoalmente, que me pede Jesus?

O segundo grande ensinamento do Evangelho de hoje refere-se ao Espírito Santo. Jesus ressuscitado, aos que O amam e desejam amar cada vez mais, promete que enviará o Espírito Santo, a quem chama Paráclito, isto é, Defensor, e também Espírito da verdade. Dizer «Espírito da verdade» é o mesmo que dizer: «Espírito de Jesus», porque Jesus é a Verdade que o Pai nos revelou, a Verdade em pessoa, que ilumina a nossa inteligência e apaixona o nosso coração.

O Espírito Santo vem para estar sempre connosco, para habitar connosco e estar em nós, como diz Jesus, a fim de nos confirmar nesta certeza interior que nos ilumina, nesta fé firme e apaixonada em Jesus vivo, nesta vontade inabalável de fazer a sua vontade e cumprir os seus mandamentos, mesmo quando nos parece difícil ou até humanamente impossível. O Espírito Santo Defensor é também o Espírito Consolador, a sua actuação tem alguma coisa de materno e especialmente carinhoso, para nunca nos sentirmos sós, e podermos cumprir a nossa missão com fortaleza e valentia.

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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