4 de Junho de 2017 - Domingo de Pentecostes

Vinde, Pai dos pobres

Da Missa de Pentecostes consta uma sequência, género de texto litúrgico do qual existem apenas cinco em uso no Rito Romano (um deles apenas na Forma Extraordinária, o Dies irae). A sequência de Pentecostes é o Veni Sancte Spiritus, assunto do nosso texto de hoje.

O texto original é do séc. XIII, e sua autoria deve ser atribuída a Stephen Langton, chanceler da Universidade de Paris (+1228). Nascido em 1150, Stephen Langton foi Arcebispo da Cantuária, em inglês "Canterbury", a Sé episcopal que foi católica até à separação de Henrique VIII da Igreja Católica, no século XVI.


Duccio di Buoninsegna, Pentecostes (1308-1311)

E a música gregoriana com que é cantada é de uma beleza extraordinária. "O compositor deste canto era uma verdadeira harpa de Deus tocada pelo próprio Espírito Santo. Seus sons permanecerão por tanto tempo quanto a humanidade recorrer, em oração sincera, ao "Pai dos pobres". Quem quer que perceba a carência de seu próprio coração, quem quer que simpatize com tudo aquilo que move o seu coração e o coração de seus irmãos, quem quer que reflita, enquanto medita o texto e seu desenvolvimento melódico, sobre a obra do Espírito Santo nas almas e na Igreja, alcançará a mais adequada interpretação deste canto magnífico.

(Pode ser ouvido em https://www.youtube.com/watch?v=Z6hqAfsHURo)

Mesmo assim, as imagens do original permanecem:

Vinde, Espírito Santo, e enviai dos céus um raio de luz!
Vinde, Pai dos pobres, dai aos corações vossos sete dons.
Consolo que acalma, hóspede da alma, doce refrigério, vinde!
No labor descanso, na aflição remanso, no calor aragem.
Sem a luz que acode, nada o homem pode, nenhum bem há nele.
Ao sujo lavai, ao seco regai, curai o doente.
Dobrai o que é duro, guiai no escuro, o frio aquecei.
Dai à vossa Igreja, que espera e deseja, vossos sete dons.
Dai em prémio ao forte uma santa morte, alegria eterna!
Enchei, luz bendita, chama que crepita, o íntimo de nós!

Admirável oração, que podemos continuar a rezar na Oitava do Pentecostes, que se celebra na Forma Extraordinária, ou pelo menos nos primeiros dias da próxima semana.

E a seguir uma oração ao Espírito Santo, inspirada em vários passos de obras de Santo Agostinho:

Ó Divino amor, ó vínculo sagrado que unls o Pai e o Filho, Espírito omnipotente, fiel consolador dos aflitos, penetrai nos abismos profundos do meu coração e fazei aí brilhar a vossa resplandecente luz. Derramai o vosso doce orvalho sobre essa terra deserta, a fim de fazer cessar a sua longa aridez.
Enviai os dardos celestes do vosso amor até este santuário de minha alma, de modo que nela penetrando acendam chamas ardentes que consumam todas as minhas fraquezas, as minhas negligências e as minhas indolências.
Vinde, vinde doce Consolador das almas desoladas, refúgio no perigo e protector na aflição e desamparo. Vinde, Vós que lavais as almas das suas manchas, e que curais as suas chagas.
Vinde, força dos fracos, apoio daqueles que caem.
Vinde, doutor dos humildes e vencedor dos orgulhosos.
Vinde, Pai dos órfãos, esperança dos pobres, tesouro dos que estão na indigência. Vinde, estrela dos navegantes, porto seguro dos que naufragaram.
Vinde, força dos vivos e salvação dos moribundos.
Vinde, ó Espírito Santo, vinde e tende piedade de mim. Tornai a minha alma simples, dócil e fiel, e condescendei com a minha fraqueza, com tanta bondade, que a minha pequenez encontre graça diante da vossa grandeza infinita, a minha incapacidade diante de vossa força, as minhas ofensas diante da multidão das vossas misericórdias. Amen.

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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