18 de Junho de 2017 - Domingo XI do Tempo Comum

A vontade de ser santos

A primeira leitura, de hoje, do livro do Êxodo, coloca-nos a questão: É possível ser santo, como Deus já pediu, melhor dizendo, mandou ao seu povo, no Antigo Testamento, ao dizer: "vós sereis para Mim um reino de sacerdotes, uma nação santa". Isto é possível?

Sim, é possível, porque Deus nos dá os meios para o sermos. E todos podemos sê-lo!


Um dos grandes defensores deste chamamento universal à santidade, escreveu assim num livro de pensamentos:

Ser santo não é fácil, mas também não é difícil. Ser santo é ser bom cristão: parecer-se com Cristo. Aquele que mais se parece com Cristo, é o mais cristão, mais de Cristo, mais santo. - E que meios temos? Os mesmos dos primeiros fiéis, que viram Jesus ou o entreviram através dos relatos dos Apóstolos ou dos Evangelistas" (S. Josemaría Escrivá, Forja, 10).>

Com esses meios, os cristãos dos primeiros séculos tornaram-se santos no meio de uma sociedade pagã, em parte corrompida e que os perseguia com ódio. E com esses meios, fizeram apostolado ali onde se encontravam, até transformar a partir de dentro uma civilização hostil à fé. Para seguir os passos de Cristo, o apóstolo de hoje não vem reformar nada, e menos ainda desentender-se da realidade histórica que o rodeia... Basta-lhe actuar como os primeiros cristãos, vivificando o ambiente (Sulco, 320).

E estes meios estão acessíveis a todos. Percebeu-o muito bem um adolescente italiano, chamado Carlo Acutis, que nasceu em Londres, em 3 de Maio de 1991 e morreu aos 15 anos de idade, em 12 de Outubro de 2006, por causa de uma leucemia fulminante. Hoje é Servo de Deus, o que significa que um dia poderá ser beatificado e canonizado.

Com 12 anos começou a comungar diariamente, e não acabava o dia sem a recitação do Terço e a adoração eucarística, convencido como estava de que, "quando alguém se põe a apanhar sol fica bronzeado, mas quando se põe diante de Jesus na Eucaristia, torna-se santo".

"Estar sempre com Jesus: este é o meu plano de vida". Com estas poucas palavras, Carlo Acutis definiu a "marca registada" de sua curta vida, focada decididamente na amizade com Jesus.

Carlo Acutis foi um jovem como os outros dos nossos tempos: moderno, atento ao mundo, especialista em informática. Cheio de vida, ele era também cheio de fé e tinha uma inteligência acima da média. A sua história tem despertado profunda admiração tornou-se popular e muito amado. Graças à internet, a história de Carlo passou muito além das fronteiras, embora vastas, das suas amizades directas.

O que o fez viver com alegria até o fim foi o relacionamento com Cristo na Eucaristia, do qual ele se nutriu todos os dias, e a adoração eucarística, à qual dedicava longo tempo. Devoto, mas nunca «beato», recebeu a primeira comunhão aos 7 anos de idade, com autorização especial.

É o que recorda a superiora do convento de clausura de Perego, em Brianza, onde fez a primeira comunhão: "Tranquilo durante o tempo da missa, ele começou a dar sinais de 'impaciência' quando se aproximava o momento de receber a Sagrada Comunhão. Com Jesus já no coração, depois de um tempo com a cabeça recolhida entre as mãos, ele começou a mexer-se, um tanto agitado, como se não conseguisse ficar parado. Parecia que alguma coisa tinha acontecido com ele, só conhecida por ele; algo grandioso, que ele não conseguia conter" (Tempi, 20 de Maio de 2013). Hoje, graças à exposição virtual sobre os milagres eucarísticos, criada por sua iniciativa (visite-a em www.miracolieucaristici.org), a sua herança espiritual está presente no mundo todo: das Filipinas a Cabo Verde, do Brasil à China.

No início de Outubro de 2006, Carlo manifestou os sintomas do que, inicialmente, foi confundido com papeira, mas diagnosticado, logo depois, como leucemia fulminante. A morte veio em breve, no dia 12 de Outubro. "Carlo entendeu o que estava a acontecer e ofereceu os seus sofrimentos pela Igreja e pelo Papa", conta Francesca Consolini, postuladora da causa de beatificação. "No hospital, ele preocupava-se com os pais, agradecia aos enfermeiros e médicos. Viveu também a morte com plenitude, como tinha vivido a vida. 'Viver bem o hoje, olhando para o essencial': eu acho que esta é a mensagem mais forte que ele nos deixou" (Credere, 30 de Junho de 2013).

Um amigo fala da sua aproximação à fé depois da morte de Carlo. "No enterro, havia vários imigrantes, alguns muçulmanos e hindus. Eu acho que Carlo os tinha conhecido nos seus passeios de bicicleta pelo bairro, quando parava para conversar com os porteiros, quase todos estrangeiros. Perto da nossa casa havia um sem­abrigo. Carlo levava-lhe sempre comida. Uma vez, deu um saco-cama a um idoso que dormia numa caixa de papelão. Doava as suas mesadas para os frades capuchinhos".

"Ele era muito austero", conta a mãe. "Uma vez, não ficou nada contente, quando eu comprei um par de sapatos que ele achou desnecessários. Treinava a força de vontade. E dizia que «o problema é motivar a vontade. A única coisa que nós temos que pedir a Deus na oração é a vontade de ser santos»".

"Estou feliz por morrer", escreveu Carlo, "porque vivi a minha vida sem perder nenhum minuto em coisas que não agradam a Deus".

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

Blog  Ad te levavi
Arquivo