29 de Outubro de 2017 - 30º Domingo do Tempo Comum

As Indulgências pelas almas do Purgatório

Sabe como lucrar indulgências?

A "Constituição Apostólica Doutrina das Indulgências", do Papa Paulo VI, de 1967, explica a importãncia de se ganhar indulgências para a própria alma e para as almas do Purgatório. Após o Concilio Vaticano II, alguns imaginavam que a Igreja iria abolir as Indulgências; eis que foram retomadas na íntegra pelo Papa. O que são as Indulgências? Explica Paulo VI:

"A doutrina e o uso das indulgências vigentes na Igreja Católica há vários séculos encontram sólido apoio na Revelação divina, a qual, vinda dos Apóstolos "se desenvolve na Igreja sob a assistência do Espírito Santo", enquanto "a Igreja no decorrer dos séculos, tende para a plenitude da verdade divina, até que se cumpram nela as palavras de Deus (Dei Verbum, 8)". (DI,1)


"Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa, que o fiel, devidamente disposto e em certas e determinadas condições, alcança por meio da Igreja, a qual, como dispensadora da redenção, distribui e aplica, com autoridade, o tesouro das satisfações de Cristo e dos Santos" (Norma 1).

"Assim nos ensina a revelação divina que os pecados acarretam como consequência penas infligidas pela santidade e justiça divina, penas que devem ser pagas ou neste mundo, mediante os sofrimentos, dificuldades e tristezas desta vida e sobretudo mediante a morte, ou então no século futuro..." (DI,2)

"Essas penas são impostas pelo julgamento de Deus,julgamento a um tempojusto e misericordioso, a fim de purificar as almas, defender a integridade da ordem moral e restituir à glória de Deus a sua plena majestade. Todo pecado, efectivamente, acarreta uma perturbação da ordem universal, por Deus estabelecida com indizível sabedoria e caridade infinita, e uma destruição de bens imensos, quer se considere o pecador como tal quera comunidade humana" (DI,2).

O Catecismo da Igreja Católica ensina que: "pelas indulgências, os fiéis podem obter para si mesmos e também para as almas do Purgatório, a remissão das penas temporais, sequelas dos pecados" (n. 1498). "Para compreender esta doutrina e esta prática da Igreja, é preciso entender que o pecado tem dupla consequência. O pecado grave priva-nos da comunhão com Deus e, consequentemente, torna-nos incapazes da vida eterna; esta privação chama-se pena eterna do pecado. Por outro lado, mesmo o pecado venial, acarreta um apego prejudicial às criaturas que exige purificação, quer aqui na terra quer depois da morte, no estado chamado purgatório. Esta purificação liberta da chamada «pena temporal» do pecado. Essas duas penas não devem ser concebidas como uma espécie de vingança infligida por Deus do exterior, mas antes como uma consequência da própria natureza do pecado" (n 1472)

A realidade e a beleza da comunhão dos fiéis no corpo místico de Cristo garante que "cada um beneficia da santidade dos outros, muito para além do prejuízo que o pecado de um possa ter causado aos outros. Assim, o recurso à comunhão dos santos permite ao pecador contrito ser purificado, mais cedo e mais eficazmente, das penas do pecado". (Catecismo da Igreja Católica, n. 1475)

As indulgências podem ser plenárias ou parciais, se eliminam em parte ou no todo as penas que a alma deve cumprir no Purgatório. O Manual das Indulgências traz as 70 orações e meios para se ganhar essas indulgências (Veja o livro O QUE SÃO AS INDULGÊNCIAS, Ed. Cléofas).

Podemos ganhar uma indulgência plenária em cada dia para nossa alma ou para a alma de algum falecido. Vale a pena destacar aqui a indulgência plenária que se pode ganhar uma vez por dia, para si mesmo ou para as almas; realizando uma das seguintes obras:

1. adoração ao Santíssimo Sacramento pelo menos por meia hora (concessão n. 3);
2. leitura espiritual da Sagrada Escritura ao menos por meia hora (concessão n. 50);
3. piedoso exercício da Via Sacra (concessão n. 63);
4. recitação do Terço de Nossa Senhora na Igreja, no oratório ou na família ou na comunidade religiosa ou em piedosa associação (concessão n. 63).

Além disso, é sempre necessário que o fiel faça a Confissão individual rejeitando todos os pecados (basta uma Confissão para várias indulgências), participe da Santa Missa e da Comunhão, e reze pelo Papa ao menos um Pai-nosso e uma Ave-Maria.

Repetidas vezes os Papas têm autorizado indulgências plenárias especiais, tendo em vista algumas comemorações.

Na semana dos defuntos, de 1 a 8 de Novembro, uma das quatro opções acima citadas pode ser substituída pela visita ao cemitério onde a pessoa falecida foi sepultada e rezar alguma oração pela sua alma.

Prof. Felipe Aquino

Fonte: http://cleofas.com.br/as-indulgencias-pelas-almas-do-purgatorio/

 

Se a confissão perdoa os pecados, para que existem as indulgências?

Será que, depois do perdão dos pecados na confissão, sobra algum "resto de pecado"?

Pergunta: Ao falar das indulgências, algumas pessoas mencionam os "restos do pecado". Mas, se o sacramento da Penitência nos perdoa tudo, o que resta por perdoar? Também acho que é impossível esta necessidade de uma "rejeição total do pecado, inclusive venial", para ganhar a indulgências plenária. Todos nós temos esta tendência ao pecado...

Resposta:
Os nosso pecados comportam graves consequências. É verdade que, quando nos confessamos deles no sacramento do Perdão, eles são perdoados. Mas a «pegada» do pecado requer um longo caminho de regeneração.

Dizem que um presidente dos Estados Unidos, para fazer seu filho entender as consequências dos nossos actos, lhe propôs um exercício: deu-lhe um martelo, um prego grande e uma tábua de madeira, e perguntou-lhe se ele seria capaz de pregá-lo na tábua.

O menino respondeu que era muito fácil e, sem nenhum problema, com duas ou três marteladas bem dadas, enfiou o prego totalmente na madeira. Então o pai disse-lhe: "Muito bem. Agora tenta retirar o prego, se conseguires". O menino suou muito na tentativa e, depois de quase uma hora, conseguiu arrancar o prego, deixando uma grande falha na madeira.

O pai disse-lhe: "Aprende isto, meu filho. Fazer o mal é fácil, mas desfazê-lo é muito difícil, quando não impossível, e isso sempre deixa uma ferida".

O Papa Francisco explica assim: "Apesar do perdão, carregamos na nossa vida as contradições que são consequências dos nossos pecados. No sacramento da Reconciliação, Deus perdoa os pecados, que são verdadeiramente apagados; mas o cunho negativo que os pecados deixaram nos nossos comportamentos e pensamentos, permanece" (Misericordiae vultus).

Portanto, a indulgência não busca perdoar nenhum pecado, mas sim perdoar totalmente as consequências negativas do pecado. Trata-se de uma realidade muito séria, longe de um automatismo mágico à margem da nossa busca sincera de Deus e do seu perdão, e que se traduz na vontade de levar uma vida autenticamente evangélica e refazer o caminho. Não é simplesmente passar por uma porta e tudo bem.

E em relação a isso que lhe parece impossível, posso lhe dizer que a Igreja nunca nos pede impossíveis. Se, ao invés de conceber esta rejeição do pecado como um acto da emotividade e dos sentimentos, você a encarar como um acto de pura determinação e vontade, perceberá que não é tão difícil. Mas tampouco fácil demais: é como se, diante de um prato que comeria com deleite, decide não comê-lo, mesmo que implique em um sacrifício.

Felipe Aquino

Fonte: http://cleofas.com.br/se-a-confissao-perdoa-os-pecados-para-que-existem-as-indulgencias/

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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