5 de Novembro de 2017 - 31º Domingo do Tempo Comum

O céu, a morte, o purgatório... O que são os Novíssimos?

Alguns ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica sobre o bom costume de rezar pelos familiares e amigos defuntos, especialmente indicadas para considerar neste mês de Novembro.

1. 0 que há depois da morte? Deus julga cada pessoa pela sua vida? O Catecismo da Igreja Católica ensina que «a morte põe termo à vida do homem, enquanto tempo aberto à aceitação ou à rejeição da graça divina, manifestada em Jesus Cristo» «Ao morrer, cada homem recebe na sua alma imortal a retribuição eterna, num juízo particular que põe a sua vida em referência a Cristo, quer através de uma purificação, quer para entrar imediatamente na felicidade do céu, quer para se condenar imediatamente para sempre». Neste sentido S. João da Cruz fala do juízo particular de cada um dizendo que «ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor» (Catecismo da Igreja Católica. 1021-1022).


2. Quem são os que vão para o céu? Como é o céu? O céu é "o fim último e a realização das aspirações mais profundas do homem. o estado supremo e definitivo da felicidade". S. Paulo escreve: Nem olho viu, nem ouvido ouviu, nem passou pelo pensamento do homem as coisas que Deus tem preparado para aqueles que o amam" (lCor 2, 9).

Depois do juízo particular, os que morrem na graça e na amizade" de Deus e estão perfeitamente purificados vão para o céu. Vivem em Deus, vêem-no tal como é. Estão sempre com Cristo. São para sempre semelhantes a Deus, gozam da sua felicidade, do seu Bem, da Verdade e da Beleza de Deus.

Esta vida perfeita com a Santíssima Trindade, esta comunhão de vida e de amor com Ela, com a Virgem Maria, com os anjos e com todos os bem-aventurados chama-se céu. É Cristo que. pela sua morte e Ressurreição, nos "abriu o céu". Viver no céu é "estar com Cristo" (cf. Jo 14, 3; Flp 1, 23; 1 Ts 4,17). Os que chegam ao céu vivem "n'Ele", mais ainda, encontram ali a sua verdadeira identidade (Catecismo da Igreja Católica - l023-1026).

3. O que é o purgatório? É para sempre? «Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas imperfeitamente purificados, embora estejam certos da sua salvação eterna, sofrem depois da morte uma purificação, para alcançarem a santidade necessária para entrarem na alegria do céu. A Igreja chama purgatório a esta purificação final dos eleitos, que é completamente diferente do castigo dos condenados. Este ensinamento apoia-se também na prática da oração pelos defuntos, de que a Escritura fala: "Por isso [Judas Macabeu] mandou fazer um sacrifício expiatório pelos mortos, para ficarem livres do pecado" (2 M 12, 46). Desde os primeiros tempos a Igreja honrou a memória dos defuntos e ofereceu sufrágios por eles. em particular o sacrifício eucarístico (cf. DS 856), para, uma vez purificados, poderem chegar à visão beatifica de Deus. A Igreja recomenda também as esmolas, as indulgências e as obras de penitência pelos defuntos» (Catecismo da Igreja Católica. 1030-1032).

4. O inferno existe? Significa permanecer separados d'Ele - do nosso Criador e nosso fim - para sempre pela nossa escolha própria e livre. Este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados é o que se designa com a palavra inferno. Morrer em pecado mortal, sem estar arrependido nem acolher o amor misericordioso de Deus é escolher este fim para sempre. O ensinamento da Igreja afirma a existência do inferno e da eternidade. As almas daqueles que morrem em pecado mortal descem aos infernos imediatamente depois da morte e ali sofrem as penas do inferno, "o fogo eterno". A pena principal do inferno consiste na separação eterna de Deus em quem unicamente o homem pode ter a vida e a felicidade para as quais foi criado e pelas quais aspira.

Jesus fala frequentemente da geena e do fogo que nunca se apaga, reservado para os que, até ao fim da vida, recusam acreditar e converter-se, e onde se pode perder ao mesmo tempo o corpo e a alma. A pena principal do inferno é a da separação eterna de Deus.

As afirmações da Escritura e os ensinamentos da Igreja a propósito do inferno são um chamamento à responsabilidade com que o homem deve usar a sua liberdade em relação ao destino eterno. Constituem também um apelo urgente à conversão: "Entrai pela porta estreita porque é larga a porta e espaçoso o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela, mas como é estreita a porta e apertado o caminho que leva à Vida, e são poucos os que a encontram" (Mt 7, 13-14) (Catecismo da Igreja Católica. 1033-1036).

Com a amizade em Cristo do
O Prior de Santa Maria de Belém
Cón. José Manuel dos Santos Ferreira

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